A construção metafórica de palavras-chave para a descrição de experiências interculturais: Um estudo a partir da análise da conversa multimodal

Autores

  • Ulrike Schröder Universidade Federal de Minas Gerais

DOI:

https://doi.org/10.20396/cel.v59i1.8648131

Palavras-chave:

Linguística cognitiva. Análise da conversa. Pragmática. Intercultural. Metáfora gestual. Alteridade.

Resumo

Recentemente, uma interface emergiu entre a Linguística Cognitiva e a Análise da Conversa primeiramente como resultado de dois insights básicos: por um lado, observa-se uma demanda crescente entre linguistas cognitivos para a fundamentação de seus pressupostos teóricos com dados empíricos sólidos relacionados ao uso da língua; por outro lado, analistas da conversa tornaram-se cientes do fato de que não podem continuar a realizar pesquisas sem considerar fenômenos cognitivos, especialmente ao contemplarem que a ‘máquina’ conversacional, como Sacks a chamou, de fato, não funciona por conta própria. Muito pelo contrário, são os participantes com seu conhecimento individual, social e cultural que coconstroem interativamente os padrões comunicativos que estão sendo observados. Sendo assim, a questão crucial que surge a partir da relação recíproca entre as duas áreas está interligada aos aspectos cognitivos do significado contextual coconstruido. Concomitantemente, pesquisadores no campo metafórico do gesto e da cognição defrontam-se com esta nova interface que parte de um ângulo fenômeno-antropológico, corporificado e praxeológico. Isto inclui a pressuposição de que atos gestuais são preferencialmente concebidos como resultado de cognição distribuída e de coordenação situada e não como estruturas psicológicas pré-ordenadas que determinam língua e gesto em um caminho unidirecional, como proposto pela Teoria da Metáfora Conceptual da primeira geração. Porém, ainda é difícil encontrar pesquisas voltadas para interações reais partindo de uma perspectiva corporificada e multimodal, simultaneamente mantendo o referencial metodológico da Análise da Conversa, o que implica, por exemplo, uma atenção aos meios prosódicos. A seguinte análise busca contribuir para um diálogo entre as duas disciplinas por analisar como estudantes intercambistas conceitualizam suas experiências em relação à sua cultura alvo em termos de metáforas-chave exibidas em níveis multimodais e servindo como ‘gatilhos’ para a construção de alteridade.

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Biografia do Autor

Ulrike Schröder, Universidade Federal de Minas Gerais

Possui mestrado em Ciências da Comunicação, Germanística e Psicologia pela Universidade Duisburg-Essen (1999) e doutorado (2003) e livre-docência (2012) em Ciências da Comunicação pela Universidade Duisburg-Essen, Alemanha. É Professora Associada na Universidade Federal de Minas Gerais, Faculdade de Letras. É Bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq com o projeto Comunicação Intercultural em Interação (vinculado às áreas da Linguistica Aplicada e da Linguística Teórica e Descritiva) e bolsista do Programa Pesquisador Mineiro.

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Publicado

2017-04-26

Como Citar

SCHRÖDER, U. A construção metafórica de palavras-chave para a descrição de experiências interculturais: Um estudo a partir da análise da conversa multimodal. Cadernos de Estudos Linguísticos, Campinas, SP, v. 59, n. 1, p. 111–133, 2017. DOI: 10.20396/cel.v59i1.8648131. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cel/article/view/8648131. Acesso em: 7 dez. 2021.

Edição

Seção

A questão da referência e do contexto na interface multimodal cognição-discurso-interação