O SENAI e a educação profissionalizante no Brasil

Autores

  • Meire Terezinha Müller Faculdade de Americana – FAM

DOI:

https://doi.org/10.20396/rho.v10i40.8639814

Palavras-chave:

SENAI. Educação profissionalizante. Educação e Trabalho

Resumo

O presente artigo discorre sobre a criação do SENAI no Brasil em 1942, após muitas outras iniciativas públicas e privadas de formação profissional voltadas a crianças e jovens. A questão da profissionalização no país é um tema bastante caro aos governantes, que remonta à chegada da Família Real em 1808. A abertura de cursos de formação de ofícios foi uma das primeiras ações do Príncipe Regente em terras brasileiras, o que comprova que a formação profissional - desde sua gênese destinada às massas - sempre serviu para prover ou manter o conforto das elites que puderam optar pela educação intelectual, dualismo que permeia nosso sistema educacional ainda hoje. O panorama econômico, político e social que levou à criação do SENAI em 1942 mostra que, atrelada à necessidade de se reproduzir operários para o parque industrial brasileiro cada vez maior a partir de 1930, a formação profissionalizante carrega em seu bojo toda uma estrutura hierarquizada, constituindo-se a fábrica num microcosmo social, no qual se reproduzem as condições de dominação e subordinação, de repressão, obediência, resistência e luta de classes.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Meire Terezinha Müller, Faculdade de Americana – FAM

Graduada em Letras pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (1979) Pedagogia pela Faculdade de Ciências e Letras Plínio Augusto do Amaral (1984), Especialista em psicologia infantil pela USP (2000), Mestre em Educação pela Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (2004) e Doutora em Educação pela FE da UNICAMP (2009). Foi Diretora e Secretária de Educação do município de Paulínia (1993-2000) e Secretária da Criança e do Adolescente, do mesmo município (2010-2012).

Referências

ARISTÓTELES. Política. Disponível on line em: http://www.planonacionaldeleitura.gov.pt/clubedeleituras/upload/e_livros/clle000021.pdf Acesso em 20/06/2009.

BARBOSA, R. Obras completas de Rui Barbosa. Reforma do ensino primário e várias instituições complementares da instrução pública v.10 Rio de Janeiro: Ministério da Educação e Saúde, 1946.

BRANDÃO, Marisa. Da Arte do Ofício à Ciência da Indústria: a conformação do capitalismo industrial no Brasil vista através da Educação Profissional. In Boletim Técnico do SENAC (online) no 25, 2003. Acesso em 24/07/2006.

BRASIL – MEC Educação Profissional : Referenciais curriculares nacionais da educação profissional de nível técnico. Brasília, 2000.

BRASIL. Constituição dos Estados Unidos do Brasil de 10 de novembro de 1937. Disponível: http://www.planalto.gov.br/ccivil/Constituicao/Constitui%C3%A7ao37.htm Acesso em 24/10/2006.

BRASIL. Decreto no 7.566 - Crea nas capitaes dos Estados da Escolas de Aprendizes Artífices, para o ensino profissional primario e gratuito. 23/11/1909. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/setec/arquivos/pdf3/decreto_7566_1909.pdf Acesso em 12/07/2006.

BRASIL. Decreto no 9.070, Dá novo regulamento ás escolas de aprendizes artífices. 25/10/1911. Disponível em http://www.camara.gov.br/sileg/integras/301564.pdf Acesso em 20/07/2006.

BRASIL. Decreto no 19.560 Aprova o regulamento que organiza a Secretaria de Estado do Ministério da Educação e Saúde Pública. 05/01/1931. Disponível em http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/d19560.pdf Acesso em 24/07/2006.

BRYAN, Newton A.P. Educação e processo de trabalho: Contribuição ao estudo da formação da força de trabalho no Brasil. Dissertação de mestrado. UNICAMP: 1983.

CASTANHO, Sérgio. Educação e trabalho no Brasil colônia. Mimeo. Trabalho apresentado na sessão “Colóquios de História da Educação” do Grupo HISTEDBR – Unicamp, 2006.

CIAVATTA, M. O trabalho como princípio educativo. In: Seminário Nacional de Formação – MST, realizado na Escola Nacional Florestan Fernandes, 2005.

CONCEIÇÃO, Marcelo R. A Educação nas ações e proposições do Instituto de Organização Racional do Trabalho (1932-1946). Dissertação de mestrado apresentada ao Programa de Estudos Pós-Graduados em Educação: História, Política e Sociedade, da PUC-SP São Paulo, 2005.

CUNHA, Luiz Antonio. O ensino industrial manufatureiro no Brasil. In: Revista Brasileira de Educação, São Paulo, no 14, mai/jun/ago, 2000.

CUNHA, Luiz Antonio. O ensino de ofícios artesanais e manufatureiros no Brasil escravocrata 2a ed. São Paulo: Editora UNESP; Brasília, DF : FLACSO, 2005a.

CUNHA, Luiz Antonio. O ensino de ofícios nos primórdios da industrialização. 2a ed. São Paulo: Editora UNESP; Brasília, DF : FLACSO, 2005b.

FONSECA, Celso Suckow. História do ensino industrial no Brasil. 5 vols., 2a ed., Rio de Janeiro, SENAI/DPEA, 1986, vol. 1, p. 205.

GORENDER, Jacob. A burguesia brasileira. São Paulo: Brasiliense, 1981

GRAMSCI, Antonio. Cadernos do Cárcere. Vol. 2. Trad. Carlos Nelson Coutinho. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2000.

IGNÁCIO, Paulo C. S. Da Educação Tecnológica à Formação Profissional: A Reforma do Ensino Técnico em questão. Niterói: UFF- Universidade Federal Fluminense. Dissertação de Mestrado, 2000.

ISAÚ, M. Educação Salesiana no Brasil sudeste de 1880 a 1922: dimensões e atuação em diversos contextos. Campinas: Unicamp, 2006. Disponível on line em: http://www.histedbr.fae.unicamp.br/navegando/artigos_frames/artigo_061.html

ISAÚ, M. O ensino profissional nos estabelecimentos de ensino dos salesianos. PUC/RJ, 1976.

KUENZER, Acácia Z. Pedagogia da fábrica: as relações de produção e a Educação do trabalhador. 3a ed. São Paulo : Autores Associados , 1989.

LAURINDO, Arnaldo. 50 anos do ensino profissional no estado de São Paulo (1911-1961). 1o volume São Paulo: Editora Gráfica Irmãos Andrioli S/A, 1962.

LÜDERITZ, J. Relatório. Apresentado a Miguel Calmon Du Pin e Almeida, Ministro da Agricultura, Indústria e Comércio. Rio de Janeiro: Oficinas Gráficas da Lito - Tipografia Fluminense, 1925.

MANGE, Roberto. Lições de Psicotécnica. São Paulo: IDORT, 1934.

MARTINS, Mônica S.N. Entre a cruz e o capital: mestres, aprendizes e corporações de ofícios no rio de janeiro (1808-1824) tese de doutorado. Rio de Janeiro: UFRJ, 2007.

MARX, K., O Capital: Crítica da Economia Política. Livro Primeiro vol. 1 – O processo de produção do Capital. Coleção Os Economistas – São Paulo: Abril Cultural, 1983.

MARX, K. e ENGELS, F. A ideologia alemã. Disponível on line em: http://www.pstu.org.br/biblioteca/marx_ideologia.pdf 2007. Acesso em 14/09/2007.

MORAES, Carmen S.V. A socialização da força de trabalho: Instrução popular e qualificação profissional no estado de São Paulo - 1873/1934 - tese de doutorado, USP, 1990.

OLIVEIRA, M.A.M. A Reforma do ensino profissional: desmantelamento da educação tecnológica ministrada pelo CEFET - PUCMG (s.d).

QUELUZ, Gilson. Concepções de ensino técnico na República Velha (1909-1930). Curitiba: Cefet-Paraná, 2000.

RAGO, Luzia e MOREIRA, E.F. P O Que é Taylorismo, 1a Ed. Coleção Primeiros Passos, São Paulo: Brasiliense, 1984.

SALESIANOS. A pedagogia de Dom Bosco através de seus escritos, São Paulo: Ed. Salesiana, 1987.

SAVIANI, Dermeval. As concepções pedagógicas na história da educação brasileira. Texto elaborado no âmbito do projeto de pesquisa O espaço acadêmico da Pedagogia no Brasil HISTEDBR : 2005.

SAVIANI, Dermeval. A nova lei da educação: LDB trajetória, limites e perspectivas. Campinas, SP : editora Autores Associados, 1999.

SAVIANI, Dermeval. O Choque Teórico da Politecnia. Apresentado no seminário Trabalho, Educação e Saúde. Campinas: Unicamp, 2003. Disponível em http://www.diaadia.pr.gov.br/det/arquivos/File/SEMANAPEDAGOGICA/21_O-choque-teorico-da-politecnia-Saviani.pdf Acesso em 20/11/2008.

SENAI, Projeto Memória. De homens e máquinas: Roberto Mange e a formação profissional. Volume 1. São Paulo: SENAI, 1991a.

SENAI, De homens e máquinas: Acervo Roberto Mange. Inventário Analítico. São Paulo: SENAI, Projeto Memória 1991b.

SENAI, O Giz e a Graxa : meio século de educação para o trabalho. São Paulo : SENAI, Projeto Memória. 1992.

SENAI, Ação Estratégica número 1 - Reestruturação dos Modelos de formação profissional no SENAI. Assessoria de Planejamento. Departamento Nacional – Rio de Janeiro, ago. 1994.

SENAI, 65 anos de um sistema educacional conseqüente. São Paulo: SENAI, 2007.

WEINSTEIN, Bárbara. The Model Worker of the Paulista Industrialists: The Campanha Operário-Padrão 1964-1985. Revista Radical History Review, no 61, 1995.

SENAI, (Re) formação da classe trabalhadora no Brasil (1920-1964).São Paulo: Cortez. Universidade São Francisco, 2000.

Downloads

Como Citar

MÜLLER, M. T. O SENAI e a educação profissionalizante no Brasil. Revista HISTEDBR On-line, Campinas, SP, v. 10, n. 40, p. 189–211, 2012. DOI: 10.20396/rho.v10i40.8639814. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/histedbr/article/view/8639814. Acesso em: 26 nov. 2022.

Edição

Seção

Artigos