A escola contemporânea e sua identidade (ou sobre o óbvio esquecido)

Autores

  • Géssica Priscila Ramos Universidade Federal de São Carlos

DOI:

https://doi.org/10.20396/rho.v13i49.8640337

Palavras-chave:

Identidade da escola. Capitalismo. Materialismo histórico-dialético

Resumo

Este artigo tem como objetivo central compreender a identidade da escola moderna, trazendo subsídios para se refletir sobre sua expressão contemporânea. Tendo por base o materialismo histórico-dialético, tal estudo se processará com base nos procedimentos elencados por Kosik, quais sejam: destruição de sua pseudoconcreticidade; conhecimento de seu caráter histórico; conhecimento de seu conteúdo e significado, sua função objetiva e o lugar histórico que ocupa no corpo social. Observou-se que a escola moderna tem em sua identidade uma contradição: a de representar, ao mesmo tempo, o local de enclausuramento do saber pela burguesia, bem como a chave da libertação intelectual dos trabalhadores, tendo como foco desse conflito a briga pela posse do saber/conhecimento. Portanto, reconfigurá-la em um ou mais de seus elementos constituintes ou em todos eles não seria suficiente para redefinir sua identidade na contemporaneidade. Essa redefinição só se daria pela dissolução da contradição que a sustenta, o que representaria, em si, a dissolução das próprias contradições historicamente postas pelo capitalismo.

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Biografia do Autor

Géssica Priscila Ramos, Universidade Federal de São Carlos

Possui doutorado em Educação pela Universidade Federal de São Carlos e mestrado em Educação Escolar pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. Atualmente é professora adjunta do Departamento de Educação da Universidade Federal de São Carlos. Tem experiência na área de Educação, com ênfase em Educação Brasileira, atuando principalmente nos seguintes temas: política e gestão educacional, valorização docente, identidade da escola e do professor.

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Publicado

2013-07-16

Como Citar

RAMOS, G. P. A escola contemporânea e sua identidade (ou sobre o óbvio esquecido). Revista HISTEDBR On-line, Campinas, SP, v. 13, n. 49, p. 350–362, 2013. DOI: 10.20396/rho.v13i49.8640337. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/histedbr/article/view/8640337. Acesso em: 19 abr. 2021.

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