Marcas de oralidade e temporalidade linguística

estudo sobre as formas clíticas em traduções de Don Quijote para o português

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20396/cel.v64i00.8665735

Palavras-chave:

Clíticos, Problemas de tradução, Conflito de normas

Resumo

A posição sintática das formas clíticas em línguas latinas é objeto amplamente descrito nos estudos linguísticos (BERTA, 2003; CYRINO, 1993; NIEUWENHUIJSEN, 2006, PETROLINI JR., 2014), haja vista as expressivas mudanças por que passa esse sistema ao longo dos séculos, bem como os contrastes que apresenta quando em tela normas inter e intralinguísticas. Situado em um núcleo de pesquisa que coaduna interesses da Linguística e dos Estudos da Tradução – estudos em corpus do espanhol escrito com marcas de oralidade (CEEMO) –, este debate analisa as estratégias tradutórias vislumbradas no conjunto de três versões da obra Don Quijote de la Mancha em português, objetivando debater sobre o conflito de normas nesse também concreto uso da linguagem. Entram em discussão a temporalidade linguística, debatido como um problema sociolinguístico a ser considerado na tradução (HURTADO ALBIR, 2001), e o campo teórico das marcas de oralidade nos textos escritos (KOCH; OESTERREICHER, 2007; MARCUSCHI, 2001). À luz desses debates e recortando o fenômeno da posição das formas clíticas, o estudo aponta estratégias tradutórias distintas, no que diz respeito à preservação ou distanciamento da estilística cervantina.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Leandra Cristina de Oliveira, Universidade Federal de Santa Catarina

Doutora em Lingüística pela Universidade Federal de Santa Catarina. Professora Associada do Departamento de Língua e Literatura Estrangeiras (DLLE) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Beatrice Távora, Universidade Federal de Santa Catarina

Doutoranda em Estudos da Tradução da Universidade Federal de Santa Catarina. Pesquisadora do núcleo de Estudios en corpus del español escrito con marcas de oralidad (CEEMO/UFSC).

Referências

ALONSO-CORTÉS, ÁNGEL. Lingüística. Madrid: Ediciones Cátedra, 2008.

BAGNO, Marcos. Gramática pedagógica do português brasileiro. São Paulo: Parábola, 2011.

BERMAN, Antoine. A tradução e a letra ou o albergue do longínquo. Tradução Marie-Hélène Catherine Torres, Mauri Furlan, Andreia Guerini. Florianópolis: PGET/UFSC, 2013.

BERMAN, Antoine. Pour un critique des traductions: John Donne. Paris Galimardd, 1995.

BERTA, Tibor. Clíticos e infinitivo: contribución a la historia de la promoción de clíticos en español y en portugués. Cidade: Szeged, 2003.

BRITTO, Paulo H. A tradução literária. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2012.

CALVINO, Italo. Por que ler os clássicos. Tradução Nilson Moulin. São Paulo: Companhia das letras, 2007.

CARVALHO, Orlene L. S.; BAGNO, Marcos. Gramática brasileña para hablantes de español. São Paulo: Parábola, 2015.

CERVANTES SAAVEDRA, Miguel de. Don Quijote de la Mancha. Real Academia Española. São Paulo: Prol Gráfica, 2004.

CERVANTES SAAVEDRA, Miguel de. O engenhoso fidalgo D. Quixote de La Mancha. Tradução de Sérgio Molina. Edição bilingue. Primeiro Livro. São Paulo: Editora 34, 2002.

CERVANTES SAAVEDRA, Miguel de. Dom Quixote de la Mancha. Tradução de Ernani Ssó. Volume 1. São Paulo: PenguinClassics Companhia das Letras, 2012.

CERVANTES SAAVEDRA, Miguel de. Dom Quixote de la Mancha. Tradução Visconde de Castilho e de Azevedo. São Paulo: Abril Cultural, 1981.

COBELO, Silvia. Os tradutores do Quixote publicados no Brasil. Tradução em Revista, n.08, p. 1-36, 2010/1. DOI: 10.17771/PUCRio.TradRev.16557. DOI: https://doi.org/10.17771/PUCRio.TradRev.16557

COSTA, Walter C. As batalhas póstumas de Quixote: nova tradução do clássico de Cervantes alia formas arcaizantes e expressões populares brasileiras. Bravo!, maio/2003. Disponível em: http://www.pget.ufsc.br/publicacoes/professores.php?título-As+batalhas+p%F3stumas+de+Quixote.

CYRINO, Sônia L. M. Observações sobre a mudança diacrônica no português do Brasil: objeto nulo e clíticos. In: ROBERTS, I.; KATO, M. A (Orgs.). Português brasileiro. Uma viagem diacrônica. Campinas: Editora da Unicamp, 1993, p. 163-184.

ECO, Umberto. Decir casi lo mismo. Experiencias de traducción. Traducción de Helena Lozano Miralles. Barcelona: Lumen, 2008.

FARACO, Carlos A. História Sociopolítica da Língua Portuguesa. 1. ed. São Paulo: Parábola Editorial, 2016.

FARACO, Carlos A. Norma culta brasileira: Desatando alguns nós. São Paulo: Parábola, 2008.

GONZÁLEZ, Neide T. M. Portugués brasileño y español: lenguas inversamente asimétricas. SIGNOS ELE, nº 1-2, p. 1-7, 2008. Disponível em: http://p3.usal.edu.ar/index.php/ele/article/view/1394.

GONZÁLEZ, Neide T. M. Cadê o pronome? - O gato comeu. Os pronomes pessoais na aquisição/aprendizagem do espanhol por brasileiros adultos.Tese de Doutorado. DL/FFLCH-USP, 1994.

HURTADO ALBIR, Amparo. Traducción y traductología: introducción a la traductología. Madrid: Cátedra, 2001.

KOCH, Peter; OESTERREICHER, Wulf. Lengua hablada en la Romania: español, francês, italiano. Tradução de Araceli López Serena. Madrid: Gredos, 2007.

MARCUSCHI, Luiz. A. Da fala para a escrita: atividades de retextualização. São Paulo: Cortez, 2001.

MOLINA, Sérgio. Entrevista. In:VILLA, Dirceu; BENEDETTI, Ivone; HIRSCH, Irene. Cadernos de Literatura em Tradução. São Paulo, Humanitas / FFLCH-USP, n.5, p. 157-177, 2003. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/clt/article/view/49378/53456.

MOLINA, Sérgio. Posfácio do tradutor. In: CERVANTES SAAVEDRA, Miguel de. O engenhoso fidalgo D. Quixote de La Mancha. Tradução de Sérgio Molina. São Paulo: Editora 34, 2002, p. 743-746.

NIEUWENHUIJSEN, Dorien. Cambios en la colocación de los pronombres átonos. In: COMPANY Concepción C. (Dir.). Sintaxis histórica de la lengua española. Primera parte: la frase verbal. Vol. 2, 2006, p. 1339-1404.

NEVES, Maria H. M. A gramática passada a limpo: conceitos, análises e parâmetros. São Paulo: Parábola, 2012.

OLIVEIRA, Leandra C. de; TAVORA, Beatrice; SOBOTTKA, Mary A. W. S. La negociación en la oralidad fingida: un estudio sobre las formas de tratamiento en la representación artística del Siglo de Oro. Gragoatá, Niterói, v.25, n. Comemorativo, p. 268-290, julho 2020. DOI: https://doi.org/10.22409/gragoata.v25iEsp.34203. DOI: https://doi.org/10.22409/gragoata.v25iEsp.34203

OLIVEIRA, Leandra C. de; PARRINI, Carolina; SALVIO, Agata L.; ALBUQUERQUE, Camila R.; PICHETTI, Geanne Z. C.; MÜLLER, Raymi. O continuum entre oralidade e escrita: recortes de pesquisas sobre fenômenos da língua espanhola. In: OLIVEIRA, L. C. de; SANTURBANO, A. P. F.; SANTOS, B. C. M. dos; FERREIRA, C. P.; SOARES, N. G. Língua, Literatura, Tradução: pluralidades. Curitiba: CRV, 2019, p. 121-133.

O’SHEA. José R. Traduzindo Shakespeare para o português - Entrevista. Disponível em: https://www.apufsc.org.br/2019/12/13/professor-de-literatura-fala-sobre-traduzir-shakespeare-em-novo-maestria/.

PEREIRA, Livya O.; OLIVEIRA, Leandra C. As formas de tratamento nominais e pronominais em Lope (2010): temporalidade linguística e verossimilhança. Letra Magna, ano 14, n. 23, p. 451-472, 2018. http://www.letramagna.com/artigos_23/artigo26_23.pdf.

PERINI, Mario A. Gramática descritiva do português. São Paulo: Ática, 2004.

PETROLINI JR., Carlos D. Colocação dos pronomes clíticos. In: FANJUL, A. P.; GONZÁLEZ, N. M. Espanhol e português brasileiro: estudos comparados. São Paulo: Parábola, 2014, p. 51-71.

RIBEIRO, João. A língua nacional e outros estudos linguísticos. Petrópolis: Vozes, 1979 [1933].

RÓNAI. Paulo. A tradução vivida. Rio de Janeiro: José Olympio, 2012.

SEIBANE, Sara G. Dificultades morfosintácticas de lusohablantes en el aprendizaje de español: explicaciones desde la historia de la lengua. Letra viva, v.10, nº1, p. 85-108, 2010. https://www.academia.edu/2162789/Dificultades_morfosint%C3%A1cticas_de_lusohablantes_en_el_aprendizaje_de_espa%C3%B1ol_explicaciones_desde_la_historia_de_la_lengua

SSÓ, Ernani. Reflexões de um escudeiro de Cervantes. In: CERVANTES SAAVEDRA, Miguel de. Dom Quixote de la Mancha. Tradução de Ernani Ssó. São Paulo: PenguinClassics Companhia das Letras, 2012, p.11-23.

VIEIRA, Maria A. da C. Apresentação de D. Quixote. In: CERVANTES SAAVEDRA, Miguel de. O engenhoso fidalgo D. Quixote de La Mancha. Tradução de Sérgio Molina. São Paulo: Editora 34, 2002, p. 09-24.

Downloads

Publicado

2022-04-26

Como Citar

OLIVEIRA, L. C. de; TÁVORA, B. Marcas de oralidade e temporalidade linguística: estudo sobre as formas clíticas em traduções de Don Quijote para o português. Cadernos de Estudos Linguísticos, Campinas, SP, v. 64, n. 00, p. e022012, 2022. DOI: 10.20396/cel.v64i00.8665735. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cel/article/view/8665735. Acesso em: 6 dez. 2022.

Edição

Seção

Artigos - Seção Geral