Contradição, discurso e resistência em análise de discurso

só há falha daquilo que causa

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20396/cel.v63i00.8661734

Palavras-chave:

Análise do discurso, Contradição, Resistência, Formação discursiva

Resumo

O trabalho discute a categoria de contradição na acepção materialista com o objetivo de remontar algumas das suas implicações para a Análise de Discurso Materialista e aos modos como a contradição organiza estruturalmente o todo complexo com dominante das formações discursivas e coloca, nele, o imperativo à resistência. Para tanto, debate que a contradição é assumida pela Análise de Discurso como princípio organizador do dispositivo teórico-analítico, principalmente no delineamento das relações entre ideologia e discurso. Frente a isso, a contradição enverga um duplo caráter: o de princípio dialético implicado aos fundamentos teóricos e o de categoria interpretativa a ser mobilizada no/pelo gesto analítico.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Santiago Bretanha, Universidade Federal de Pelotas

Doutorando em Letras pela Universidade Federal de Pelotas, RS, Brasil.

Aracy Graça Ernst, Universidades Federais de Pelotas e do Rio Grande

Professora visitante nas Universidades Federais de Pelotas e do Rio Grande (FURG), RS, Brasil.

Referências

ALTHUSSER, L. Ideologia e Aparelhos ideológicos de estado. Tradução de Joaquim José de Moura Ramos. Lisboa: Presença 1970.

ALTHUSSER, L. [1962]. Contradição e sobredeterminação: notas para uma pesquisa. In: ALTHUSSER, L. Por Marx. Tradução de Dirceu Lindoso, revisão de Paulo de Melo Jorge Filho. Rio de Janeiro: Zahar, 1979, p. 75-102.

ALTHUSSER, L. [1963]. Sobre a dialética materialista: da desigualdade das origens. In: ALTHUSSER, L. Por Marx. Tradução de Dirceu Lindoso, revisão de Paulo de Melo Jorge Filho. Rio de Janeiro: Zahar, 1979a, p. 140-193.

ALTHUSSER, L. [1968]. O objeto do capital. In: ALTHUSSER, L.; BALIBAR, E.; ESTABLET, R. [1968]. Ler o Capital. v. 2. Tradução de Nathanael C. Caixeiro. Rio de Janeiro: Zahar, 1980.

ALTHUSSER, L. [1976~1978]. Iniciação à filosofia para os não filósofos. Texto estabelecido e anotado por G. M. Goshgarian. Prefácio de Guillaume Sibertin-Blanc. Tradução de Rosemary Costhek Abilio. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2019.

ALTHUSSER, L.; BALIBAR, É. [1967]. Para leer el capital. Tradução de Martha Harnecker. 7. ed. Córdoba: Siglo XXI Editores, 1974.

BRETANHA, S.; ERNST, A. G. Imaginários de trabalho: Vargas e o discurso político endereçado aos trabalhadores brasileiros (1943). Revista Letras Raras, v. 10, n. 1, p. 97-120/Esp. 96-121, 2021.

CAZARIN, E. Identificação e representação política: uma análise do discurso de Lula (1978-1998). 2004. 270 f. Tese (Doutorado em Estudos da Linguagem) – Programa de Pós-Graduação em Letras, Instituto de Letras, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2004.

DE NARDI, F. S.; NASCIMENTO, F. A. S. A propósito das noções de resistência e tomada de posição na análise de discurso: Movimentos de resistência nos processos de identificação com o ser paraguaio. Signum: Estudos da Linguagem, v. 19, n. 2, p. 80-103, 2016.

DUNKER, C. I. L. A psicanálise como crítica da metafísica em Lacan. Analytica: Revista de Psicanálise, v. 6, n. 10, p. 1-15, 2017.

ENGELS, F. [1886]. Ludwig Feuerbach e o fim da filosofia clássica alemã. Germinal: Marxismo e Educação em Debate, v. 4, n. 2, p. 131-166, 2012.

FOUCAULT, M. [1969]. A arqueologia do saber. Tradução de Luiz Felipe Baeta Neves, revisão de Lígia Vassalo. Petrópolis: Vozes, 1971.

FOUCAULT, M. [1969]. A arqueologia do saber. Tradução de Luiz Felipe Baeta Neves, revisão de Lígia Vassalo. Petrópolis: Vozes, 2009.

GILLOT, P. Althusser e a psicanálise. Tradução de Pedro Eduardo Zini Dovoglio, Fábio Ramos Barbosa Filho e Marie-Lou Lery-Lachaume. São Paulo: Editora Ideias & Letras: 2018.

INDURSKY, F. Da heterogeneidade do discurso à heterogeneidade do texto e suas implicações no processo da leitura. In: LEFFA, V.; ERNST, A. (Orgs.). A leitura e a escrita como práticas discursivas. Pelotas: Educat, 2001. p. 27-42.

INDURSKY, F. Formação discursiva: ela ainda merece que lutemos por ela. Anais do II Seminário de Estudos em Análise do Discurso - SEAD, v. 2, p. 1-11, 2005.

INDURSKY, F. Da interpelação à falha no ritual: a trajetória teórica da noção de formação discursiva. In: BARONAS, R. L. (Org.). Análise do discurso: apontamentos para uma história da noção-conceito de formação discursiva. São Carlos: Pedro & João Editores, 2007. p. 75-87.

INDURSKY, F. [1992]. A fala dos quartéis e as outras vozes. 2. ed. Campinas: Editora da Unicamp, 2013.

LACAN, J. [1964]. O seminário livro 11. Os quatro conceitos fundamentais da psicanálise. Tradução e M. D. Magno. 2. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2008.

LECOMTE, A. [1980]. A fronteira ausente. Tradução de Tatiana Freire de Moura. In: CONEIN, B; COURTINE, J-J; GADET, F; MARANDIN, J-M; PÊCHEUX, M. Materialidades discursivas. Campinas: Editora da Unicamp, 2016.

MARX, K. [1857-1858]. Grundrisse. Manuscritos econômicos de 1857-1858. Esboços da crítica da economia política. Tradução de Mario Duayer e Nélio Schneider. São Paulo: Boitempo, 2011.

MARX, K. [1867]. O Capital [livro 1]: crítica da economia política. O processo de produção do capital. Tradução de Rubens Enderle. São Paulo: Boitempo, 2011.

MARX, K. [1885]. O Capital [livro 2]: crítica da economia política. O processo de circulação do capital. Tradução de Rubens Enderle. São Paulo: Boitempo, 2014.

MARX, K.; ENGELS, F. [1845~1846]. A ideologia alemã: crítica da mais recente filosofia alemã em seus representantes Feuerbach, B. Bauer e Stirner, e do socialismo alemão em seus diferentes profetas. Tradução de Rubens Enderle, Nélio Schneider e Cavini Mantorano. São Paulo: Boitempo, 2007.

MOTTA, L. E. O (re) começo do marxismo althusseriano. Crítica Marxista, n. 35, p. 73-89, 2012.

NAVES, M. B. Mao, o processo da revolução. São Paulo: Brasiliense, 2005.

PÊCHEUX, M. [1980]. Remontémonos de Foucault a Spinoza. In: TOLEDO, M. M. El discurso político. México: Nueva Imagen, 1980.

PÊCHEUX, M. [1982]. Delimitações, inversões, deslocamentos. Cadernos de estudos linguísticos, v. 19, p. 7-24, 1990.

PÊCHEUX, M. [1975]. Semântica e discurso: uma crítica à afirmação do óbvio. Tradução de Eni Orlandi [et al]. 5. ed. Campinas, Editora da Unicamp, 2014.

PÊCHEUX, M. [1982]. Só há causa daquilo que falha ou o inverno político francês: início de uma retificação. In: PÊCHEUX, M. Semântica e discurso: uma crítica à afirmação do óbvio. Tradução de Eni Orlandi [et al]. 5. ed. Campinas: Editora da Unicamp, 2014a.

PÊCHEUX, M. [1983]. O Discurso: estrutura ou acontecimento. Tradução de Eni Orlandi. 7. ed. São Paulo: Pontes, 2015.

PÊCHEUX, M. [1982]. Ideologia: aprisionamento ou campo paradoxal? Tradução de Carmen Zink. In: PÊCHEUX, M. Análise de Discurso. Michel Pêcheux. Textos Escolhidos por Eni Orlandi. Tradução de Eni Orlandi [et al]. 4. ed. Campinas: Pontes, 2015a. p. 107-130.

PÊCHEUX, M. FUCHS, C. [1975]. A propósito da análise automática do discurso: atualização e perspectivas. In: GADET, F.; HAK, T. (Orgs.). Por uma análise automática do discurso: uma introdução à obra de Michel Pêcheux. Tradução de Bethania Mariani [et al.]. 5. ed. Campinas: Editora da Unicamp, 2014. p. 159-249.

TSE TUNG, M. [1937]. Sobre a prática e sobre a contradição. Revisão de Geraldo Martins de Azevedo Filho. São Paulo: Expressão Popular, 2009.

ZIZEK, S. O gráfico do desejo: uma leitura política. In: ZIZEK, S. Eles não sabem o que fazem: o sublime objeto da ideologia. Rio de Janeiro: Zahar, 1992.

Downloads

Publicado

2021-08-03

Como Citar

BRETANHA, S.; ERNST, A. G. Contradição, discurso e resistência em análise de discurso: só há falha daquilo que causa. Cadernos de Estudos Linguísticos, Campinas, SP, v. 63, n. 00, p. e021020, 2021. DOI: 10.20396/cel.v63i00.8661734. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cel/article/view/8661734. Acesso em: 24 out. 2021.