A pressuposição-defeito de Paul Henry e a pressuposição argumentativa de Oswald Ducrot

um fenômeno que insiste e resiste

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20396/cel.v64i00.8664758

Palavras-chave:

Pressuposição, Discurso , Argumentação

Resumo

Este artigo apresenta uma abordagem crítica a Paul Henry, em relação à sua contestação ao conceito de pressuposição de Oswald Ducrot, o que Henry fez com base em termos como “psicossocial”, “persuasão” e “influência”, termos esses estranhos à epistemologia ducrotiana. Nossa metodologia explora um melhor tratamento teórico constituinte da noção de pressuposição argumentativa, que, ao contrário do que apresentou Henry, nunca se opera isolada, mas é sempre operável em uma démarche argumentativa composta de pressuposto (pp), posto (p) e encadeamento (). Conservando seus méritos, defendemos a hipótese de que Henry não desconstruiu porque não abordou a pressuposição argumentativa ducrotiana, mas trabalhou pontos de uma pressuposição-defeito mais limitada, que não resiste a ambiguidades e paradoxos, desconsiderando envergaduras e refinamentos da démarche argumentativa e suas cinco constitutividades, pelas quais a pressuposição ducrotiana insiste e resiste.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Julio Cesar Machado, Universidade do Estado de Minas Gerais

Doutor em Linguística pela École des Hautes Éudes en Sciences Sociales (Paris, França) e Universidade Federal de São Carlos. Professor efetivo da Universidade do Estado de Minas Gerais.

Referências

AMSILI, P. L’annulation des implicatures et des présuppositions. In : Lattice, CNRS UMR 8094, Université de Paris 7 & ENS. 2007, p. 1 – 14.

BIGLARI, A. ; BONHOMME, M. La Présupposition entre théorisation et mise en discours. Paris : Garnier, 2018.

BEHE, L. ; CAREL, M. ; DENUC, C. ; MACHADO, J. C. Cours de Sémantique Argumentative : des concepts clés. São Carlos : Pedro e João Editores, 2021. DOI: https://doi.org/10.51795/9786558693079

CAREL, M. L’entrelacement argumentative. Paris : Honoré, 2011.

CAREL, M. ; RIBARD, D. L’acte de témoigner. In : Antares. Letras e Humanidades, v. 11, 2019, n°23, 3-23. DOI: https://doi.org/10.18226/19844921.v11.n23.01

DELOOR, S. Bref aperçu historique des travaux sur la présupposition. In COLIN, A. : Langage, No 186, V. 2, 2012, p. 3 – 20. DOI: https://doi.org/10.3917/lang.186.0003

DUCROT, O. Dire et ne pas dire. Principes de sémantique linguistique. Paris : Hermann, 1972.

DUCROT, O. Dizer e não dizer: princípios de semântica linguística. São Paulo: Cultrix, [1972], 1977.

DUCROT, O. Les echelles argumentatives. Paris : Les Editions de Minuit, 1980.

DUCROT, O. O dizer e o dito. Campinas: Pontes, [1984], 1987.

DUCROT, O.; SCHAEFFER, J. M. Nouveau dictionnaire encyclopédique des sciences du langage. Paris : Éditions du Seuil, 1995.

DUCROT, O. Argumentação retórica e argumentação linguística. In: Letras De Hoje, No. 44, V. 1, 2009.

FREGE, G. Sobre o sentido e a referência. In: ______. Lógica e filosofia da linguagem. Seleção, introdução, tradução e notas de Paulo Alcoforado. São Paulo: Cultrix: Ed. USP, 1978. p.59-86.

GRICE, P. Logic and conversation. In Peter Cole et Jerry Morgan Editeurs, Syntax and Semantics 3: Speech Acts. New York: Academic Press, 1975, p. 41 – 58. DOI: https://doi.org/10.1163/9789004368811_003

HENRY, P. A ferramenta imperfeita: língua, sujeito e discurso. Campinas: Unicamp, [1977], 2013.

HORN, L. R. A natural History of negation. Chicago: Leland Stanford Junior University, 2001.

KARTTUNEN, L. Presuppositions of Compound Sentences. In: Linguistic Inquiry, Vol. 4, No. 2. Stanford University: The MIT Press, 1973, pp. 169-193.

LEBLER. C. D. C. O estudo da suposição no quadro da teoria dos blocos semânticos. Porto Alegre: 181 f. Tese (Doutorado) Programa de Pós-Graduação, Faculdade de Letras, PUCRS, 2013.

LEBLER, C. D. C. Pressupostos e subentendidos segundo a Teoria da Argumentação na Língua, 2016. In: Gragoatá, No 40. Disponível em <https://doi.org/10.22409/gragoata.v21i40.33385> Acesso em 11 fev. 2021. DOI: https://doi.org/10.22409/gragoata.v21i40.33385

MACHADO, J. C. O paradoxo a partir da teoria dos blocos semânticos: língua, dicionário e história. São Carlos: UFSCar. 373 f. Tese (Doutorado) Universidade Federal de São Carlos, UFSCar, 2015.

MACHADO, J. C. A teoria dos Blocos Semânticos em revisão. In: Revista de Estudos da linguagem. 2017, vol. 25 No 24. Disponível em: http://www.periodicos.letras.ufmg.br/index.php/relin/article/view/10477. Acesso em: 11 fev. 2021. DOI: https://doi.org/10.17851/2237-2083.25.4.1935-1964

MACHADO, J. C. 50 anos da pressuposição na semântica argumentativa: análises do fenômeno pressuposicional de 1968 a 2018. Cadernos de Estudos Lingüísticos, Campinas, SP, v. 61, p. 1–21, 2019. DOI: 10.20396/cel.v61i1.8652865. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cel/article/view/8652865. Acesso em: 11 fev. 2021. DOI: https://doi.org/10.20396/cel.v61i1.8652865

MACHADO, J. C. Palavra dita é flecha lançada: ato jurídico e linguagem em Oswald Ducrot. Revista Eletrônica De Estudos Integrados Em Discurso E Argumentação, 2021. Disponível em: https://doi.org/10.47369/eidea-21-1-3059. Acesso em: 1 maio 2021. DOI: https://doi.org/10.47369/eidea-21-1-3059

MALDIDIER, D. A inquietação do discurso: (re)ler Michel Pêcheux hoje. Campinas: Pontes, 2003.

MORAES, E. Teorias semânticas e a implicitação na língua(gem). Alfa, São Paulo, v.53, n.1, p.261-282, 2009.

PAIVA, V. S. F. Psicologia na saúde: sociopsicológica ou psicossocial? Inovações do campo no contexto da resposta brasileira à AIDS. Temas psicológicos. Ribeirão Preto, v. 21, n. 3, p. 531-549, dez. 2013. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-389X2013000300002&lng=pt&nrm=iso. Acesso em: 13 set. 2021 DOI: https://doi.org/10.9788/TP2013.3-EE00-PT

SAÚDE, IG. Apaga, me dá gatilho!”: o que é gatilho de fato e como um meme pode fazer mal. Disponível em: https://saude.ig.com.br/2020-01-08/apaga-me-da-gatilho-o-que-e-gatilho-de-fato-e-como-um-meme-pode-fazer-mal.html. Acesso em: 13 fev. 2021.

SOARES, V. F. C. Pressuposição: diferentes abordagens teóricas e suas consequências para o ensino de graduação em letras. Vitória: Universidade Federal do Espírito Santo. 112f. Dissertação de Mestrado, 2012.

Downloads

Publicado

2022-08-16

Como Citar

MACHADO, J. C. A pressuposição-defeito de Paul Henry e a pressuposição argumentativa de Oswald Ducrot: um fenômeno que insiste e resiste. Cadernos de Estudos Linguísticos, Campinas, SP, v. 64, n. 00, p. e022033, 2022. DOI: 10.20396/cel.v64i00.8664758. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cel/article/view/8664758. Acesso em: 2 out. 2022.

Edição

Seção

Artigos - Seção Geral