A construção da memória: o trabalho como a “melhor escola” para a criança

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20396/rho.v17i4.8645861

Palavras-chave:

Memória. Educação. Trabalho infantil.

Resumo

A memória é uma construção social sujeita a frequentes manipulações de ordem ideológica e política. O presente trabalho teve como objetivo apresentar algumas reflexões sobre o campo da memória, enquanto fenômeno social, para em seguida estender tais reflexões à instituição de memórias oficiais que justificaram a prática do trabalho infantil. Políticas públicas para a criança e para o adolescente pautaram-se em ensiná-los a ser úteis a si e à nação através do trabalho, deixando claro que houve a construção de uma memória oficial do “trabalho como a melhor escola”. Mesmo com o avanço legislativo ao longo dos anos, buscando resguardar o direito das crianças e dos adolescentes à educação, a existência do trabalho infantil ainda é uma realidade. É preciso solidificar a memória de que lugar de criança é na escola.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Glenda Felix Oliveira, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia

Mestranda em Memória, Linguagem e Sociedade pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), pós graduada em Direito Público pelo Centro Universitário Newton Paiva. Professora do curso de Direito da Faculdade de Tecnologia e Ciências desde 2006, ministrando as disciplinas Direito de Família, Direito das Sucessões e Alternativas de Soluções de Conflitos. Advogada, membro da diretoria da OAB/BA, subsção de Vitória da Conquista, eleita para o triênio 2016/2018, membro da Comissão de Conciliação, Mediação e Arbitragem da OAB/BA, subseção de Vitória da Conquista para o triênio 2016/2018.

João Diogenes Ferreira dos Santos, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia

Doutor em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Professor titular da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB). Professor do programa de pós-graduação em Memória, Linguagem e Sociedade. Pesquisador do Museu Pedagógico.

Referências

ARAÚJO, M. P. N.; SANTOS, M. S. dos. História, memória e esquecimento: implicações políticas. Revista Crítica de Ciências Sociais, n. 79, p. 95-11, dez. 2007. Disponível em: < http://www.ces.uc.pt/publicacoes/rccs/artigos/79/RCCS79-095-111-MPNascimento-MSepulveda.pdf >. Acesso em: 30 mar. 2016.

ARIÈS, P. História social da criança e da família. 2. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2006.

BRASIL. Código de Menores, de 10 de outubro de 1979. Disponível em: < https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/1970-1979/L6697.htm >. Acesso em: 20 maio 2016.

BRASIL. Código de Menores, de 12 de outubro de 1927. Disponível em: < http://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/1920-1929/decreto-17943-a-12-outubro-1927-501820-publicacaooriginal-1-pe.html >. Acesso em: 20 maio 2016.

BRASIL. Código Penal, de 7 de dezembro de 1940. São Paulo: Saraiva, 2017.

BRASIL. Código Penal dos Estados Unidos do Brazil, de 11 de outubro de 1890. Disponível em: < http://legis.senado.gov.br/legislacao/ListaPublicacoes.action?id=66049 >. Acesso em: 15 maio 2016.

BRASIL. Consolidação das Leis do Trabalho, de 01 de maio 1943. São Paulo: Saraiva, 2017.

BRASIL. Constituição (1937). Constituição dos Estados Unidos do Brasil, de 10 de novembro de 1937. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao37.htm >. Acesso em: 30 jun. 2016.

BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil, de 05 de outubro de 1988. São Paulo: Saraiva, 2017.

BRASIL. Estatuto da Criança e do Adolescente. Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990. São Paulo: Saraiva, 2017.

BRASIL. Lei nº 10.097, de 19 de dezembro de 2000. São Paulo: Saraiva, 2017.

CHALHOUB, S. Trabalho, lar e botequim: o cotidiano dos trabalhadores no Rio de Janeiro da belle époque. Campinas, SP: Ed. da UNICAMP, 2001.

CHAMBOULEYRON, R. Jesuítas e as crianças no Brasil quinhentista. In: PRIORE, M. Del. História das crianças no Brasil. 2. ed. São Paulo: Contexto, 2013. p. 55-83.

ENGELS, F. A situação da classe trabalhadora na Inglaterra. Porto: Afrontamento, 1975. Disponível em: < http://marxismo21.org/wp-content/uploads/2014/02/Trabalhadores-Friedrich-Engels.-A-situa%C3%A7%C3%A3o-da-Classe-Oper%C3%A1ria-em-Inglaterra.pdf >. Acesso em: 05 abr. 2016.

FALEIROS, V. de P. Infância e processo político no Brasil. In: RIZZINI, I.; PILOTTI, F. (Org.). A arte de governar crianças. Perdizes: Cortez, 2014. p. 33-96.

FLORENTINO, M.; GÓES, J. R. Crianças escravas, crianças dos escravos. In: PRIORE, M. D. História das crianças no Brasil. 2. ed. São Paulo: Contexto, 2013. p. 177-191.

HALBWACHS, M. A memória coletiva. São Paulo: Centauro, 2006.

HALBWACHS, M. Los marcos sociales de la memoria. Caracas: Ed. da UCV, 2004.

LAJOLO, M. Infância de papel e tinta. In: FREITAS, M. C. de (Org.). História Social da Infância no Brasil. São Paulo: Cortez, 2003. p. 229-250.

LEITE, M. L. M. A infância no século XIX segundo memórias e livros de viagem. In: FREITAS, M. C. de (Org.). História social da Infância no Brasil. 7. ed. São Paulo: Cortez, 2003. p. 19-52.

LYRA, D. A república dos meninos: juventude, tráfico e virtude. Rio de Janeiro: Mauad X; Ed. da FAPERJ, 2013.

MAGALHÃES, L. D. R.; ALMEIDA, J. R. M. Relações simbióticas entre memória, ideologia, história e educação. In: História, memória e educação. Campinas: Alínea, 2011. p. 99-109.

MANACORDA, M. A. Marx e a pedagogia moderna. Campinas: Alínea, 2007.

MARCÍLIO, M. L. História social da criança abandonada. São Paulo: HUCITEC, 2006.

MARX, K. Crítica do programa de Gotha. São Paulo: Boitempo, 2012.

MARX, K. Instruções para os Delegados do Conselho Geral Provisório. As Diferentes Questões. 1866. Disponível em: < https://www.marxists.org/portugues/marx/1866/08/instrucoes.htm >. Acesso em: 07 abr. 2016.

MARX, K. O Capital. Crítica da economia política. O processo de produção do capital. São Paulo: Nova Cultura, 2004. Livro Primeiro. Tomo 1. v. I.

MOURA, E. B. B. de. Crianças operárias na recém-industrializada São Paulo. In: PRIORE, M. D. (Org.). História das crianças no Brasil. 2. ed. São Paulo: Contexto, 2013. p. 259-288.

NOGUEIRA, M. A. Educação, saber: produção em Marx e Engels. São Paulo: Cortez; Autores Associados, 1990.

NORA, P. Entre a memória e a história: a problemática dos lugares. Projeto História, n. 10, p. 7-28, dez. 1993.

PERALTA, E. Abordagens teóricas ao estudo da memória social: resenha crítica. Arquivos da Memória: antropologia, escala e memória. Lisboa: Centro de Estudos de Etnologia Portuguesa, n. 2, p. 4-23, 2007.

POLLAK, M. Memória, esquecimento, silêncio. Estudos Históricos, Rio de Janeiro, v. 02, n. 3, p. 3-15, 1989.

PRIORE, M. D. O cotidiano da criança livre no Brasil entre a Colônia e o Império. In: PRIORE, M. D. (Org.). História das crianças no Brasil. São Paulo: Contexto, 2013. p. 84-106.

RAMOS, F. P. A história trágico-marítima das crianças nas embarcações portuguesas do século XVI. In: PRIORE, M. D. (Org.). História das crianças no Brasil. São Paulo: Contexto, 2013. p. 19-54.

RICOEUR, P. A memória, a história, o esquecimento. Campinas: Ed. da UNICAMP, 2007.

RIZZINI, I. Pequenos trabalhadores do Brasil. In: PRIORE, M. D. (Org.). História das crianças no Brasil. São Paulo: Contexto, 2013. p. 376-406.

RIZZINI, I.; PILOTTI, F. (Org.). A arte de governar crianças. Perdizes: Cortez, 2014.

SANTOS, J. D. F. dos. As diferentes concepções da infância e da adolescência na trajetória histórica do Brasil. Revista HISTEDBR On-line, Campinas, n. 28, p. 224-238, dez. 2007.

SANTOS, M. A. C. dos. Criança e criminalidade no início do Século XX. In: PRIORE, M. D. (Org.). História das crianças no Brasil. 2. ed. São Paulo: Contexto, 2013. p. 210-230.

SCARANO, J. Criança esquecida das Minas Gerais. In: PRIORE, M. D. (Org.). História das crianças no Brasil. 2. ed. São Paulo: Contexto, 2013. p. 107-136.

SILVA, M. M. Da cultura do emprego ao empreendedorismo. In: ALVES, A. E. S.; LIMA, G. O. P.; CAVALCANTI JÚNIOR, M. N. (Org.). Interfaces entre história, trabalho e educação. Campinas: Alínea, 2009. p. 139-156.

TORRES, M. A. Trabalho infantil: trabalho e direitos. Maceió: Ed. da EDUFAL, 2011.

VILANI, J. A. dos S. O que é trabalho Infantil. São Paulo: Brasiliense, 2010.

Downloads

Publicado

2017-12-21

Como Citar

OLIVEIRA, G. F.; SANTOS, J. D. F. dos. A construção da memória: o trabalho como a “melhor escola” para a criança. Revista HISTEDBR On-line, Campinas, SP, v. 17, n. 4, p. 1242–1265, 2017. DOI: 10.20396/rho.v17i4.8645861. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/histedbr/article/view/8645861. Acesso em: 15 out. 2021.

Edição

Seção

Artigos