Entre a coesão e a dispersão: a política urbanizadora pombalina e a criação de Guaratuba, na capitania de São Paulo sob o morgado de Mateus (1765-1775)

Autores

  • Maria Fernanda Derntl Universidade de São Paulo

DOI:

https://doi.org/10.20396/urbana.v2i1.8635232

Palavras-chave:

Urbanização. Guaratuba. Morgado de Mateus.

Resumo

Este trabalho discute alguns aspectos da atuação da Coroa portuguesa no campo da urbanização a partir da análise da criação de uma vila considerada exemplar dos padrões urbanos do governo pombalino: Guaratuba, na capitania de São Paulo, sob a administração do morgado de Mateus (1765-1775). Estudos gerais de história da cidade vinculam a elevação de vilas entre 1750 e 1777 a uma política urbanizadora centralizada, que teria enfatizado traçados urbanos regulares com o apoio de um quadro de engenheiros-militares. A partir de documentos escritos e da cartografia pertinente, este trabalho procura mostrar que o morgado de Mateus atuou com relativa autonomia ao estabelecer determinações formais para a ordenação de Guaratuba.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Maria Fernanda Derntl, Universidade de São Paulo

Professora e pesquisadora na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília desde 2010. Graduada em Arquitetura e Urbanismo (1995), mestre (2004) e doutora (2010) em História e Fundamentos da Arquitetura e do Urbanismo pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo. Autora do livro Método e Arte: urbanização e formação territorial na capitania de São Paulo, 1765-1811 (ed. Alameda/FAPESP, 2013, menção honrosa ANPUR 2015), derivado de pesquisa de doutorado orientada pelo prof. Hugo Segawa e supervisonada pela profa. Renata Klautau Malcher de Araújo (Univ. do Algarve). Organizou livros sobre temáticas pertinentes à história da cidade e do urbano, entre os quais Brasília 50+50: cidade, história e projeto (com Luciana Saboia, EdUnB/2014) e Arquitetura, Estética e Cidade: questões da modernidade (com Elane Ribeiro Peixoto, FAU-UnB, 2014). Participou da coordenação geral do XIII SHCU (Brasília/2014).

Referências

ARAÚJO, Renata M. de (1998). As cidades da Amazônia no século XVIII: Belém, Macapá e Mazagão. Porto: FAUP.

ARAÚJO, Renata K. Malcher (2000). A Urbanização do Mato Grosso no século XVIII: Discurso e Método. Dissertação (Doutorado), Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Lisboa.

BELLOTTO, Heloísa Liberalli (1976). O Governo do Morgado de Mateus: primórdios da restauração da Capitania de São Paulo (1765-1775). Tese de doutorado, FFLCH-USP.

BUENO, Beatriz P. S (2003). Desenho e Desígnio: o Brasil dos engenheiros militares (1500-1822). Tese (Doutorado). FAUUSP, (2ª versão).

CARITA, Helder; ARAÚJO, Renata (coord.) (1998). Colectânea de Estudos. Universo Urbanístico Português: 1415-1822. Lisboa: CNCDP.

CARNEIRO, David (1951). Afonso Botelho de Sampayo e Souza: seu julgamento e seu papel na construção do atual Paraná. Curitiba: Requião.

DELSON, Roberta Marx (1997). Novas Vilas para o Brasil-Colônia. Planejamento espacial e social no século XVIII. Brasília: Ed. Alva-Ciord.

DOCUMENTOS INTERESSANTES PARA A HISTORIA E COSTUMES DE SÃO PAULO (v. 23, 1896; v. 34, 1901; v. 65, 1924 ; v.67, 1943). São Paulo: Departamento de Arquivo do Estado.

FERNANDES, José-Manuel (1997). L'Inde et le sud du Brésil. In: Malverti, Xavier; Pinon, Pierre (org.). La ville regulière: modèles et tracés. Paris: Picard, p. 111-121.

FLEXOR, Maria Helena Ochi (1998). Cidades e Vilas Pombalinas no Brasil do Século XVIII. In: CARITA, Helder; ARAÚJO, Renata (coord.). Colectânea de Estudos. Universo Urbanístico Português: 1415-1822. Lisboa: CNCDP, p. 256-266.

FLEXOR, Maria Helena Ochi (1996) Núcleos Urbanos criados por Pombal no Brasil do século XVIII. In: Machado, Denise B. Pinheiro (org.). Anais do IV seminário de história da cidade e do urbanismo. Rio de Janeiro: UFRJ, p. 602-618.

HOLANDA, Sérgio Buarque (1995). Raízes do Brasil. 26ª ed. São Paulo: Companhia das Letras (1ª ed. 1936).

KANTOR, Íris (2006) Legislação indigenista, reordenamento Territorial e auto-representação das elites (1759-1822). In: KOERNER, Andrei, História da Justiça Penal no Brasil: pesquisas e análises. São Paulo: IBCCRIM, 2006, p. 29-38.

MAFRA, Joaquim da Silva (1952). História do Município de Guaratuba. Guaratuba.

MOREIRA, Rafael (2003). A arte da Ruação e a cidade luso-brasileira. Cadernos de Pesquisa do LAP. São Paulo, FAUUSP, n. 37, p. 6-32.

REIS FILHO, Nestor Goulart (1997). Aparência das Vilas e Cidades no Brasil. Cadernos de Pesquisa do LAP. FAUUSP, nº 20, p. 40-73.

REIS FILHO, Nestor Goulart (2001). Evolução Urbana do Brasil 1500/1720. 2ª ed. São Paulo: PINI.

REIS FILHO, Nestor Goulart (2000). Imagens das Vilas e Cidades do Brasil Colonial. [Colaboradores: Beatriz P. S. Bueno e Paulo J. V. Bruna]. São Paulo: EDUSP, Imprensa Oficial do Estado, FAPESP.

REIS FILHO, Nestor Goulart (1987). Urbanismo en Brasil. Séculos XVI-XVII. In: ALOMAR, Gabriel. De Teotihuacán á Brasília: estudios de historia urbana iberoamericana y filipina. Madrid: Inst. de Administración Local, p. 352-369.

SAINT-HILAIRE, Auguste de (1995). Viagem pela Comarca de Curitiba. Curitiba, Fundação Cultural.

SANTOS, Paulo F (2001). Formação de Cidades no Brasil Colonial. Rio de Janeiro: UFRJ.

SMITH, Robert (1954) Urbanismo Colonial no Brasil. Tese apresentada ao II Colóquio Internacional de Estudos Luso-Brasileiros, realizado em São Paulo no ano de 1954. São Paulo, FAUUSP, p. 21-22.

TEIXEIRA, Manuel C. (coord.) (2004). A Construção da Cidade Brasileira. Lisboa: Livros Horizonte.

TOLEDO, Benedito Lima de (1972). O Real Corpo de Engenheiros na Capitania de São Paulo, destacando-se a obra do brigadeiro João da Costa Ferreira. Tese de doutorado, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, p. 82-84).

TORRÃO FILHO, Amilcar (2003). Imagens de pitoresca confusão: a cidade colonial na América portuguesa. Revista USP, 57, março/maio 2003, p. 50-67.

TORRÃO FILHO, Amilcar (2004). Paradigma do caos ou cidade da conversão?: a cidade colonial na América portuguesa e o caso da São Paulo na administração do Morgado de Mateus (1765 1775). Dissertação (Mestrado) Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas.

TORRÃO FILHO, Amilcar (2005a). O “milagre da onipotência” e a dispersão dos vadios: política urbanizadora e civilizadora em São Paulo na administração do morgado de Mateus (1765-1775). Estudos Ibero-americanos, PUCRS, v. XXXI, n. 1, p. 145-165.

TORRÃO FILHO, Amilcar (2005b). Narrativas de viagem: cruzamentos de espaços, saberes e temporalidades, sécs. XVIII e XIX. Estudos de História da UNESP. Franca, v. 12, nº 1, p. 127-144.

TEIXEIRA, Manuel C., VALLA, Margarida (1999). O urbanismo português. Séculos XIII-XVIII. Portugal-Brasil. Lisboa: Livros Horizonte.

Downloads

Publicado

2013-04-09

Como Citar

DERNTL, M. F. Entre a coesão e a dispersão: a política urbanizadora pombalina e a criação de Guaratuba, na capitania de São Paulo sob o morgado de Mateus (1765-1775). URBANA: Revista Eletrônica do Centro Interdisciplinar de Estudos sobre a Cidade, Campinas, SP, v. 2, n. 1, p. 1–13, 2013. DOI: 10.20396/urbana.v2i1.8635232. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/urbana/article/view/8635232. Acesso em: 24 jan. 2022.