“Porque nenhum deus têm certo”

manifestações religiosas ameríndias e memória coletiva na américa portuguesa (século XVI)

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20396/rho.v22i00.8660438

Palavras-chave:

Indígenas, Memória coletiva, Companhia de Jesus, Brasil colônia

Resumo

A fim de melhor estabelecer uma relação entre a memória coletiva e as manifestações religiosas dos povos indígenas da América Portuguesa no século XVI, esta pesquisa teve como objetivo analisar, a partir dos relatos das cartas jesuíticas, as concepções de religião entendidas pelos missionários europeus e as manifestações religiosas dos grupos indígenas, em especial, dos povos Tupinambá, fortemente subsidiadas pela memória coletiva grupal. Por tratar-se de uma pesquisa histórico-documental, foram analisados alguns dos documentos coloniais do mencionado período, a exemplo das cartas jesuíticas da Monumenta Brasiliae (1538-1563), organizadas por Serafim Leite, e da coleção das cartas jesuíticas organizadas pela editora da Universidade de São Paulo (1988), além de escritos coloniais dos cronistas contemporâneos: Jean de Léry (2007), Hans Staden (2008), Fernão Cardim (1980), dentre outros. No que concerne aos estudos sobre memória, usou-se os conceitos de memória coletiva apresentados por Jacques Le Goff (2012) e Leroi-Gourhan (2002). Como método de abordagem, foram utilizadas as categorias dialéticas, uma vez que, ao analisar o contexto colonial da América Portuguesa no período em questão, é imprescindível considerar as relações das partes com a totalidade. Os estudos apontaram que, embora tentassem negar a presença de uma religião entre os indígenas, a organização social do grupo mantinha uma forte relação com elementos místicos, e a memória coletiva era o fio condutor que mantinha viva a busca pelo “bom lugar”. 

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Biografia do Autor

Camila Nunes Duarte Silveira, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Baiano

Doutorado em Memória: Linguagem e Sociedade da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Professora do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Baiano.

Maria Cleidiana Oliveira de Almeida, Instituto Federal da Bahia

Doutorado em Memória: Linguagem e Sociedade da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Professora do Instituto Federal da Bahia. 

Ana Palmira Bittencourt Santos Casimiro, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia

Doutorado em Educação pela Universidade Federal da Bahia. Professora da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia.

 

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Publicado

2022-11-30

Como Citar

SILVEIRA, C. N. D.; ALMEIDA, M. C. O. de; CASIMIRO, A. P. B. S. “Porque nenhum deus têm certo”: manifestações religiosas ameríndias e memória coletiva na américa portuguesa (século XVI). Revista HISTEDBR On-line, Campinas, SP, v. 22, n. 00, p. e022042, 2022. DOI: 10.20396/rho.v22i00.8660438. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/histedbr/article/view/8660438. Acesso em: 31 jan. 2023.

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