O asylo da mendicidade e os planos urbanísticos do século XIX no Rio de Janeiro

  • Eliara Beck Souza Universidade Federal do Rio de Janeiro
  • Ana Maria Gadelha Albano Amora Universidade Federal do Rio de Janeiro
Palavras-chave: Asylo da Mendicidade do Rio de Janeiro. Hospital São Francisco de Assis. Assistência pública.

Resumo

O objetivo deste artigo é relacionar a edificação do Asylo da Mendicidade no Rio de Janeiro em 1876 com os ideais de razão, ordem e higiene que permearam os planos urbanísticos do século XIX. São abordados o relatório de Beaurepaire Rohan (1843) e o plano da Comissão de Melhoramentos (1876), os quais aliaram preocupações estéticas, de saúde pública e de infraestrutura urbana. Defende-se que, como parte do projeto de modernização proposto, foi construído o Asylo da Mendicidade, um instrumento não só de assistência pública, mas também de manutenção da ordem. Para isso, a edificação deveria ser representante do progresso científico, apresentando os mesmos ideais dos planos urbanísticos, na sua arquitetura neoclássica e no tipo arquitetônico escolhido, o pan-óptico.

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Biografia do Autor

Eliara Beck Souza, Universidade Federal do Rio de Janeiro
Possui graduação concluída em 2012 em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal do Paraná (FAU-UFPR) e mestrado em Arquitetura concluído em 2015 pelo Programa de Pós-Graduação em Arquitetura da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (PROARQ-FAU-UFRJ). Desde 2012 é arquiteta da Coordenação de Preservação de Imóveis Tombados do Escritório Técnico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (COPRIT-ETU-UFRJ), atuando junto a projetos e obras de restauração. Tem experiência na área de Arquitetura e Urbanismo, com ênfase em Patrimônio Cultural, História da Arquitetura e Historia Urbana.
Ana Maria Gadelha Albano Amora, Universidade Federal do Rio de Janeiro
Doutor em 2006, pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano. IPPUR da UFRJ. Professora adjunto da Faculdade e Arquitetura e Urbanismo ? FAU, desde 2008, e do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura ? PROARQ, da Universidade Federal do Rio de Janeiro ?UFRJ, onde Coordena o Doutorado Interinstitucional com a Universidade Federal da Fronteira Sul, e participa da área de concentração PATRIMÔNIO, TEORIA E CRÍTICA DA ARQUITETURA, atuando no Grupo de Pesquisa Pensamento História e Crítica, com as seguintes pesquisas: Lugares de Memória da Saúde e ?Arquitetura e Arquitetos Brasileiros ?séculos XIX e XX?. Participa como professora colaboradora do Curso de Especialização em Conservação e gestão do Patrimônio das Ciências e da Saúde, da Casa de Oswaldo Cruz -COC, da Fundação Oswaldo Cruz, FIOCRUZ , onde integra o Grupo de Pesquisa ?Saúde e Cidade?, atuando em pesquisas conjuntas sobre hospitais pavilhonares. Participa na rede "Modernidade nos hospitais pavilhonares da América Latina", coordenada pela Universidade autônoma do México - UNAM. Foi secretária do Docomomo-Rio, no período 2010/2012, e um dos responsáveis pelo WOMEWORK-2012, proposto pelo Docomomo Internacional com a temática da arquitetura hospitalar. Foi professora do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Santa Catarina UFSC, onde integrou o corpo docente do Programa de Pós-Graduação História Urbanismo e Arquitetura da Cidade e dirigiu o Laboratório de Documentação e Acervo -LDA. Coordenou em Santa Catarina o Inventário de Patrimônio Cultural da Saúde, desenvolvido nacionalmente pela Casa de Oswaldo Cruz - COC da Fiocruz, que resultou na organização do livro "História da Saúde em Santa Catarina - Instituições e do patrimônio arquitetônico" da Coleção História e Patrimônio da Saúde. Integrou a equipe técnica do Projeto Corredor Cultural da Prefeitura do Rio de Janeiro, onde participou da elaboração do Manual do Corredor Cultural.

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Publicado
2014-04-01
Como Citar
Souza, E. B., & Amora, A. M. G. A. (2014). O asylo da mendicidade e os planos urbanísticos do século XIX no Rio de Janeiro. URBANA: Revista Eletrônica Do Centro Interdisciplinar De Estudos Sobre a Cidade, 6(1), 649-672. https://doi.org/10.20396/urbana.v6i1.8635319