Jogar e brincar de crianças pantaneiras: um estudo em uma “escola das águas”

Autores

Palavras-chave:

Cultura lúdica, Cultura pantaneira, Escolas das águas, Pantanal

Resumo

No Pantanal sul-mato-grossense, no município de Corumbá, há um grupo de unidades escolares denominadas escolas das águas, assim chamadas por estarem situadas em regiões de difícil acesso e sofrerem influência do ciclo das águas. O
presente artigo apresenta resultados de uma tese de doutorado que analisou a cultura lúdica das crianças de uma dessas escolas. O estudo foi realizado em contexto escolar, com 33 crianças, e envolveu observações, entrevistas e análise de desenhos sobre brincadeiras e jogos produzidos pelas crianças a pedido do pesquisador. Os dados foram submetidos a análise de conteúdo e categorizados em dois eixos temáticos: tipologia do jogo/brincadeira e mídias na cultura lúdica. Os resultados indicam fortes semelhanças entre a cultura lúdica das crianças pantaneiras e de outras regiões do Brasil e pouca presença da cultura pantaneira nas brincadeiras desenvolvidas pelas crianças na escola pesquisada.

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Biografia do Autor

Rogério Zaim de Melo, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul

Doutorado em Educação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Docente do curso de Educação Física da Universidade Federal do Mato Grosso Sul.

Rosalia Maria Duarte, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro

Doutorado em Educação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Professora Associada em Educação da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.

Marcia Regina do Nascimento Sambugari, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul

Doutorado em Educação: História, Política, Sociedade pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Professora Associada I da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul.

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Publicado

2020-01-20

Como Citar

MELO, R. Z. de; DUARTE, R. M.; SAMBUGARI, M. R. do N. . Jogar e brincar de crianças pantaneiras: um estudo em uma “escola das águas”. Pro-Posições, Campinas, SP, v. 31, p. e20180052, 2020. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/proposic/article/view/8660690. Acesso em: 25 set. 2021.

Edição

Seção

Artigos