A heterotopia amerindia e a resistência contra o etnocídio brasileiro

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20396/rfe.v13i3.8665100

Palavras-chave:

Subjetividades ameríndias, Desobediência, Possibilidades dissonantes

Resumo

Este artigo visa, a partir de um problema contemporâneo (a destruição das vidas e culturas indígenas no Brasil), pensar problemas éticos, em especial no que consistem as formas outras de constituição da subjetividade e de (des)obediência. A questão da obediência indígena, então, será pensada a partir dos escritos de Pierre Clastres, dando margem para a relação com nossa realidade ocidental a partir de Viveiros de Castros. A questão da subjetividade será abordada a partir daquilo que nos foi indicado por Michel Foucault. Encarando essas realidades ameríndias como heterotopias, como poderíamos produzir resistências e possibilidades dissonantes em nossa realidade presente?

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Biografia do Autor

Gustavo Ruiz da Silva, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

Mestrado em andamento em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

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Publicado

2022-01-20

Como Citar

Silva, G. R. da . (2022). A heterotopia amerindia e a resistência contra o etnocídio brasileiro. Filosofia E Educação, 13(3), 2725–2741. https://doi.org/10.20396/rfe.v13i3.8665100