Situação nutricional de crianças em município de privilegiado Índice de Desenvolvimento Humano do semiárido brasileiro e sua relação com Insegurança Alimentar

Autores

  • Élida Mara Braga Rocha Universidade Federal da Paraíba
  • Roberto Teixeira de Lima Universidade Federal da Paraíba
  • Derlange Belizário Diniz Universidade Estadual do Ceará
  • Paulo César de Almeida Universidade Estadual do Ceará

DOI:

https://doi.org/10.20396/san.v19i2.8634608

Palavras-chave:

Segurança alimentar e nutricional. Sobrepeso. Crianças.

Resumo

As situações de Insegurança Alimentar (IA) podem ser detectadas a partir de diferentes problemas desde fome até obesidade. A análise da Segurança Alimentar e Nutricional por meio de estudos populacionais vem ocupando de forma crescente a agenda pública do Brasil. O objetivo desta pesquisa foi correlacionar o perfil nutricional com a situação de IA em crianças menores de cinco anos de idade em município de privilegiado Índice de Desenvolvimento Humano do semiárido brasileiro, Crato (CE). A pesquisa foi do tipo transversal, probabilística, com seleção das crianças por amostragem sistemática no “Dia D” da Campanha Nacional de Vacinação, em agosto de 2010. Um questionário socioeconômico e a Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (EBIA) foram aplicados, além da aferição de peso e altura para a associação entre situação nutricional e situação de IA por meio do teste Qui-Quadrado (p < 0,05). Foram coletados dados de 352 crianças. Na análise da situação nutricional, a prevalência de sobrepeso foi acentuada para o indicador peso para altura (16,8%). Entretanto, quanto ao índice altura para idade, obteve-se uma prevalência elevada para desnutrição (7,1%). Contudo, não houve associação de desnutrição nem de sobrepeso com IA, assim, a EBIA se mostrou como indicador não relacionado aos distúrbios nutricionais..

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Élida Mara Braga Rocha, Universidade Federal da Paraíba

Mestre em Ciências da Nutrição pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Correspondência: Av. Engenheiro Heitor Antonio Eiras Garcia, 396. Apto 81, Bloco México. Jardim Esmeralda. São Paulo, SP. CEP 05588-001. Tel. (11)4301-7086/(11)97239-7554/(11)95342-9021.

Roberto Teixeira de Lima, Universidade Federal da Paraíba

Doutor em Saúde Pública pela Faculdade de Saúde Pública, Universidade de São Paulo (USP). Prof. Adjunto do Departamento de Nutrição da UFPB.

Derlange Belizário Diniz, Universidade Estadual do Ceará

Doutora em Ciências da Nutrição pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Profª Adjunta do Centro de Ciências da Saúde, Universidade Estadual do Ceará (UECE).

Paulo César de Almeida, Universidade Estadual do Ceará

Doutor em Saúde Pública pela Faculdade de Saúde Pública, USP. Prof. Adjunto do Centro de Ciências da Saúde, UECE.

Referências

Brasil. Ministério da Saúde. Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional. Princípios e diretrizes de uma política de segurança alimentar e nutricional. In: Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional. Brasília: CONSEA; 2004.

Brasil. Lei nº 11.346, de 15 de setembro de 2006. Cria o Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (SISAN) com vistas em assegurar o direito humano à alimentação e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, 18 set. 2006. Seção 1, p. 1.

Prado SD, Gugelmin SA, Mattos RA, Silva JK, Olivares PSG. A pesquisa sobre segurança alimentar e nutricional no Brasil de 2000 a 2005: tendências e desafios. Ciênc Saúde Colet. 2010;15(1):7-18.

Castro LMC. Pesquisar sobre segurança alimentar e nutricional no Brasil: a que viemos? Ciênc Saúde Colet. 2010;15(1):26-28.

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD: Segurança Alimentar 2004/2009. Rio de Janeiro: IBGE; 2010.

Barroso GS, Sichieri R, Salles-Costa R. Fatores associados ao déficit nutricional em crianças residentes em uma área de prevalência elevada de insegurança alimentar. Rev Bras Epidemiol. 2008;11(3):484-94.

Batista Filho M. Introdução. Cad Estud Desenv Soc Debate. 2006;4:9-16.

Batista Filho M, Rissin A. A transição nutricional no Brasil: tendências regionais e temporais. Cad Saúde Pública. 2003;19(Suppl 1):S181-91.

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pesquisa de Orçamentos Familiares – POF 2008-2009. Antropometria e estado nutricional de crianças, adolescentes e adultos no Brasil. Rio de Janeiro: IBGE, 2010.

Caballero B. Subnutrição e obesidade em países em desenvolvimento. Cad Estud Desenv Soc Debate. 2005;2:10-13.

Doak CM, Adair LS, Bentley M, Monteiro C, Popkin BM. The dual burden household and the nutrition transition paradox. Int J Obes. 2005;29(1):129-36.

Sawaya AL, Solymos GMB, Florêncio TMMT, Martins PA. Os dois Brasis: quem são, onde estão e como vivem os pobres brasileiros? Estud Av. 2003;17(48):21-44.

Food and Agriculture Organization. Measurement and assessment of food deprivation and undernutrition. Rome: FAO; 2003.

Pérez-Escamilla R, Segall-Corrêa AM. Food insecurity measurement and indicators. Rev Nutr. 2008;21(Suppl.):15s- 26s.

Segall-Corrêa AM. Insegurança alimentar medida a partir da percepção das pessoas. Estud Av. 2007;21(60):143- 54.

Vasconcelos FAG. Avaliação nutricional de coletividades. Florianópolis: UFSC; 2007.

Teixeira-Lima R. Condições de nascimento e desigualdade social [tese]. São Paulo: Faculdade de Saúde Pública, Universidade de São Paulo; 2001. 187 p.

Programas das Nações Unidas para o Desenvolvimento. Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil. Brasília: PNUD; 2003.

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. IBGE cidades@. 2010. [acesso em 15 maio 2010]. Disponível em: http://www.ibge.gov.br/cidadesat/painel/painel.php?codm un=230420

Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos. Zoneamento geoambiental do Estado do Ceará: parte II mesorregião do sul cearense. Fortaleza: FUNCEME; 2006.

Brasil. Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunizações. DATASUS. Campanha nacional de vacinação contra pólio 2009, Ceará. [acesso em 10 maio 2010]. Disponível em: http://pni.datasus.gov.br/Consulta_Polio2_Mun_09.asp?U F=23&faixas=todas

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD: suplemento sobre segurança alimentar 2004. Rio de Janeiro: IBGE; 2006.

Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa. Critério de Classificação Econômica Brasil. São Paulo: ABEP; 2010. [acesso em 28 maio 2010]. Disponível em: http://www.abep.org/novo/Content.aspx?ContentID=301

Brasil. Ministério da Saúde. CGPAN. Vigilância alimentar e nutricional – SISVAN: orientações básicas para a coleta, processamento, análise de dados e informação em serviços de saúde. Norma técnica – SISVAN. Brasília: Ministério da Saúde; 2008.

World Health Organization.WHO Anthro for personal computers: Software for assessing growth and development of the world's children [computer program], version 3.1, 2010. Geneva: WHO; 2010.

World Health Organization. WHO Multicentre Growth Reference Study Group. WHO child growth standards: length/height-for-age, weight-for-age, weight-for-length, weight-for-height and body mass index-for-age: methods and development. Geneva: WHO; 2006.

Segall-Corrêa AM, Pérez-Escamilla R, Maranha LK, Sampaio MFA, Yuyama L, Alencar F, et al. Projeto: acompanhamento e avaliação da segurança alimentar de famílias brasileiras: validação de metodologia e de instrumento de coleta de informação. Campinas: Departamento de Medicina Preventiva e Social, UNICAP/ OPAS/Ministério da Saúde; 2004. (Relatório Técnico).

Brasil. Ministério da Saúde. Conselho Nacional de Saúde, Resolução 196, de 10 de outubro de 1996. Aprova diretrizes e normas regulamentadoras de pesquisas envolvendo seres humano. Diário Oficial da União, Brasília, 16 out. 1996. Seção 1, p. 21082.

Brasil. Ministério da Saúde. Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde da Criança e da Mulher – PNDS 2006: dimensões do processo reprodutivo e da saúde da criança. Brasília: Ministério da Saúde; 2009.

Monteiro CA, Benicio MHD, Konno SC, Silva ACF, Lima ALL, Conde WL. Causas do declínio da desnutrição infantil no Brasil, 1996-2007. Rev Saúde Públ. 2009;43(1):35- 43.

Monteiro CA, Conde WL, Konno SC. Análise do inquérito chamada nutricional 2005. Cad Estud Desenv Soc Debate. 2006;4:29-36.

Diniz DB, Fernandes DLA, Mamede ALES. Estado nutricional de crianças menores de cinco anos do semiárido do Ceará. Cad Estud Desenv Soc Debate. 2006;4:51-6.

Oliveira JS, Lira PIC, Andrade SLLS, Sales AC, Maia SR, Batista Filho MB. Insegurança Alimentar e estado nutricional de crianças de São João do Tigre, no semiárido do Nordeste. Rev Bras Epidemiol. 2009;12(3):413-23.

Oliveira JS, Lira PIC, Maia SR, Siqueira LAS, Amorim RCA, Batista Filho MB. Insegurança alimentar e estado nutricional de crianças de Gameleira, zona da mata do Nordeste brasileiro. Rev Bras Saude Mater Infant. 2010;10(2):237-45.

Isanaka S, Mora-Plazas M, Lopez-Arana S, Baylin A, Villamor E. Food Insecurity Is Highly Prevalent and Predicts Underweight but Not Overweight in Adults and School Children from Bogota, Colombia. J Nutr. 2007;137(12):2747-55.

Vieira VL, Souza MP, Cervato-Mancuso AM. Insegurança alimentar, vínculo mãe-filho e desnutrição infantil em área de alta vulnerabilidade social. Rev Bras Saude Mater Infant. 2010;10(2):199-207.

Parker L. Obesity, food insecurity and the federal child nutrition programs: Understanding the linkages. Food Research and Action Center, 2005 [cited 2012 Nov 03]. Available from: http://www.rwjf.org/en/researchpublications/ find-rwjf-research/2005/10/obesity--foodinsecurity- and-the-federal-child-nutrition-program.html

Bhattacharya J, Currie J, Haider S. Poverty, food insecurity, and nutritional outcomes in children and adults. J Health Econ. 2004;23(4):839-62.

Santos JV, Gigante DP, Domingues MR. Prevalência de segurança alimentar em Pelotas, Rio Grande do Sul, Brasil, e estado nutricional de indivíduos que vivem nessa condição. Cad Saúde Pública. 2010;26(1):41-9.

Marín-León L, Segal-Corrêa AM, Panigassi G, Maranha LK, Sampaio MFA, Pérez-Escamilla R. A percepção de insegurança alimentar em famílias com idosos em Campinas, São Paulo, Brasil. Cad Saúde Pública. 2005;21(5):1433-40.

Panigassi G, Segal-Corrêa AM, Marín-León L, Pérez- Escamilla R, Maranha LK, Sampaio MFA. Insegurança alimentar intrafamiliar e perfil de consumo de alimentos. Rev Nutr. 2008;21(Suppl):S135-44.

Antunes MML, Sichieri R, Salles-Costa R. Consumo alimentar de crianças menores de três anos residentes em área de alta prevalência de insegurança alimentar domiciliar. Cad Saúde Pública. 2010;26(8):1642-50.

Casey PH, Simpson PM, Gossett JM, Bogle ML, Champagne CM, Connell C, et al. The Association of Child and Household Food Insecurity With Childhood Overweight Status. Pediatrics. 2006;118(5):e1406-e13.

Dubois L, Farmer A, Girard M, Porcherie M. Family food insufficiency is related to overweight among preschoolers’. Soc Sci Med. 2006;63(6):1503-16.

Rose D, Bodor N. Household food insecurity and overweight status in young school children: Results from the early childhood longitudinal study. Pediatrics. 2006;117(2):464-73.

Metallinos-Katsaras E, Sherry B, Kallio J. Food Insecurity Is Associated with Overweight in Children Younger than 5 Years of Age. J Am Diet Assoc. 2009;109(10):1790-4.

Segall-Corrêa AM, Salles-Costa R. Novas possibilidades de alimentação a caminho? Democracia Viva. 2008;39:68- 73.

Burlandy L. Transferência condicionada de renda e segurança alimentar e nutricional. Ciênc Saúde Colet. 2007;12(6):1441-51.

Kaiser LL, Townsend MS. Food insecurity among US children. Top Clin Nutr. 2005;20(4):313-20.

Alaimo K, Olson CM, Frongillo EA. Low family income and food insufficiency in relation to overweight in US children. Arch Pediatr Adolesc Med. 2001;155(10):1161- 67.

Casey PH, Szeto K, Lensing S, Bogle M, Weber J. Children in food insufficient, low-income families. Arch Pediatr Adolesc Med. 2001;155(4):508-14.

Drewnowski A, Darmon N. The economics of obesity: Dietary energy density and energy cost. Am J Clin Nutr. 2005; 82(Suppl.):265S-73S.

Kaiser LL, Melgar-Quiñonez HR, Lamp CL, Johns MC, Sutherlin JM, Harwood JO. Food security and nutritional outcomes of preschool-age Mexican-American children. J Am Diet Assoc. 2002;102(7):924-29.

Hoffmann R. Determinantes da insegurança alimentar no Brasil. Análise dos dados da PNAD de 2004. Seg Alim Nutr. 2008;15(1):49-61.

Townsend MS, Peerson J, Love B, Achterberg C, Murphy SP. Food insecurity is positively related to overweight in women. J Nutr. 2001;131(6):1738-45.

Drewnowski A, Specter SE. Poverty and obesity: the role of energy density and energy costs. Am J Clin Nutr. 2004;79(1):6-16.

Segall-Corrêa AM, Marin L. A segurança alimentar no Brasil: proposição e usos da escala brasileira de medida da insegurança alimentar (EBIA) de 2003 a 2009. Seg Alim Nutr. 2009;16(2):1-19.

Downloads

Publicado

2012-02-11

Como Citar

1.
Rocha Élida MB, Lima RT de, Diniz DB, Almeida PC de. Situação nutricional de crianças em município de privilegiado Índice de Desenvolvimento Humano do semiárido brasileiro e sua relação com Insegurança Alimentar. Segur. Aliment. Nutr. [Internet]. 11º de fevereiro de 2012 [citado 28º de outubro de 2021];19(2):17-29. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/san/article/view/8634608

Edição

Seção

Artigo de Segurança Alimentar e Nutricional

Artigos mais lidos pelo mesmo(s) autor(es)