Contra o abysmo da ignorância: o baptismo da instrução! Liberdade de ensino e obrigatoriedade no século XIX e início do XX

  • Aline de Morais Limeira Universidade do Estado do Rio de Janeiro Núcleo de Ensino e Pesquisa em História da Educação (NEPHE-UERJ) Fundação Biblioteca Nacional
  • Cíntia Borges de Almeida Núcleo de Ensino e Pesquisa em História da Educação (NEPHE-UERJ)
Palavras-chave: História da Educação. Instrução. Subvenção. Liberdade de Ensino. Obrigatoriedade

Resumo

No século XIX a instituição escolar foi forjada e legitimada pelo poder público e pela sociedade como o espaço privilegiado, o mais adequado, para se promover as luzes da instrução. Diversos tipos de escolas e práticas educativas surgiram a partir de iniciativas de particulares e pelas ações do Estado Imperial em todo país – ou mesmo pela associação de forças entre as esferas pública e privada, como nos deram a ver os processos de subvenção. Neste sentido, consideramos ser imprescindível para o campo da História da Educação compreender melhor a organização daquelas experiências para esquadrinhar os problemas da educação no nosso próprio tempo. Contribuindo com a tarefa, este estudo apresentou e refletiu acerca de alguns aspectos relacionados ao tema, a partir da análise de ordenamentos legais: liberdade de ensino, obrigatoriedade e fiscalização. Princípios que estiveram presentes nos termos da lei e nos posicionamentos de intelectuais e dirigentes do poder público como tema de inúmeros debates. A realização do investimento foi possível a partir de uma operação metodológica que se baseia na leitura e apreciação de fontes primárias datadas dos séculos XIX e XX: ofícios, relatório, legislações, jornais e propagandas.

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Biografia do Autor

Aline de Morais Limeira, Universidade do Estado do Rio de Janeiro Núcleo de Ensino e Pesquisa em História da Educação (NEPHE-UERJ) Fundação Biblioteca Nacional
Doutoranda em EDucação pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Pesquisadora Bolsista da Fundação Biblioteca Nacional. Pesquisadora do Núcleo de Ensino e Pesquisa em História da Educação (NEPHE-UERJ). Possui mais de 10 publicações em revistas e periódicos da área de História e História da Educação. Realizou avaliação de artigo científico para Revista Roteiro (UNOESC) e para Revista História da Educação (ASPHE).
Cíntia Borges de Almeida, Núcleo de Ensino e Pesquisa em História da Educação (NEPHE-UERJ)
Mestre em História da Educação pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Foi consultora em Educação pelo Ministério da Educação e Cultura (2011-2012). Pesquisadora do Núcleo de Ensino e Pesquisa em História da Educação (NEPHE-UERJ)

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Publicado
2013-11-18
Como Citar
Limeira, A. de M., & Almeida, C. B. de. (2013). Contra o abysmo da ignorância: o baptismo da instrução! Liberdade de ensino e obrigatoriedade no século XIX e início do XX. Revista HISTEDBR On-Line, 13(52), 90-106. https://doi.org/10.20396/rho.v13i52.8640231
Seção
Artigos