A cidade e o urbano: experiências, sensibilidades, projetos

Maria Stella Martins Bresciani

Resumo


Denúncias e investigações relativas às más condições das habitações da população operária no século XIX estabelecem o tripé pobreza-doenças-perigo social como um dos eixos das intervenções nas cidades. Iniciativas sanitárias em equipamentos coletivos urbanos correm em paralelo a projetos modelares de “moradias mínimas” embora em franco contraste com o efetivamente edificado, sugestivamente denominado “casernas”. Nas décadas inicias do século XX, a preocupação com induzir famílias a novos hábitos pelo agenciamento do espaço modelar desloca-se significativamente para a casa mínima redefinida em resposta às “profundas mudanças da estrutura social”. Novos modos de vida e a coesão familiar desfeita exigem nova concepção de moradia aliada a de mobilidade urbana e dão lugar a padronização industrial e a tipologias padrão com pretensão a universalidade.


Palavras-chave


Questão urbana. Ideia sanitária. Casas operárias. Habitações mínimas.

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DOI: https://doi.org/10.20396/urbana.v6i1.8635293

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