De olhos abertos, de olhos fechados

Passado e presente da iconografia do Cristo crucificado

Autores

DOI:

https://doi.org/10.24978/mod.v4i2.4324

Palavras-chave:

Arte e recepção. Imagem religiosa. Iconografia. Cristo crucificado. Bom Jesus de Matosinhos.

Resumo

A partir de uma imagem que se encontra à venda em muitos centros urbanos brasileiros e que mostra o rosto de um Cristo crucificado ora de olhos abertos, ora de olhos fechados, apresento, neste artigo, uma análise sobre as principais alterações formais ocorridas com esse tipo iconográfico. Ao longo dessa abordagem, procurei compreender as imagens em seus contextos originais de produção, mas não isoladamente, e sim em constante diálogo, seja umas com as outras, seja com o mundo contemporâneo. Assim, foram consideradas as tipologias da cruz sem a presença do Cristo, do Christus triumphans, do Christus patiens, do Christus dolens e do Cristo agonizante, modelos cuja recepção foi avaliada com a intenção de compreender mais profundamente as representações de Bom Jesus de Matosinhos e desse Cristo crucificado que exibe alternadamente os olhos abertos e fechados. Ao final, através de métodos próprios da História da Arte, espero demonstrar como essas imagens sobrepuseram-se e até mesmo se fundiram, sendo recebidas com naturalidade pela maioria dos atuais praticantes do cristianismo.

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Biografia do Autor

Alexandre Ragazzi, Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Docente no Departamento de Teoria e História da Arte da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ); membro do Programa de Pós-Graduação em História da Arte (PPGHA/UERJ).

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Publicado

2020-05-19

Como Citar

RAGAZZI, A. De olhos abertos, de olhos fechados: Passado e presente da iconografia do Cristo crucificado. MODOS: Revista de História da Arte, Campinas, SP, v. 4, n. 2, p. 144–161, 2020. DOI: 10.24978/mod.v4i2.4324. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/mod/article/view/8662850. Acesso em: 1 fev. 2023.

Edição

Seção

Dossiê - A arte antiga no tempo presente