História da escola no Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra

Autores

  • Sandra Luciana Dalmagro Universidade Federal de Santa Catarina

DOI:

https://doi.org/10.20396/rho.v17i2.8645847

Palavras-chave:

Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. Escola. História. Reforma Agrária

Resumo

O texto discute a experiência com educação escolar gerada no interior do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra - MST, efetuando uma análise do percurso da escola neste Movimento Social e uma divisão de sua história em períodos. Para essa periodização tomamos por base a revisão documental, a qual foi analisada em relação ao contexto mais amplo em que se movia o MST, apoiando-se ainda em dados de observações em escolas, encontros de formação e entrevistas. Para caracterizar como a questão escolar se constitui no MST o artigo propõe cinco períodos: “constituição da questão escolar”, visível entre 1979 e 1991; “consolidação da proposta de escola” entre 1992 e 1995; “da escola à educação no MST” é um movimento que ocorre entre 1996 e os anos 2000; “massificação e ‘crise’ da escola” no período 2001 - 2006 e, por fim, entre 2007 a 2016 identificamos uma “retomada das elaborações sobre escola: radicalização na concepção, recuo nas lutas”. O artigo conclui que o MST gesta, em meio a grandes limites e contradições, uma rica experiência de escola na perspectiva da classe trabalhadora, voltada à transformação social, o que inclui a transformação da própria escola. Indica ainda a existência de uma íntima articulação entre o conjunto das lutas deste Movimento e os papéis e objetivos atribuídos à escola, visíveis nos períodos assinalados.

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Biografia do Autor

Sandra Luciana Dalmagro, Universidade Federal de Santa Catarina

Professora do Centro de Ciências da Educação da Universidade Federal de Santa Catarina. Desenvolve estudos na interface entre Escola, Trabalho, Movimentos Sociais e Educação do Campo

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Publicado

2017-12-13

Como Citar

DALMAGRO, S. L. História da escola no Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. Revista HISTEDBR On-line, Campinas, SP, v. 17, n. 3, p. 782–810, 2017. DOI: 10.20396/rho.v17i2.8645847. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/histedbr/article/view/8645847. Acesso em: 5 dez. 2021.

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