Banner Portal
A mediação diante do cárcere: os casos de sobrevivente André du Rap e Cela forte mulher
PDF

Palavras-chave

Testemunho. Autoria. Prisão.

Como Citar

CRUZ, Lua Gill da. A mediação diante do cárcere: os casos de sobrevivente André du Rap e Cela forte mulher. Trabalhos em Linguística Aplicada, Campinas, SP, v. 57, n. 2, p. 821–847, 2018. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/tla/article/view/8651205. Acesso em: 19 maio. 2024.

Resumo

A produção artística e crítica contemporâneas têm colocado em questão a necessidade de observar perspectivas histórias antes silenciadas, de forma a opor-se e resistir ao apagamento de experiências e vivências de grupos, raças, etnias e cores diversas. Em um país como o Brasil, entretanto, caracterizado por desigualdades sociais gritantes, tal tentativa foi e é marcada pela disjunção e pela mediação. Esta mediação frequentemente é marcada por produções em que o intelectual, branco e da elite, organiza e edita a obra de alguém que testemunha outra vivência, o subalternizado, negro e pobre. Se por um lado a figura do intelectual é central para desvelar e inscrever tais histórias, por outro, a mediação não é imparcial, mas marcada por relações de poder. A proposta deste trabalho é introduzir questões relativas ao conceito de literatura de testemunho, literatura sobre o/do cárcere e analisar dois exemplos de tal literatura, os textos Sobrevivente André du Rap (2002) e Cela forte mulher (2003), de maneira a discutir como os textos se estruturam e problematizam a mediação radical da alteridade entre intelectuais e detentos, os seus impasses éticos e textuais, bem como refletir sobre a dificuldade em estabelecer uma (ou muitas) autoria(s) diante de uma certa apropriação autoral da voz do outro.

PDF

Referências

AGAMBEN, G. (2008). O que resta de Auschwitz: o arquivo e a testemunha. Tradução de Selvino J. Assman. São Paulo: Boitempo.

ARAUJO, J. A. de. (2002). Sobrevivente Andre du Rap: (do massacre do carandiru). Coautoria de Bruno Zeni. São Paulo, SP: Labortexto.

ARANTES (2010). O ano que não terminou. In: TELES, Edson; SAFATLE, Vladimir (Orgs.). O que resta da ditadura: a exceção brasileira. São Paulo: Boitempo.

BHABHA, H. (1998). A outra questão. O estereótipo, a discriminação e o discurso do colonialismo. In: BHABHA, Homi K. O local da cultura. Trad. Myriam Avila, ELiana Lourenço de Lima Reis, Glácia Renate Gonçalves. Belo Horizonte: Ed. UFMG.

BURGOS, E. (1993). Meu nome é Rigoberta Menchú: e assim nasceu minha consciência. Tradução de Lólio Lourenço de Oliveira. Rio de Janeiro: Paz e Terra.

BUTLER, J. (2004). Precarious life: the powers of mourning and violence. London: Verso.

BUTLER, J. (2015). Quadros de guerra: quando a vida é passível de luto? Tradução de Sérgio Tadeu de Niemeyer Lamarão e Arnaldo Marques de Cunha. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira.

CORONEL, L. P. (2015). A terceira margem de Carolina Maria de Jesus. In: FARIA, A.; PENNA, J. C.; PATROCINIO, P. R. T.. Modos da margem: figurações da marginalidade na literatura brasileira. Rio de Janeiro: Aeroplano.

DALCASTAGNÈ, R. (2005). “Isso não é literatura (sobre Carolina Maria de Jesus e Paulo Lins)”. In: DALCASTAGNÈ, Regina. Entre fronteiras e cercado de armadilhas: problemas da representação na narrativa brasileira contemporânea. Brasília: Editora Universidade de Brasileira: Finatec.

DALCASTAGNÈ, R. (2002). Uma voz ao sol: representação e legitimidade na narrativa brasileira contemporânea. In: Estudos de literatura brasileira contemporânea, n. 20, p. 33-70. Disponível em: http://periodicos.unb.br/index.php/estudos/article/view /221 4. Acesso em: maio de 2017.

FELMAN, S. (2014). O inconsciente jurídico: julgamentos e traumas no século XX. Tradução de Ariani Bueno Sudatti. São Paulo: EDIPRO.

FOSTER, H. (2014). O artista como etnógrafo. In: FOSTER, Hal. O retorno do real: a vanguarda no final do século XX. Trad. de Célia Euvaldo. São Paulo: Cosac Naify.

FOUCAULT, M. (2009). O que é um autor?. In: FOUCAULT, Michel. Estética: literatura e pintura, música e cinema. Organização Manoel Barros da Motta; Tradução Inês Autran Dourado Barbosa, 2 ed.. Rio de Janeiro: Forense Universitária.

HOOKS, b. (1992). Eating the Other: Desire and Resistance. In: Black Looks: race and representation. p. 21-39. Boston: South End Pres.

JESUS, C. de. (2014). Quarto de despejo: diário de uma favelada. São Paulo: Ática.

KLINGER, D. (2007). Escritas de si, escritas do outro: o retorno do autor e a virada etnográfica: Bernardo Carvalho, Fernando Vallejo, Washington Cucurto, João Gilberto Noll, César Aira, Silviano Santiago. Rio de Janeiro: 7Letras.

MARCO, V. de. (2004). A literatura de testemunho e a violência de Estado. Lua Nova, São Paulo, n. 62, p. 45-68. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo .php?script=sci_arttext&pid=S0102-64452004000200004&lng=en&nrm=iso. Acesso em: novembro de 2017.

PALMEIRA, M. R. S. Soares. (2009). Cada história, uma sentença: narrativas contemporâneas do cárcere brasileiro. Tese (Doutorado em Literatura Brasileira) - Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo. Disponível em: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8149/tde-06092011-142127/pt-br.php. Acesso em: outubro de 2017.

PENNA, J. C. (2003). Este corpo, esta dor, esta fome: notas sobre o testemunho hispano-americano. In: SELIGMANN-Silva, Márcio (org.). História, memória, literatura: o testemunho na Era das Catástrofes. Campinas, SP: Editora da Unicamp.

PERPÉTUA, E. D. (2014). A vida escrita de Carolina Maria de Jesus. Belo Horizonte: Nandyala.

PERPÉTUA, E. D. (2002). Produção e recepção de Quarto de despejo de Carolina Maria de Jesus: relações publicitárias, contextuais e editoriais. In: Em tese. Belo Horizonte, v.5, p.33-42, dez. 2002.

PINHEIRO, P. S. (1991) Autoritarismo e transição. In: Revista USP. São Paulo: Editora Universidade de São Paulo. Disponível em: http://www.revistas.usp. br/revusp/article/view/25547/27292. Acesso em: agosto de 2016.

PRADO, A. C. (2003). Cela forte mulher. São Paulo: Labortexto Editoria.

SELIGMANN-SILVA, M. (2006). Novos escritos dos cárceres: uma análise de caso. Luiz Alberto Mendes, Memórias de um sobrevivente. In: Estudos de literatura brasileira contemporânea. Brasília. n. 27, pp. 35-58.

SELIGMANN-SILVA, M. (2010). O local do testemunho. Tempo e argumento. Florianópolis: UDESC, v.2, n.1, p.3-20, junho de 2010.

SPIVAK, G. C. (2010). Pode o subalterno falar?. Tradução de Sandra Regina Goulart Almeida, Marcos Pereira Feitosa e André Pereira Feitosa. Belo Horizonte: Editora UFMG.

WACQUANT, L. (2011). As prisões da miséria. Tradução de André Teles. Rio de Janeiro: Zahar.

ZENI, B.; TIMERMAN, N. (2017). A escrita e a prisão: potências e dilemas. Anais da ABRALIC. Rio de Janeiro: UERJ, pp. 305-314.

O periódico Trabalhos em Linguística Aplicada utiliza a licença do Creative Commons (CC), preservando assim, a integridade dos artigos em ambiente de acesso aberto, em que:

  • A publicação se reserva o direito de efetuar, nos originais, alterações de ordem normativa, ortográfica e gramatical, com vistas a manter o padrão culto da língua, respeitando, porém, o estilo dos autores;
  • Os originais não serão devolvidos aos autores;
  • Os autores mantêm os direitos totais sobre seus trabalhos publicados na Trabalhos de Linguística Aplicada, ficando sua reimpressão total ou parcial, depósito ou republicação sujeita à indicação de primeira publicação na revista, por meio da licença CC-BY;
  • Deve ser consignada a fonte de publicação original;
  • As opiniões emitidas pelos autores dos artigos são de sua exclusiva responsabilidade.

Downloads

Não há dados estatísticos.