O moderno rústico

Arte e indumentária na década de 1960

Autores

DOI:

https://doi.org/10.24978/mod.v3i3.4336

Palavras-chave:

Arte. Indumentária. Modernidade. Arquivo pessoal. Design.

Resumo

Quando os mortos morrem, eles estão mortos? Como eles resistem ao esquecimento? Podem os objetos que ficam contar quem eles foram ou o que fizeram? A partir do arquivo privado acumulado por um casal de imigrantes desenvolvo nesse artigo algumas análises sobre a construção desse acervo e as relações entre o campo cultural carioca e a produção de indumentária na década de 1960. Os museus de arte moderna brasileiros, principalmente o MAM-RJ, apareceram como importantes instituições de difusão de modernidades. A ideia do rústico fundamentou no período uma dimensão industrial que se apoiava na produção de grupos étnicos como garantia de singularidade. Essa coleção de documentos explicitou o uso do espaço privado como dimensão política para a construção dessa modernidade particular atravessada por gênero, classe e raça.

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Biografia do Autor

Patricia Reinheimer, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro

Docente e pesquisadora da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.

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Publicado

2019-10-13

Como Citar

REINHEIMER, P. O moderno rústico: Arte e indumentária na década de 1960. MODOS: Revista de História da Arte, Campinas, SP, v. 3, n. 3, p. 154–172, 2019. DOI: 10.24978/mod.v3i3.4336. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/mod/article/view/8663179. Acesso em: 8 ago. 2022.

Edição

Seção

Dossiê - Canibalismos Disciplinares