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Relações interdiscursivas na materialidade da Cypher
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Palavras-chave

Cypher
Discurso estético
Interdiscurso
Sujeito periférico

Como Citar

KOGAWA, João; NASCIMENTO, Kevyn Rodrigues do. Relações interdiscursivas na materialidade da Cypher: uma análise do discurso estético. Cadernos de Estudos Linguísticos, Campinas, SP, v. 66, n. 00, p. e024004, 2024. DOI: 10.20396/cel.v66i00.8673475. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cel/article/view/8673475. Acesso em: 22 jul. 2024.

Dados de financiamento

Resumo

Desde os anos 1980, no Brasil, assistimos a um crescimento exponencial na popularidade do rap e, com ele, a uma ruptura, no discurso estético, entre um sujeito periférico objetificado e passivo e um outro, colérico e reivindicador, próprio da periferia das grandes cidades. Tal crescimento produziu algumas subespecificações desse gênero musical, dentre as quais destacamos, neste artigo, a cypher, subgênero do rap em que um grupo de rimadores canta completando as rimas uns dos outros em sequência. Entendemos por sujeito periférico, na cypher, a posição significada pelo habitante da periferia das grandes cidades, hoje marcada por formas de expressão próprias que se singularizam em relação à literatura brasileira clássica. Essa diferença não se dá apenas em relação a obras mais longínquas como Dom Casmurro (1899), Os sertões (1902) ou Vidas secas (1938), mas também em publicações mais recentes como Quarto de despejo (1960), de Carolina Maria de Jesus. Em certa medida, a cypher materializa uma “retórica da periferia” em que o sujeito, parafraseando Courtine (2015), diz sua cólera. Nesse sentido, este artigo propõe uma análise do discurso estético na materialidade da cypher Favela Vive. Ao todo, quatro canções constituem nosso corpus. Mobilizamos o conceito de interdiscurso para pensar como o sujeito periférico é constituído a partir da relação intrincada entre os discursos bélico, político-econômico, religioso e pedagógico.

https://doi.org/10.20396/cel.v66i00.8673475
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