A educação vai ao mercado financeiro

somos educação em debate

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20396/rho.v21i00.8660130

Palavras-chave:

Educação, Privatização, Financeirização, Capital fictício, Somos Educação

Resumo

O objetivo deste artigo é discutir três tendências que caracterizam a lógica contemporânea da privatização da educação: centralidade do capital fictício, movimentos de concentração e centralização de capitais e disputas pelos fundos públicos. O referencial teórico adotado é o materialismo histórico e dialético. Buscamos interseccionar a produção acadêmica que tem discutido as diversas formas de privatização do setor educacional, em seus distintos contextos, e a bibliografia marxista que estuda o capitalismo contemporâneo e suas crises recentes. Para a análise, apresentamos um estudo sobre a atuação da Somos Educação no período de 2010 a 2018, demonstrando que essa companhia constitui um caso emblemático para flagrar a lógica recente da privatização e a expansão da financeirização para a educação básica. Trata-se de uma pesquisa documental cujas informações foram coletadas em documentos divulgados pela companhia e seus controladores – Grupo Abril, Tarpon e Kroton/Cogna –, pela BM&FBovespa e pela mídia de abrangência nacional e internacional. Verificamos que a financeirização das atividades de grupos como a Somos potencializa seus ganhos, amplia sua presença na educação pública e o controle que opera sobre as escolas.

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Biografia do Autor

Luciana Sardenha Galzerano, Universidade de São Paulo

Mestrado em Educação pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Doutoranda em Educação pela Universidade de São Paulo (USP).

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Publicado

2021-08-02

Como Citar

GALZERANO, L. S. . A educação vai ao mercado financeiro: somos educação em debate. Revista HISTEDBR On-line, Campinas, SP, v. 21, n. 00, p. e021041, 2021. DOI: 10.20396/rho.v21i00.8660130. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/histedbr/article/view/8660130. Acesso em: 25 out. 2021.