Sistemas cristalinos: nomenclatura e convenções

Autores

  • Daniel Atencio Universidade de São Paulo
  • Andrezza de Almeida Azzi Universidade Estadual Paulista

DOI:

https://doi.org/10.20396/td.v13i3.8651222

Palavras-chave:

Sistemas cristalinos. Cruz axial. Sistema diclínico. Nomenclatura cristalográfica. Elementos de simetria.

Resumo

Os livros de introdução à cristalografia apresentam os sistemas cristalinos de acordo com o conjunto de elementos de simetria e as orientações axiais dos cristais. Entretanto, o que é fundamental para a definição do sistema cristalino é apenas o conjunto dos elementos de simetria e não as orientações axiais. Alguns dos sistemas cristalinos possuem seus nomes relacionados aos elementos de simetria, como é o caso dos sistemas trigonal, tetragonal e hexagonal. Os outros sistemas cristalinos, no entanto, têm seus nomes relacionados à orientação axial: cúbico ou isométrico, ortorrômbico, monoclínico e triclínico. Parece lógico pensar que os cristais do sistema triclínico são aqueles que possuem todos os ângulos diferentes de 90° e que os cristais do sistema monoclínico possuem dois ângulos iguais a 90° e apenas um ângulo diferente de 90°, o que não é sempre o que ocorre. Cristais “diclínicos”, com dois ângulos diferentes de 90° e um ângulo igual a 90° também existem! Mas são agrupados no sistema triclínico, pois apresentam grupos pontuais equivalentes. As convenções de nomenclatura dos sistemas cristalinos poderiam ser mais lógicas. Uma opção seria utilizar para todos os sistemas cristalinos a nomenclatura referente aos elementos de simetria. Como resultado o sistema cúbico seria denominado sistema tetra-trigonal, o sistema ortorrômbico seria sistema tri-digonal, o sistema monoclínico passaria a ser denominado sistema digonal, e o sistema triclínico seria chamado sistema monogonal. Ao contrário dos nomes que são utilizados oficialmente, esses quatro nomes sugeridos são mais lógicos e tecnicamente corretos. 

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Biografia do Autor

Daniel Atencio, Universidade de São Paulo

Geólogo (1982), Mestre (1986), Doutor (1991), Livre-Docente (1999) pela Universidade de São Paulo, é professor do Instituto de Geociências de USP desde 1984, destacando-se como professor paraninfo e professor homenageado de diversas turmas. É o representante brasileiro na Commission on New Minerals and Mineral Names (CNMMN) / Commission on New Minerals, Nomenclature and Classification (CNMNC) da International Mineralogical Association (IMA) desde 1990. É autor de 34 minerais novos aprovados pela IMA. O mineral atencioíta foi nomeado em sua homenagem. É autor do livro Type Mineralogy of Brazil (2000), co-autor da Enciclopédia dos Minerais do Brasil, além de capítulos de livro, artigos em periódicos especializados, trabalhos em anais de eventos, resenhas, traduções, prefácio etc. Foi editor da Revista Brasileira de Geociências e atualmente é relator de várias publicações. É supervisor do Laboratório de Difratometria de Raios X do Instituto de Geociências da USP. Tem orientado dissertações de mestrado e teses de doutorado, além de grande número de trabalhos de iniciação científica e trabalhos de conclusão de curso na área de Geociências. Atualmente coordena 1 projeto temático de pesquisa FAPESP.

Andrezza de Almeida Azzi, Universidade Estadual Paulista

Pós-doutoranda no Instituto de Geociências da USP atuando na pesquisa de novos minerais. Doutorado direto concluído 13/10/2014 em Geociências e Meio Ambiente na UNESP-Rio Claro e Comenius University of Bratislava - Slovakia, como parte do programa doutorado sanduíche concedido pela CAPES/PDSE 2999/13-7. Graduação em Geologia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho - UNESP/2009.

Referências

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Publicado

2018-01-22

Como Citar

ATENCIO, D.; AZZI, A. de A. Sistemas cristalinos: nomenclatura e convenções. Terrae Didatica, Campinas, SP, v. 13, n. 3, p. 279–285, 2018. DOI: 10.20396/td.v13i3.8651222. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/td/article/view/8651222. Acesso em: 29 nov. 2021.

Edição

Seção

Artigos