Ordem e demolição – os imperativos de civilidade e os cortiços da cidade de São Paulo em fins do século XIX

  • Bianca Melzi Domenicis Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
Palavras-chave: São Paulo. Cortiços. Código sanitário. Código de posturas. Civilização.

Resumo

É indubitável a coexistência de preocupações higiênicas e estéticas nas transformações urbanas da cidade de São Paulo em fins do século XIX. Nesse sentido, a atenção da municipalidade com os cortiços paulistanos fez parte de um amplo plano de saneamento que buscava um ambiente belo e saudável, ou seja, útil ao bem estar social e à imagem promissora da cidade. Os vilões da saúde e da moral paulistana eram os cortiços: lugar de aglomeração, sujeira, vício e pobreza. Apesar de indesejadas, estas habitações coletivas existiam em grande número na capital paulista, e o poder público, baseado nas Posturas Municipais e no Código Sanitário de 1894, se utilizou principalmente de visitas domiciliares e interdições aos cortiços para diminuir este mal social, higiênico e estético nos arredores do centro paulistano.

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Biografia do Autor

Bianca Melzi Domenicis, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
Mestra em História Social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2014). Possui graduação em História (Bacharelado e Licenciatura) pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2010). Experiência na área de História, atuando principalmente em História do Brasil República e História Urbana.

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Publicado
2016-01-15
Como Citar
Domenicis, B. M. (2016). Ordem e demolição – os imperativos de civilidade e os cortiços da cidade de São Paulo em fins do século XIX. URBANA: Revista Eletrônica Do Centro Interdisciplinar De Estudos Sobre a Cidade, 6(2), 297-318. https://doi.org/10.20396/urbana.v6i2.8642626