Coreografias Pedestres

uma hipótese para repensar as caminhadas pela cidade de Michel de Certeau na era da performance

Autores

  • Diego Marques USP

DOI:

https://doi.org/10.20396/urbana.v12i0.8661142

Palavras-chave:

coreografia pedestre, transeunte, anestética corporal urbana, era da performance

Resumo

À luz das teorias da performance (BASTOS, 2017; HAN, 2017; HARNEY; MOTEN, 201; LEPECKI, 2011; 2016) em diálogo com teóricas feministas (BROWN, 2017; BUTLER, 2015; LUGONES, 2003), o presente artigo faz uma leitura crítica do elogio às caminhadas pelas cidades feito pelo filósofo e historiador francês Michel de Certeau. Ao nos afastarmos do referencial linguístico e nos aproximarmos da dimensão coreográfica, apresentamos a noção de coreografia pedestre a fim de repensarmos a politicidade do ato de andar a pé pelas cidades. Para tanto, realizamos uma breve análise das coreografias pedestres dos transeuntes, a fim de demonstrarmos como aquilo que temos chamado de anestética corporal urbana (MARQUES, 2017) pode ser lida como um indício da implementação de uma certa logística no chão do urbano, no que tem sido chamado de Era da performance.

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Publicado

2021-04-26

Como Citar

MARQUES, D. Coreografias Pedestres : uma hipótese para repensar as caminhadas pela cidade de Michel de Certeau na era da performance . URBANA: Revista Eletrônica do Centro Interdisciplinar de Estudos sobre a Cidade, Campinas, SP, v. 12, 2021. DOI: 10.20396/urbana.v12i0.8661142. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/urbana/article/view/8661142. Acesso em: 6 jul. 2022.