Fonoaudiologia no contexto da Equoterapia com crianças autistas: uma reinterpretação a partir da Neurolinguística Discursiva

Autores

  • Paloma Rocha Navarro Universidade Estadual de Campinas

DOI:

https://doi.org/10.20396/cel.v60i2.8651355

Palavras-chave:

Fonoaudiologia. Equoterapia. Neurolinguística Discursiva.

Resumo

Partindo da teorização da Neurolinguística Discursiva (ND) – com ênfase nos estudos desenvolvidos por Vygotsky e Luria, por um lado, e os de Coudry e outros linguistas que consideram o sujeito, por outro – reinterpretamos a prática fonoaudiológica no contexto da Equoterapia. Tal reinterpretação é beneficiada pelas contribuições de Wallon, Merleau-Ponty e Desjardins, cujos estudos implicam a relação entre corpo, sistema sensorial, fala e linguagem. Para justificar tal reinterpretação, analisamos dados do acompanhamento fonoaudiológico longitudinal de sujeitos portadores de Transtorno do Espectro Autista (TEA), no contexto da Equoterapia, com o propósito de salientar os diferentes papéis que o cavalo e a fonoaudióloga desempenham na relação com a criança.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Paloma Rocha Navarro, Universidade Estadual de Campinas

Graduada em Fonoaudiologia pela Universidade Estadual de Campinas. Mestre e Doutora em Linguística (Neurolinguistica Discursiva) pela Universidade Estadual de Campinas.

Referências

ALVES, D. B. Reflexões sobre a prática da Equoterapia e o desenvolvimento de crianças com paralisia cerebral. 2014. 84f. Monografia (Departamento de Educação). Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Rio de Janeiro.

ALVES, D. B. Abordagem fonoaudiológica na equoterapia no atendimento de crianças com distúrbios de linguagem oral: estudo de casos clínicos. 2010, Dissertação (Mestrado em Fonoaudiologia) - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo.

ANDRADE, G. P. S.; CUNHA, M. M. A importância da Equoterapia como instrumento de apoio no processo de ensino aprendizagem de crianças atendidas nesta modalidade terapêutica. Revista Eventos Pedagógicos v.5, n.2, p. 132 - 142, jun./jul. 2014.

ASSOCIAÇÃO AMERICANA DE PSIQUIATRIA, 1952. Diagnostic and Statistical Manual – Mental Disorders. DSM-I. Disponível em <http://dsm.psychiatryonline.org/data/PDFS/dsm-i-pdf>. Acesso em 27/03/2018.

ASSOCIAÇÃO AMERICANA DE PSIQUIATRIA, 1987. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders. 3ª ed. rev. DSM-III-R. Disponível em <http://dsm.psychiatryonline.org/data/PDFS/dsm-iii-r.pdf>. Acesso em 27/03/2018.

ASSOCIAÇÃO AMERICANA DE PSIQUIATRIA. DSM-III: Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. São Paulo: Manole, 1980.

ASSOCIAÇÃO AMERICANA DE PSIQUIATRIA. DSM-IV: Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais.4 ed. rev. Porto Alegre: Artmed, 1994.

ASSOCIAÇÃO AMERICANA DE PSIQUIATRIA. DSM-V: Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. 5 ed. rev. Porto Alegre: Artmed, 2014.

ANDE-BRASIL. Apostila do curso básico de Equoterapia da ANDE – BRASIL, 2010.

ANDE-BRASIL. Apostila do curso básico de Equoterapia da ANDE – BRASIL, 2014.

CAMINHA, R. C. Autismo: um transtorno de natureza sensorial? Psicologia Clínica, Rio de Janeiro, v.21, n.2, 2009.

CANTARELLI, M. R. D. V. Análise eletromiográfica do músculo orbicular da boca em crianças portadoras da síndrome da respiração bucal, pré e pós-tratamento em Equoterapia. 2006. 114f. Dissertação (Mestrado em Ciências Biológicas) – Universidade do Vale do Paraíba, São José dos Campos.

COUDRY, M.I.H. Diário de Narciso. Discurso e afasia: análise discursiva de interlocuções com afásicos. Tese de doutorado. Unicamp, Campinas, 1986. Publicada em livro, São Paulo: Martins Fontes, 1988.

COUDRY, M.I.H. O que é dado em Neurolingüística? In: Maria Fausta Pereira Castro (Org.) O método e o dado no estudo da linguagem. Campinas: Editora da Unicamp, 1996.

COUDRY, M.I.H. Língua, discurso e a lógica da linguagem patológica. In: Cadernos da F. F. C./Unesp., vol. 6, nº 2. Marília: Unesp, 1997.

COUDRY, M.I.H. Linguagem e Afasia: uma abordagem discursiva da Neurolinguística. In: Cadernos de Estudos Linguísticos, v. 42, pp. 99-129, 2002.

COUDRY, M.I.H. Caminhos da Neurolinguística Discursiva: o velho e o novo. In: COUDRY, M. I. H.; FREIRE, F. M. P.; ANDRADE, M. L. F.; SILVA, M. A. (Orgs). Caminhos da Neurolinguística Discursiva: teorização e práticas com a linguagem, 1 ed. Campinas: Mercado de Letras, 2010, pp. 279-399.

COUDRY, M.I.H; SCARPA, E. M. De como a avaliação de linguagem contribui para inaugurar ou sistematizar o déficit. In: Cadernos Distúrbios da Comunicação, Série Linguagem, v. 2. São Paulo: PUC, 1985.

COUDRY, M.I.H; MORATO, E. M. Aspectos discursivos da afasia semântica. In: Cadernos de Estudos Lingüísticos, Campinas, n. 19, p. 127-146. 1990.

COUDRY, M.I.H; FREIRE, F. M. P. O trabalho do cérebro e da linguagem: a vida e a sala de aula. Campinas: Cefiel/IEL/Unicamp. (Coleção Linguagem em foco), 2005.

COUDRY, M.I.H; BORDIN, S. S. Afasia e Infância: registro do (in)esquecível. Cadernos de Estudos Linguísticos, v. 54 (1), pp.135-154, 2012.

DA COSTA, C. M. S. A importância do afeto através do toque no desenvolvimento cognitivo dos bebês. Monografia de pós-graduação Lato Sensu. Instituto Voz do Mestre. Universidade Cândido Mendes, 71 p. 2006

DAWSON, G.; WATLING, R. Interventions to facilitate auditory, visual, and motor integration in autism: A review of the evidence. Journal of Autism and Developmental Disorders, v. 30, n. 5, p. 415–421, 2000.

ESPINDULA, A. P. Efeitos da Equoterapia em praticantes autistas. 2008. 75f. Dissertação (Mestrado) – Patologia Geral, Universidade Federal do Triângulo Mineiro, 2008.

FERNANDES, F. S. O corpo no autismo. PSIC-Revista de Psicologia da Vetor Editora, Jan./Jun. v. 9, n. 1, p. 109-114, 2008.

FLEISCHMANN, A.; FLEISCHMANN, C. Carly’s Voice: Breaking Through Autism. Touchstone: Nova Iorque, 2012.

FRANCHI, C. Linguagem, atividade constitutiva. Cadernos de Estudos Lingüísticos, n.22, p. 9-41, 1977.

FREIRE, H.B.G. Equoterapia: teoria e técnica – uma experiência com crianças autista. São Paulo: Vetor, 1999.

FREIRE, H.B.G. Estudo de caso: Equoterapia com uma criança portadora de distúrbio autista atípico. 2003. Disponível em: <http://www.equoterapia.org.br/trabalhos/18091716.pdf>.

FREIRE, H.B.G. Pôneis como facilitadores na Equoterapia. Revista Equitar Therapies, 2015. Disponível em <http://www.equitar-br.com.br/poneis>

FREIRE, H. B. G.; POTSCH, R. R. O autista na Equoterapia: a descoberta do cavalo. 2005. Universidade Católica Dom Bosco, Campo Grande.

GILLBERG, C. Infantile autism: diagnosis and treatment. Acta Psychiatry Scand, 1990.

GRANDIN, T.; SCARIANO, M. M. Uma menina estranha: autobiografia de uma autista. São Paulo: Cia. das Letras, 1999.

GRANDIN, T., SCARIANO; M. M.; PANEK, R. El cérebro autista: el poder de uma mente autista. Barcelona: RBA Libros, 2014.

JESUS, E. P. O autista e os benefícios da Equoterapia. 2009. 39f. Monografia (Especialização em Educação Inclusiva), Universidade Candido Mendes, 2009.

KUPFER, M. C. Educação para o futuro. Psicanálise e Educação. São Paulo; Ed. Escuta: 2013.

LURIA, A. R. Curso de Psicologia Geral. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1991 [1979].(4 volumes).

LURIA, A. R. Fundamentos de neuropsicologia. São Paulo: Edusp, 1981.

MERLEAU-PONTY, M. Fenomenologia da percepção. São Paulo: Martins Fontes. 1994,672p. [1945]

MUKHOPADHYAY, T.R. How can I talk if my lips don’t move? inside my autistic mind. New York, NY: Arcade Publishing. 2008

NAVARRO, P.R. Fonoaudiologia no contexto da equoterapia: um estudo neurolinguístico de criança com transtorno do espectro autista, Tese de doutorado (Linguística), Instituto de Estudos da Linguagem, UNICAMP, 145p. 2016

ROSAN, L.; BRACCIALLI, L. M. P.; ARAUJO, R. C. T. Contribuição da Equoterapia para a Participação e Qualidade de Vida do Praticante com Paralisia Cerebral em Diferentes Contextos. Rev. Diálogos e Perspectivas em Educação Especial, v.3, n.1, p. 48-61, Jan.-Jun., 2016.

SCHMIDT, C. Temple Grandin e o autismo: uma análise do filme. Revista Brasileira de Educação Especial, Marília, v. 18, n. 2, p. 179-19, 2012.

SACKS, O. Um antropólogo em Marte. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

SILVA, C.H.; GRUBITS, S. Discussão sobre o efeito positivo da equoterapia em crianças cegas. Psic: Revista da Vetor Editora, São Paulo, v. 5, n. 2, p. 06-13, dez. 2004.

SOARES, T., BRAGA, S.E.M. Relação da terapia de holding com a integração sensorial no autismo infantil. Revista Científica Interdisciplinar. Out./Dez. v.1, n.2, 2014.

STARKE, A.C.; ALBIERO, J.F.G. Equoterapia no cotidiano dos praticantes: Os reflexos do Projeto de Equoterapia da Universidade Regional de Blumenau (PROEQUO – FURB). Cataventos – Revista de Extensão da Universidade de Cruz Alta, v.2, n.1. 2010

VALLE, L. M. O.; NISHIMORI, A. Y. NEMR, K. Atuação fonoaudiológica na Equoterapia. Revista CEFAC, vol 16, n. 2, p. 511-523, 2014.

VYGOTSKY, L. S. Teoria e método em psicologia. 2.ed. São Paulo: Martins Fontes, 1926/1994.

VYGOTSKY, L. S. Pensamento e linguagem. Lisboa: Antídoto, 1979 [1934].

VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1994.

VYGOTSKY, L. S. A psicologia e a pedagogia da atenção. In: Psicologia Pedagógica. São Paulo:Martins Fontes, 2004 [1926]

WALLON, H. As origens do caráter. São Paulo: Nova Alexandria, 1934/1995.

WALLON, H. Princípios da Psicologia Aplicada. São Paulo: Companhia Nacional, 1930/19.

WALLON, H. Do ato ao pensamento: ensaio de psicologia comparada. São Paulo: Vozes, 2008.

Downloads

Publicado

2018-09-03

Como Citar

NAVARRO, P. R. Fonoaudiologia no contexto da Equoterapia com crianças autistas: uma reinterpretação a partir da Neurolinguística Discursiva. Cadernos de Estudos Linguísticos, Campinas, SP, v. 60, n. 2, p. 489–506, 2018. DOI: 10.20396/cel.v60i2.8651355. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cel/article/view/8651355. Acesso em: 8 dez. 2021.

Edição

Seção

O funcionamento linguístico-cognitivo nas patologias