Educação bilíngue inclusiva para surdos como espaço de resistência

Autores

Palavras-chave:

Educação de surdos, Relações de saber e poder, Resistências

Resumo

O presente artigo objetiva analisar as trajetórias históricas e as composições de saberes que ativaram um novo cenário educacional inclusivo bilíngue para surdos, distinto das propostas inclusivas consonantes com o modelo referendado pelas diretrizes que sustentam os discursos e as práticas na educação especial. São apresentadas propostas bilíngues para surdos e as ações que buscam romper com o paradigma que ainda mantém a centralidade educacional na língua portuguesa. Os conceitos das filosofias da diferença, em Michel Foucault, Gilles Deleuze e Félix Guattari, contribuíram para a análise e historicização (saber/poder) dos fatores que possibilitaram a emergência de projetos bilíngues como um campo de investigação possível. Nesse sentido, a relevância desta pesquisa consiste em contribuir com as discussões existentes sobre os deslocamentos de saberes para procedimentos educacionais, realizados em municípios que adotam métodos inclusivos bilíngues, a fim de demarcar a história dos movimentos sociais em direção a propostas de escolas-polo bilíngues.

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Biografia do Autor

Mariana Peres de Morais, Universidade Federal de São Carlos

Doutorado em andamento em Educação Especial pela Universidade Federal de São Carlos. Professora do curso de Licenciatura em Matemática e do ensino médio integrado no Instituto Federal de São Paulo.

Vanessa Regina de Oliveira Martins, Universidade Federal de São Carlos

Doutorado em Educação pela Universidade Estadual de Campinas. Professora Adjunta II na Universidade Federal de São Carlos.

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Publicado

2020-04-22

Como Citar

MORAIS, M. P. de .; MARTINS, V. R. de O. . Educação bilíngue inclusiva para surdos como espaço de resistência. Pro-Posições, Campinas, SP, v. 31, p. e20180089, 2020. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/proposic/article/view/8660700. Acesso em: 25 set. 2021.

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