O exílio chileno de Mário Pedrosa

solidariedade, arte popular e vocação comunitária

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20396/modos.v5i1.8663905

Palavras-chave:

Mário Pedrosa, Museu da solidariedade, Exílio, Unidade popular, Arte popular

Resumo

Com base em uma ampla pesquisa de fontes primárias em arquivos de instituições no Brasil e no Chile, este artigo apresenta um panorama sobre o exílio chileno de Mário Pedrosa, durante o Governo Salvador Allende (1970-1973). Busca-se analisar as principais iniciativas culturais fomentadas pela Unidade Popular, uma coligação de partidos de esquerda, com objetivo de compreender a conjuntura na qual o autor brasileiro foi convocado. Pedrosa fez parte de um contingente de intelectuais latino-americanos exilados que colaborou ativamente na área acadêmica e, de forma ainda mais direta, na política cultural chilena, ao ser convidado para conceber o Museu da Solidariedade. Seguramente, essa instituição, formada exclusivamente por obras doadas, foi o empreendimento mais importante do governo popular, no entanto essa entidade inseriu-se em um programa cultural e político mais amplo, sendo necessário compreender o contexto geral no qual Pedrosa filiou-se. Apesar de ter se envolvido diretamente na criação do Museu, foi nas cooperativas de artesanato que Pedrosa enxergou o maior potencial comunitário da arte, cujo caráter revolucionário o crítico exaltou no artigo "Arte Culta e Arte Popular", escrito em 1975.

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Biografia do Autor

Luiza Mader Paladino, Universidade de São Paulo

Doutora pelo Programa de Pós-graduação Interunidades em Estética e História da Arte da Universidade de São Paulo.

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Publicado

2021-01-29

Como Citar

PALADINO, L. M. O exílio chileno de Mário Pedrosa: solidariedade, arte popular e vocação comunitária. MODOS: Revista de História da Arte, Campinas, SP, v. 5, n. 1, p. 14–31, 2021. DOI: 10.20396/modos.v5i1.8663905. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/mod/article/view/8663905. Acesso em: 9 dez. 2022.

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Artigos - Colaborações