A reformulação em uma perspectiva interacionista para o estudo das relações de discurso

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20396/cel.v64i00.8668768

Palavras-chave:

Interação, Relações de discurso, Reformulação

Resumo

Neste trabalho, buscamos compreender, a partir da perspectiva interacionista da Equipe Interaction & Formation, o papel das relações de discurso, mas, em particular, da reformulação, no domínio da formação profissional inicial. Para isso, apresentamos inicialmente uma abordagem para o estudo das relações de discurso que seja compatível com a proposta interacionista da equipe, bem como a maneira como a reformulação pode ser compreendida no âmbito dessa abordagem. Em seguida, apresentamos considerações sobre o corpus analisado neste estudo, que se constitui de duas sequências de interações ocorridas em 2005, no cantão de Genebra, Suíça, nas quais a mesma expressão conectiva reformulativa do francês (“en fait”) é empregada pelos aprendizes que participam de cada sequência. Por fim, procedemos à análise comparativa das sequências, para mostrar como um mesmo recurso linguístico, a relação de reformulação sinalizada pela expressão conectiva “en fait”, auxilia os participantes da interação a construir contextos distintos, mais ou menos favoráveis à formação profissional.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Gustavo Ximenes Cunha, Universidade Federal de Minas Gerais

Doutor em Linguística pela Universidade Federal de Minas Gerais. Professor da Faculdade de Letras e do Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos da Universidade de Minas Gerais.

Referências

BERRENDONNER, A. Connecteurs pragmatiques et anaphore. Cahiers de linguistique française, v. 5, p. 215-246, 1983.

BROWN, P; LEVINSON, S. Politeness: some universals in language use. Cambridge: Cambridge University Press, 1983

CUNHA, G. X. Relações de discurso e completude monológica: o impacto da restrição ritual sobre o estabelecimento das relações interativas. Forma y Función, v. 34, p. 1-24, 2021. DOI: https://doi.org/10.15446/fyf.v34n1.84576

CUNHA, G. X. Elementos para uma abordagem interacionista das relações de discurso. Revista Linguística, v. 36, p. 107-129, 2020a. DOI: https://doi.org/10.5935/2079-312X.20200017

CUNHA, G. X. Uma abordagem interacionista para o estudo do papel das relações de discurso na construção conjunta de imagens identitárias. Filologia e Linguística Portuguesa, v. 22, p. 151-170, 2020b. DOI: https://doi.org/10.11606/issn.2176-9419.v22i2p151-170

CUNHA, G. X. Estratégias de impolidez como propriedades definidoras de interações polêmicas. DELTA, v. 35, n. 2, p. 1-28, 2019. DOI: https://doi.org/10.1590/1678-460x2019350208

CUNHA, G. X. Análise do funcionamento atípico do conector quando como marca de reformulação. Revista Virtual de Estudos da Linguagem, v. 9, p. 55-67, 2011.

DUCROT, O. Argumentation rhétorique et argumentation linguistique. In: DOURY, M.; MOIRAND, S. L’argumentation aujourd’hui. Positions théoriques en confrontation. Paris: Presses de la Sorbonne Nouvelle, 2005. p. 17-34.

DUCROT, O.; BOURCIER, D.; BRUXELLES, S.; DILLER, A. M.; FOUQUIER, É.; GOUAZE, J.; SIRDAR-ISKANDAR, C. Les mots du discours. Paris: Minuit, 1980.

FÁVERO, L. L.; ANDRADE, M. L. C. V. O.; AQUINO, Z. G. O. Estratégias de construção do texto falado: a correção. In: KATO, M. (Org.). Gramática do Português Falado: convergências. Campinas: Editora da Unicamp, 2002a. p. 359-369.

FÁVERO, L. L.; ANDRADE, M. L. C. V. O.; AQUINO, Z. G. O. A correção do texto falado: tipos, funções e marcas. In: NEVES, M. H. M. (Org.). Gramática do Português Falado: novos estudos. Campinas: Editora da Unicamp, 2002b. p. 105-142.

FÁVERO, L. L.; ANDRADE, M. L. C. V. O.; AQUINO, Z. G. O. Correção. In: JUBRAN, C. C. A. S.; KOCH, I. G. V. (Orgs.). Gramática do português culto falado no Brasil: construção do texto falado. Campinas: Editora da Unicamp, 2006. p. 255-274.

FILLIETTAZ, L. Les discours de consignes en formation professionnelle initiale : une approche linguistique et interactionnelle. Education et Didactique, v. 3, n. 1, p. 91-120, 2009. DOI: https://doi.org/10.4000/educationdidactique.445

FILLIETTAZ, L. L’interaction langagière: un object et une méthode d’analyse en formation des adultes. In: FRIEDRICH, J. ; CASTRO, J.C.P. (éds.). Recherches en formation des adultes : un dialogue entre concepts et réalité. Dijon : Éditions Raison et Passions, 2014. p. 127-162.

FILLIETTAZ, L. Les ressources interactionnelles de la structuration des activités en contexte éducatif. Bulletin suisse de linguistique appliquée, v. 101, p. 11-26, 2015.

FILLIETTAZ, L. Interactions verbales et recherche em éducation: príncipes, méthodes et outils d’analyse. Genebra : Université de Genève, Section des sciences de l’éducation, 2018.

FILLIETTAZ, L. La compétence interactionnelle: un instrument de développement pour penser la formation des adultes. Education permanente, v. 220/221, p. 185-194, 2019a. DOI: https://doi.org/10.3917/edpe.220.0185

FILLIETTAZ, L. Le travail du langage en contexte professionnel: enjeux et perspectives pour l'enseignement des langues et la formation. In : ROSSETTE, F. ; PUJOL BERCHÉ, M. (éds.). Langues et pratiques du discours en situation professionnelle. Paris: Lambert Lucas, 2019b. p. 17-41.

FILLIETTAZ, L. Le travail de straucturation des activités éducatives. In : FILLIETTAZ, L.; ZOGMAL, M. (éds.). Mobiliser et développer des compétences interactionnelles en situation de travail éducatif. Toulouse : Octarès Éditions, 2020. p. 63-80.

FILLIETTAZ, L.; LAMBERT P. La formation professionnelle, un point aveugle de la linguistique sociale ? Langage et société, v. 168, p. 15-47, 2019. DOI: https://doi.org/10.3917/ls.168.0015

FILLIETTAZ, L.; ZOGMAL, M. (éds.). Mobiliser et développer des compétences interactionnelles en situation de travail éducatif. Toulouse : Octarès Éditions, 2020.

FILLIETTAZ, L. ; DE SAINT-GEORGES, I. ; DUC, B. Vos mains sont intelligentes ! Interactions en formation professionnelle initiale. Genebra : Université de Genève, Faculté de psychologie et des sciences de l'éducation, 2008.

FILLIETTAZ, L. ; DE SAINT-GEORGES, I. ; DUC, B. Reformuation, resémiotisation et trajectoires d'apprentissage en formation professionnelle initiale: l'enseignement du giclage du mortier en maçonnerie. In: RABATEL, A. (éd.). Reformulations pluri-sémiotiques en contexte de formation. Besançon: Presses universitaires de Franche-Comté, 2010. p. 283-305.

FILLIETTAZ, L. ; BIMONTE, A. ; KOLEÏ, G. ; NGUYEN, A. ; ROUX-MERMOUD, A. ; ROYER, S. ; TRÉBERT, D. ; TRESS, C. ; ZOGMAL, M. Interactions verbales et formation des adultes. Savoirs, v. 56, n. 2, p. 11-51, 2021. DOI: https://doi.org/10.3917/savo.056.0011

GARFINKEL, H. Estudos de etnometodologia. Petrópolis: Vozes, 2018[1967].

GOFFMAN, E. Interaction Ritual. Essays on face-to-face behavior. New York: Pantheon Books, 1967.

GOFFMAN, E. La mise em scène de la vie quotidienne. Les relations em public. Paris: Les Éditions de Minuit; 1973.

GOFFMAN, E. Footing. In: GOFFMAN, E. Forms of talk. Philadelphia: University of Pennsylvania Press, 1981. p. 124-159.

GÜLICH. E; KOTSCHI, T. Les marqueurs de la reformulation paraphrastique. Cahiers de linguistique française, v. 5, p. 305-346, 1983.

GUMPERZ, J. J. Discourse strategies. Cambridge: Cambridge University Press, 1982. DOI: https://doi.org/10.1017/CBO9780511611834

HERITAGE, J. Epistemics in action: action formation and territories ok knowledge. Research on language and social interaction, v. 45, n. 1, p. 1-29, 2012. DOI: https://doi.org/10.1080/08351813.2012.646684

HILGERT, J. G. Esboço de uma fundamentação teórica para o estudo das atividades de formulação textual. In: CASTILHO, A. T. (Org.). Gramática do Português Falado: abordagens. Campinas: Editora da Unicamp, 2002[1990]. p. 99-118.

HILGERT, J. G. As paráfrases na construção do texto falado: o caso das paráfrases em relação paradigmática com suas matrizes. In: KOCH, I. G. V. (Org.). Gramática do Português Falado: desenvolvimentos. Campinas: Editora da Unicamp, 2002. p. 143-158.

HILGERT, J. G. Parafraseamento. In: JUBRAN, C. C. A. S.; KOCH, I. G. V. (Orgs.). Gramática do português culto falado no Brasil: construção do texto falado. Campinas: Editora da Unicamp, 2006. p. 275-300.

KERBRAT-ORECCHIONI, C. Les interactions verbales. Paris: Armand Colin, 1990.

KERBRAT-ORECCHIONI, C. Les actes de langage dans le discours. Théorie et fonctionnement. Paris: Nathan, 2001.

LOSA, S.; FILLIETTAZ, L. Negotiating Social Legitimacy in and across Contexts: Apprenticeship in a 'Dual' Training System. In: ANGOURI, J.; MARRA, M.; HOLMES, J. (eds.). Negotiating Boundaries at Work: Talking and Transitions. Edinburgh: Edinburgh University Press, 2017. p. 109-129. DOI: https://doi.org/10.1515/9781474403146-008

LUSCHER, J. M. Les marques de connexion: des guides pour l’interprétation. In : MOESCHLER, J. et al. (éds.). Langage et pertinence: référence temporelle, anaphore, connecteurs et métaphore. Nancy: Presses Universitaires de Nancy, 1994. p. 175-228.

MARCUSCHI, L. A. A repetição na língua falada como estratégia de formulação textual. In: KOCH, I. G. V. (Org.). Gramática do Português Falado: desenvolvimentos. Campinas: Editora da Unicamp, 2002. p. 105-142.

MOESCHLER, J.; SPENGLER, N. La concession ou la réfutation interdite, approches argumentative et conversationnelle. Cahiers de linguistique française, v. 4, p. 7-36, 1982.

NEVES, M. H. M. As construções concessivas. In: NEVES, M. H. M. (Org.). Gramática do Português Falado: novos estudos. Campinas: Editora da Unicamp, 1999. p. 545-594.

PEKAREK DOEHLER, S. Compétence et langage en action. Bulletin suisse de linguistique appliquée, v. 84, p. 09-45, 2006.

ROSSARI, C. Les opérations de reformulation: analyse du processus et des marques dans une perspectiva contrastive français-italien. Berne: Peter Lang, 1993.

ROSSARI, C. Connecteurs et relations de discours: des liens entre cognition et signification. Nancy: Presses Universitaires de Nancy, 2001.

ROULET, E. Complétude interactive et connecteurs reformulatifs. Cahiers de linguistique française, v. 8, p. 111-140, 1987.

ROULET, E. ; AUCHLIN, A. ; MOESCHLER, J. ; RUBATTEL, C. ; SCHELLING, M. L'articulation du discours en français contemporain. Berne: Peter Lang; 1985.

ROULET, E. ; FILLIETTAZ, L. ; GROBET A. Un modèle et un instrument d'analyse de l'organisation du discours. Berne: Peter Lang, 2001.

SCHEGLOFF, E. A. Sequence organization in interaction: a primer in Conversation Analysis I. Cambridge: Cambridge University Press; 2007. DOI: https://doi.org/10.1017/CBO9780511791208

SCHEGLOFF, E. A. ; JEFFERSON, G. ; SACKS, H. The preference for self-correction in the organization of repair in conversation. Language, v. 53, n. 2, p. 361–382, 1977. DOI: https://doi.org/10.1353/lan.1977.0041

SCHELLING, M. Propriétés pragmatiques des connecteurs réévaluatifs. In: ROULET, E. et al. (éds.). L'articulation du discours en français contemporain. Berne: Lang, 1991. p. 89-115.

STEVANOVIC, M. Social deontics: A nano-level approach to human power play. Journal for the Theory of Social Behaviour, v. 48, n. 3, p. 369-389, 2018. DOI: https://doi.org/10.1111/jtsb.12175

VINCENT, D. ; HEISLER, T. L’anticipation d’objections: prolepse, concession et réfutation dans la langue spontanée. Revue québécoise de linguistique, v. 27, n. 1, p. 15-31, 1999. DOI: https://doi.org/10.7202/603164ar

Downloads

Publicado

2022-07-15

Como Citar

CUNHA, G. X. A reformulação em uma perspectiva interacionista para o estudo das relações de discurso. Cadernos de Estudos Linguísticos, Campinas, SP, v. 64, n. 00, p. e022026, 2022. DOI: 10.20396/cel.v64i00.8668768. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cel/article/view/8668768. Acesso em: 18 ago. 2022.

Edição

Seção

Artigos - Seção Geral

Dados de financiamento