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(In)competência linguística e o ensino de pontuação: uma revisão de aspectos das teorias gerativa e funcionalista para o desenvolvimento metassintático
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Palavras-chave

Pontuação
Sintaxe
Competência

Metrica

Como Citar

LESSA, Adriana Tavares Mauricio; HERMONT, Arabie Bezri; BARROS, Ev’Ângela Batista Rodrigues de. (In)competência linguística e o ensino de pontuação: uma revisão de aspectos das teorias gerativa e funcionalista para o desenvolvimento metassintático. Cadernos de Estudos Linguísticos, Campinas, SP, v. 66, n. 00, p. e024025, 2025. DOI: 10.20396/cel.v66i00.8676993. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cel/article/view/8676993. Acesso em: 9 maio. 2026.

Resumo

Este artigo aborda os desafios do ensino da escrita na educação básica, destacando a dissociação entre ensino de gramática e a prática de produção textual. A falta de integração entre essas áreas se manifesta também nos cursos de licenciatura de Letras, já que há um enfoque maior sobre as teorias linguísticas e seus pontos de divergência, com pouca atenção sobre possíveis conciliações teóricas que possam ser transpostas didaticamente para o ensino de gramática. Assim, neste artigo, discutimos a concepção de competência sob a perspectiva da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e da Teoria Gerativa, em uma breve revisão comparativa desta com os fundamentos da Teoria Funcionalista. Especificamente, discutimos a tomada de consciência metassintática da estrutura sentencial na produção escrita e na oralidade. Apontamos que a ideia gerativista de competência linguística, tida como inerente a qualquer falante de uma língua no que tange à gramática, também assumido no funcionalismo como basilar para a leitura do contexto comunicativo e seleção de estratégias linguísticas, é substituída por um reposicionamento do estudante como gramaticalmente "incompetente" na BNCC, que desconsidera práticas linguísticas pregressas desses sujeitos. Por fim, exploramos conhecimentos mobilizados pelos aprendizes para o reconhecimento das fronteiras sintáticas da estrutura sentencial prototípica e marcada, os quais impactam o uso da pontuação. Com base na Teoria Gerativa, complementada por contribuições da Teoria Funcionalista, exploramos noções como topicalização, ênfase/foco e desgarramento para apontar possíveis caminhos para o ensino da escrita que considere a competência linguística e metassintática dos aprendizes.

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