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Educação de surdos: um estudo das teses e dissertações de 1990 a 2013
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Palavras-chave

Educação de surdos. Vigotski. Psicologia histórico-cultural.

Como Citar

CAVALCANTE, Eleny Brandão. Educação de surdos: um estudo das teses e dissertações de 1990 a 2013. Revista HISTEDBR On-line, Campinas, SP, v. 16, n. 69, p. 356–356, 2017. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/histedbr/article/view/8647785. Acesso em: 29 maio. 2024.

Resumo

A presente pesquisa teve como objetivo geral analisar as concepções de educação de surdos das teses e dissertações publicadas nos programas de pós-graduação em educação e educação especial, das Instituições de Ensino Superior do Brasil, no período de 1990 a 2013. Como objetivos específicos, pretendeu: i) destacar os referenciais teórico-metodológicos que norteiam as pesquisas; ii) identificar as teses e dissertações que sustentam-se em aportes marxista (especificamente Vygostsky e/ou a teoria histórico-cultural); iii) analisar a concepção de educação de surdos; concepção de Vigotski e/ou teoria histórico-cultural e as proposições das teses e dissertações para a educação de surdos. O referencial teórico-metodológico foi sustentado no materialismo histórico-dialético, fundamentado em uma pesquisa bibliográfica, cujo levantamento inicial foi de 274 teses e dissertações, sobre educação de surdos, levantado no banco de dados dos programas de Pós-Graduação em Educação das IES brasileiras. Os dados empíricos selecionados foram 31 teses e dissertações, que foram delimitados conforme os seguintes critérios: i) indicarem como referencial teórico diretamente Marx; ii) indicarem fundamentar-se em Vygotsky; iii) indicar ancorar suas discussões na teoria histórico-cultural. Como resultado, percebi que os trabalhos analisados sustentam a educação de surdos, principalmente, no bilinguismo e no chamado “Estudos Surdos”, centrando a justificativa na questão linguística e na diferença cultural. Analisei que as pesquisas, por influência de Skliar (1998, 1999) relacionam, equivocadamente, a teoria sócio-antropológica, com a psicologia histórico-cultural de Vigotski (1983), marcando uma contradição teórica, que tem sido perpetuada pelas pesquisas. As teses e dissertações realizam uma apropriação indevida dos fundamentos da teoria histórico-cultural criada por Vigotski, não o indicando, na grande maioria dos trabalhos, como materialista histórico dialético, nem tampouco, como sustentado no marxismo. As principais proposições dos trabalhos para a educação de surdos levam em conta: 1) Consolidação da educação bilíngue, por meio da aprendizagem da língua de sinais e a língua portuguesa; 2) Centralidade do debate no papel do professor como principal responsável pelo (in) sucesso dos surdos; 3) destaque para o respeito às diferenças; 4) defesa de uma escola só para surdos; 5) defesa de que mudanças atitudinais na prática pedagógica serviriam como meio de alcançar o êxito na educação do surdo, e 6) defesa de língua como apropriação cultural para a humanização dos surdos. As apropriações indevidas de Vigotski (1983) têm servido para a “fetichização da surdez” atendendo aos preceitos das teorias do “aprender a aprender”, conforme afirma Duarte (2006), fundamentadas no ideário neoliberal. Distanciando-se, dessa forma, de uma concepção marxista de educação de surdos e da busca pelo enfrentamento direto, dos problemas materiais concretos, que assolam a sociedade capitalista de classes.

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