Pensando num ensino de ciências decolonial a partir da poesia eu-mulher de Conceição Evaristo

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20396/rfe.v13i1.8664162

Palavras-chave:

Conceição Evaristo, Decolonialidade, Ensino de ciências

Resumo

A partir de uma perspectiva decolonial do ensino, este artigo objetiva fazer uma reflexão sobre a dinâmica homogênea do ensino de ciências, a qual se comporta como veículo de reprodução de uma visão de mundo eurocentrada, visando universalizar o conhecimento ocidental em detrimento das demais culturas. Tal objetivo justifica-se na importância de analisarmos o espaço de prestígio que ainda é reservado para a racionalidade científica, a qual é propagada sem a devida contextualização histórico-filosófica. Tomaremos como base a poesia Eu-mulher de Conceição Evaristo, partindo do pressuposto de que um ensino eurocentrado exclui de seu bojo os grupos minorizados, principalmente a mulher negra.

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Biografia do Autor

Bárbara Simões Barreto de Araújo, Universidade Federal da Bahia

Mestranda no Programa de Pós Graduação em Ensino, Filosofia e História das Ciências pela Universidade Federal da Bahia - UFBA . Membra do Grupo de Pesquisa em Filosofia, Ciência e Educação Científica- G- EFFICIENTIA/UFRB.

Davi Maia Rocha, Universidade Federal da Bahia

Mestrando em Ensino, Filosofia e História das Ciências pela Universidade Federal da Bahia.

Fábio Pessoa Vieira, Universidade Federal da Bahia

Doutorado em Ciências do Ambiente pela Universidade Federal do Tocantins. Professor da Universidade Federal da Bahia.

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Publicado

2021-05-14

Como Citar

ARAÚJO, B. S. B. de .; ROCHA, D. M. .; VIEIRA, F. P. . Pensando num ensino de ciências decolonial a partir da poesia eu-mulher de Conceição Evaristo. Filosofia e Educação, Campinas, SP, v. 13, n. 1, p. 1917–1937, 2021. DOI: 10.20396/rfe.v13i1.8664162. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/rfe/article/view/8664162. Acesso em: 25 set. 2021.