Distopia e reparação política na Ceilândia de Adirley Queirós

Palavras-chave: Adirley Queirós, Arquitetura, Cinema, Brasília, Ceilândia, Disputa territorial, Demofobia.

Resumo

O presente artigo propõe uma reflexão sobre os dois longas metragens do diretor Adirley Queirós: “ A Cidade é uma só?” (2011) e “Branco sai, preto fica” (2014). A analise em questão é norteada pela da disputa territorial: das cidades satélites e do Plano Piloto, enquanto alegoria dos limites da democracia brasileira. À medida em que esta disputa faz emergir as contradições do projeto de modernização nacional. Convoco a noção de demofobia (LYNCH, 2014) com o intuito de compreender o processo de construção da democracia brasileira, onde a nova capital é erguida como farol da utopia.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Mariana Lucas Setubal, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

Mestranda em História Social  da Pontifícia Universidade Catáloca de São Paulo. Especialista  em Ciências Sociais também pela PUCSP.  Graduada em cinema pela Fundação Armando Alvares Penteado.

Referências

ARANTES, Otília Beatriz Fiori (2012). Brasília no projeto moderno de Mário Pedrosa. In: XAVIER, Alberto e KATINSKY, Julio (org). (2012) Brasília: Antologia Crítica. São Paulo: Cosac & Naify.

BERMAN, Marshall (1982). Tudo que é sólido desmancha no ar. São Paulo: Companhia de Bolso.

BEÚ, Edson (2013). Os filhos dos Candangos. Brasília sob o olhar da periferia. Brasília: Editora UnB, 2013.

BRASIL, André (2013). Quando o antecampo se avizinha. Duas notas sobre o engajamento em A cidade é uma só? Brasília: Revista Negativo, vol. 01 n. 01, julho/setembro. Disponível em http://periodicos.unb.br/index.php/revnegativo/article/view/15167/10853

BRECHT, Bertolt (2003). Perguntas de um operário que lê. In: Poemas 1913-1956. São Paulo: Editora 34.

CEVASCO, Maria Elisa (2001). Para ler Raymond Williams. São Paulo: Paz e Terra.

CEBALLOS, Gomes Viviane (2014). Memórias, tramas e espaço: A história de Brasília construída pela fala dos moradores de Sobradinho-DF. Tese de doutorado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em História, UNICAMP.

CHOAY, Françoise (2001). Alegoria do Patrimônio. São Paulo: Editora Estação Liberdade, 2001.

__________________ (2015). O Urbanismo. São Paulo: Editora Perspectiva.

__________________ (2012). Brasília uma capital pré-fabricada. In: XAVIER, Alberto e KATINSKY, Julio (org). Brasília: Antologia Crítica. São Paulo: Cosac & Naify.

CORREA, José; GHIROTTO, Mariana (2016). Brasil: Crise do petismo e esgotamento do distributivismo extrativista, mimeo.

COSTA, Everaldo Batista; PELUSO, Marília Luiza (2013). Territórios da Memória Candanga na construção da capital do Brasil (1956-1971). In XIII Simpósio Nacional de Geografia Urbana. Ciência e Ação Política:Por uma Abordagem Crítica. Rio de Janeiro, RJ: UFRJ, Vol 01, p. 1-22.

COSTA, Lucio (2012). Ingredientes da concepção urbanística de Brasília. In: XAVIER, Alberto; KATINSKY, Julio (org). Brasília: Antologia Crítica. São Paulo: Cosac & Naify.

FELDMAN, Ilana (2012). A Disputa pela cidade, debate com Adirley Queirós. In Festival Adaptação: A literatura no cinema, 3a edição. Semana de arte moderna de 1922: 90 anos, Rio de Janeiro, RJ, 8 a 18 de novembro 2012.

Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=Z4TtJMso9CE&t=400s

HOLSTON, James (2010). A cidade modernista: uma crítica a Brasília e sua utopia. São Paulo: Companhia das Letras.

KUBITSCHEK, Juscelino (2012). De Pampulha a Brasília - os caminhos da providência. In: XAVIER, Alberto; KATINSKY, Julio (org). Brasília: Antologia Crítica. São Paulo: Cosac & Naify.

LISPECTOR, Clarice (2012). Nos primeiros começos de Brasília. In: XAVIER, Alberto e KATINSKY, Julio (org). Brasília: Antologia Crítica. São Paulo: Cosac & Naify.

LÖWY, Michael (2005). Walter Benjamin: aviso de incêndio. Uma leitura das teses ‘Sobre o conceito de história’. São Paulo: Boitempo.

LYNCH, Christian Edward Cyril (2014). Da monarquia à oligarquia. História institucional do pensamento político brasileiro (1822-1930). Rio de Janeiro: Editora Alameda.

MACIEL, Danielle; OLIVEIRA, Taiguara. Cultura, reparação e revanche em tempos de guerra: comentários sobre Branco sai, preto fica, de Adirley Queirós , no prelo.

MESQUITA, Claudia (2015). Memória contra utopia: Branco sai, preto fica (Adirley Queirós, 2014). XXVI Encontro da Compós- GT Fotografia, Cinema e Vídeo, São Paulo. Disponível em:

http://www.compos.org.br/biblioteca/compos-2015-1a0eeebb-2a95-4e2a-8c4b-c0f6999c1d34_2839.pdf

__________. Um drama documentário? – atualidade e história em A cidade é uma só? Belo Horizonte: Revista Devires, vol. 08, n.2, julho/dezembro., p.48-69,201. Disponível em: http://www.fafich.ufmg.br/devires/index.php/Devires/article/view/254

MOSER, Benjamin (2016). Autoimperialismo. Três ensaios sobre o Brasil. São Paulo: Crítica.

NIEMEYER, Oscar (2012). Minha experiência de Brasília. In: XAVIER, Alberto e KATINSKY, Julio (org) Brasília: Antologia Crítica. São Paulo: Cosac & Naify.

PEDROSA, Mario (2012). Reflexões em torno da nova capital. In: XAVIER, Alberto; KATINSKY, Julio (org.) Brasília: Antologia Crítica. São Paulo: Cosac & Naify.

QUEIRÓS, Adirley (2015). Entrevista Adirley Queirós diretor de ‘Branco sai, preto fica’ - entrevista a Fora de Quadro. Publicada em 19 de março de 2015. Disponível em:

https://foradequadro.com/2015/03/19/entrevista-adirley-queiros-diretor-de-branco-sai-preto-fica/

SABOIA, Luciana e SANDOVAL, Liz (2012). A cidade é uma só? Luta por reconhecimento na relação centro-periferia em Brasília. III Seminário Internacional Urbicentros, Salvador, BA, 22 a 24 de outubro de 2012. Disponível em:

http://www.ppgau.ufba.br/urbicentros/2012/ST163.pdf

SANCHEZ, Félix Ruiz (2017). A distonia da dominação: Como as elites colocaram poder político fora de compasso. In CHADAVERIAN, Pedro (org) 21a Century Brazil: Challenging economic orthodoxy under Lula years. Routledge, Londres.

SANTOS, Milton (2012). Brasília e o subdesenvolvimento brasileiro. In: XAVIER, Alberto; KATINSKY, Julio (orgs.) Brasília: Antologia Crítica. São Paulo: Cosac & Naify.

SCHWARCZ, Lilia Moritz; STARLING, Heloísa (2014). Brasil: Uma biografia. São Paulo: Companhia das Letras.

VIRILIO, Paul (1993). O espaço crítico e as perspectivas do Tempo Real. São Paulo: Editora 34.

WILLIAMS, Raymond (2013). A Política e as Letras. São Paulo: Editora Unesp.

Filmografia trabalhada:

A cidade é uma só? Direção: Adirley Queirós. Produção: André Carvalheira por 400 filmes e Adirley Queirós por 5 norte produções. Intérpretes: Dilmar Durões; Wellington Abreu; Nancy Araújo; Marquim Tropa e outros. Roteiro: Thiago Mendonça e Adirley Queirós. Música: Marquinhos do Tropa, Diró. Brasil: Vitrine Filmes, 2011. DVD (80min), colorido.

Branco sai, preto fica. Direção: Adirley Queirós. Produção: Simone Gonçalves e Adirley Queirós. Intérpretes: Dilmar Durões; Wellington Abreu; Marquim Tropa, DJ Jamaika, Shockito e outros. Roteiro: Adirley Queirós. Música: Marquinhos do Tropa, Diró. Brasil: Vitrine Filmes, 2014. DVD (93min), colorido.

Filmografia citada:

Alphaville, a estranha aventura de Lemmy Caution. Direção: Jean-Luc Godard. Produção: André Michelin. Intérpretes: AKim Tamiroff, Anna Karina, Eddie Constantine, Howard Vernon, Lazsló Szábó e outros. Roteiro: Jean-Luc Godard e Paul Éluard. Música: Paul Misraki. França e Itália: Athos Films; Chaumiane Films e Filmstudio, c 1965 (99 min), preto e branco.

Blade Runner. Direção: Riddley Scott. Produção: Michael Deeley. Intérpretes: Harrison Ford; Rutger Hauer, Sean Young; Edward James Olmos e outros. Roteiro: Hampton Fancher e David Peoples. Música: Vangelis. Los Angeles: Warner Brothers, c 1991. 1 DVD (117min), colorido. Produzido por Warner Video Home. Baseado na novella “Do androids dream of electric sheep?” de Philip K. Dick.

Conterrâneos velhos de guerra. Direção: Vladimir Carvalho. Produção: Vladimir Carvalho. Roteiro: Vladimir Carvalho. Interpretes: Othon Bastos, Pompeu de Souza, Oscar Niemayer e outros. Música: Zé Ramalho .Brasil: Vertovisão, c 1990 (175min), colorido.

Metrópoles. Direção: Fritz Lang. Produção: Eric Pommer. Intérpretes: Brigitte Helm, Alfred Abel, Rudolf Klein-Roge, Theodor Loos, Fritz Rasp, Gustav Fröhlich e outros. Roteiro: Thea von Harbou Música: Gottfried Huooertz. Alemanha: UFA, c1927 (148min), preto e branco.

Publicado
2019-01-10
Como Citar
Setubal, M. L. (2019). Distopia e reparação política na Ceilândia de Adirley Queirós. URBANA: Revista Eletrônica Do Centro Interdisciplinar De Estudos Sobre a Cidade, 10(3), 570-591. https://doi.org/10.20396/urbana.v10i3.8651524