Resumo
O artigo analisa os cursos livres de línguas estrangeiras no Brasil, especialmente os de inglês e francês, como espaços educativos que, embora institucionalizados, operam fora das obrigações legais da educação formal. Inicialmente autorizados pelo Estado, esses cursos passaram a seguir uma lógica de mercado, baseando-se em critérios próprios de "competência" e "qualidade", o que evidencia uma mudança de uma política de Estado para uma política de empresa. Fundamentado em autores como Charlot, Anderson e Rajagopalan, o texto discute como esses cursos refletem práticas geopolíticas, econômicas e simbólicas, atuando como instrumentos de distinção social. Metodologicamente, a análise é teórico-documental, apoiada em legislações educacionais e literatura acadêmica. A pesquisa aponta que esses cursos funcionam como alternativas à educação formal, voltadas à qualificação profissional e consumo simbólico de saber, mas acessíveis a poucos. Assim, revelam uma dimensão política e sociocultural da aprendizagem de línguas estrangeiras no contexto brasileiro contemporâneo.
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