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Experiência e discurso como lugares de memória: a escola e a produção de lugares comuns
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Palavras-chave

Experiência. Significação. Práticas discursivas. Práticas escolares. Produção de sentidos. Lugares de memória. Lugar comum

Como Citar

SMOLKA, Ana Luiza Bustamante. Experiência e discurso como lugares de memória: a escola e a produção de lugares comuns. Pro-Posições, Campinas, SP, v. 17, n. 2, p. 99–118, 2016. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/proposic/article/view/8643630. Acesso em: 16 jun. 2024.

Resumo

Neste texto, desenvolvo uma reflexão sobre as práticas escolares e as práticas discursivas, explorando alguns sentidos de lugares de memória e indagando sobre as possíveis configurações de lugares comuns. Buscando compreender o que há de prototípico e de idiossincrático nas experiências vividas e historicamente situadas, problematizo mais detidamente a noção de experiência, discutindo a inter-constituição das dimensões individual, subjetiva e histórica, coletiva. No âmbito das contribuições de diversos autores, destaco as idéias de Vygotsky e Bakhtin com relação ao signo e à significação, como fecundas e inspiradoras para a compreensão das possibilidades e formas de memória inscritas no corpo e na linguagem. A partir das elaborações teóricas e conceituais, apresento a análise de uma situação de ensino na escola, explorando as implicações de alguns pressupostos da perspectiva teórica assumida para a interpretação do material empírico escolhido como foco de análise. Na análise, vão ganhando visibilidade as con(tra)dições da experiência, a intensidade de sentidos e a heterogeneidade do lugar comum

Abstract:

In the present text, I inquire about school and discourse practices, exploring the meanings of lieux de memoire and asking about some possible configurations of commonplaces in relation to such practices. In the search for understanding what can be considered prototypical and idiosyncratic in the lived and historically situated experiences, I focus on the notion of experience, discussing the inter-constitution of its multiple dimensions – individual, subjective and historical, collective. I highlight among the diverse contributions of many different authors the ideas of Vygotsky and Bakhtin concerning signification and sign as inspiring and productive for the comprehension of the possibilities and forms of memory inscribed in people’s bodies and in language. Taking such theoretical and conceptual elaborations as points of anchorage, I analyze a teaching event in a Brazilian elementary school classroom, examining the implications of these assumptions for the interpretation of the empirical material. The analysis of discourse practices in this social institution points to the conditions and contradictions of experience, the diversity and intensity of senses, and the heterogeneity of the commonplace.

Key words: Experience. Signification. Discursive practices. School practices. Sense production. Lieux de memoire. Commonplace

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