Banner Portal
Letramento acadêmico indígena e quilombola: uma política linguística afirmativa voltada à interculturalidade crítica
PDF

Palavras-chave

política linguística
letramento
interculturalidade
decolonialidade

Como Citar

PONSO, Letícia Cao. Letramento acadêmico indígena e quilombola: uma política linguística afirmativa voltada à interculturalidade crítica. Trabalhos em Linguística Aplicada, Campinas, SP, v. 57, n. 3, p. 1512–1533, 2018. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/tla/article/view/8653744. Acesso em: 23 jul. 2024.

Resumo

Este artigo busca refletir sobre um acompanhamento pedagógico intercultural crítico para o acolhimento, a integração e a permanência dos estudantes indígenas e quilombolas no ensino superior brasileiro. Mais especificamente, pretende-se construir o argumento de que as experiências universitárias desses povos tradicionais nos cursos de graduação e pós-graduação só se podem concluir satisfatoriamente se baseadas em políticas institucionais que incluam uma política linguística para falantes de línguas não-hegemônicas, no que se refere ao domínio da textualidade acadêmica em língua portuguesa. Recorre-se aos conceitos de “letramentos de re-existência”, “interculturalidade crítica” e “pedagogia decolonial” em busca de propor uma política linguística que contemple os letramentos decorrentes do contato entre línguas e culturas presentes na comunidade acadêmica – especialmente as indígenas - a partir das demandas e agenciamentos de seus próprios falantes.
PDF

Referências

ANASTACIO, J.; PEREIRA, R.; FRAGA, L. (2018) Reexistência indígena na Universidade Estadual de Ponta Grossa: para além do acesso ao ensino superior. In: Souza, A. L.; Silva, I. J.; Muniz, K. Letramentos de reexistência - um conceito em movimentos negros. Revista da Associação Brasileira de Pesquisadores/as Negros/as (ABPN), [S.l.], v. 10, p. 01-11.

BARROSO-HOFMANN, M. (2005). Direitos culturais diferenciados, ações afirmativas e etnodesenvolvimento: algumas questões em torno do debate sobre ensino superior para os povos indígenas no Brasil. Anais do Simpósio Antropologia Aplicada y Políticas Públicas do 1º Congreso Latinoamericano de Antropologia – ALA. Rosário, Argentina. De 11 a 15 de julho de 2005.

CARVALHO, J. J. (2005) Inclusão Étnica e Racial no Brasil. A Questão das Cotas no Ensino Superior. São Paulo: Attar Editorial.

DELEUZE, G.; GUATTARI, F. (1977). Kafka: por uma literatura menor. Tradução de Júlio Castañon Guimarães. Rio de Janeiro: Editora Imago, 2002.

DOEBBER, M. B. (2017). Indígenas Estudantes nas Graduações da UFRGS: movimentos de re-existência. Tese (Doutorado). Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Faculdade de Educação, Porto Alegre, R.S.

ESCOBAR, A. (2003). Mundos y conocimientos de outro modo: el programa de investigación de modernidad/colonialidad latinoamericano. Tabula Rasa, n. 1, p. 51-86.

FETTERMAN, D. (1989) Ethnography: Step by Step. Newbury Park, CA: Sage.

FLICK, Uwe. Desenho da pesquisa qualitativa. Porto Alegre, ARTMED, 2008.

FREITAS, A. E. C. (org.). (2015). Intelectuais indígenas e a construção da universidade pluriétnica no Brasil: povos indígenas e os novos contornos do programa de educação tutorial/conexões de saberes. 1. ed. - Rio de Janeiro: E-papers.

FREITAS, A. E. de C.; HARDER, E. (2013). Entre a equidade e a assimetria de poder: uma análise da implementação de políticas afirmativas de educação superior indígenas no Brasil. Século XXI: Revista de Ciências Sociais, Santa Maria: UFSM/PPGCS, v. 3, n. 1, p.62-87, jan./jun.

KLEIMAN, A. B. (org.). (1995). Os significados do letramento: uma nova perspectiva sobre a prática social da escrita. Campinas, Mercado das Letras.

LÁZARO, A. (2015). Notas de gestão: memórias e sentidos da criação de grupos de educação tutorial indígena no âmbito do Programa de Educação Tutorial/PET/MEC. In: FREITAS, Ana Elisa de Castro (org.). Intelectuais indígenas e a construção da universidade pluriétnica no Brasil: povos indígenas e os novos contornos do programa de educação tutorial/conexões de saberes. - Rio de Janeiro: E-papers.

LEA, M. R.; STREET, B. (1998). Student writing in higher education: an academic literacies approach. Studies in Higher Education 23(2): 157–172.

LILLIS, T. (1999). Whose “Common Sense”? Essayist literacy and the institutional practice of mystery. In: Jones, C.; Turner, J.; Street, B. (orgs.). Students writing in the university: cultural and epistemological issues. Amsterdam: John Benjamins Publishing.

LILLIS, T.; SCOTT, M. (2007). Defining academic literacies research: issues of epistemology, ideology and strategy. Journal of Applied Linguistics (JAL), Londres, vol. 4, n.1, pp. 05–32. Disponível em: http://dx.doi.org/doi:10.1558/japl.v4i1.5. Acesso em: 15.09.2018.

LIMA, A. C. de S.; BARROSO-HOFFMANN, M. (orgs.) (2007). Seminário desafios para uma educação superior para os povos indígenas no Brasil: políticas públicas de ação afirmativa e direitos culturais diferenciados. Rio de Janeiro: Museu Nacional/LACED.

MALDONADO-TORRES, N. (2008). La descolonización y el giro des-colonial. Tábula Rasa, v.2, n.9, p. 61-72.

MIGNOLO, W. (2003). Histórias locais/projetos globais: colonialidade, saberes subalternos e pensamento liminar. Tradução de Solange Ribeiro de Oliveira. Belo Horizonte, Ed. UFMG.

MIGNOLO, W. (2008). Desobediência epistêmica: a opção descolonial e o significado de identidade em política. Cadernos de Letras da UFF, Dossiê: literatura, língua e identidade, n.34, p. 287-324.

MIGNOLO, W. (2015). Pensamiento decolonial, desprendimiento y apertura. In.: MIGNOLO, W. (org.), Habitar la frontera: sentir y pensar la decolonialidad. Barcelona: CIDOB.

NASCIMENTO, A. M. do. (2012). Português Intercultural: fundamentos para a educação linguística de professores e professoras indígenas em formação superior específica numa perspectiva intercultural. Tese (Doutorado em Letras). UFG, Faculdade de Letras.

SCOTT, M. (1999). Agency and subjectivity in student writing. In: Jones, C., Turner, J. and Street, B. (eds.) Students Writing in the University: cultural and epistemological issues. Amsterdam: John Benjamins.

SHOHAMY, E. (2006). Language policy: hidden agendas and new approaches. Londres/Nova Iorque: Routledge.

SOUZA, A. L. S. (2011). Letramento da reexistência. Poesia, grafite, música, dança: hip-hop. São Paulo: Parábola.

SITO, L. (2010). Ali tá a palavra deles: um estudo sobre práticas de letramento em uma comunidade quilombola do litoral do estado do Rio Grande do Sul. Dissertação de Mestrado. Universidade Estadual de Campinas, SP, 2010.

SITO, L. (2016). Escritas afirmativas: estratégias criativas para subverter a colonialidade em trajetórias de letramento acadêmico. Tese de Doutorado. Universidade Estadual de Campinas, SP, 2016.

STREET, B. V. (1995). Letramentos sociais: abordagens críticas do letramento no desenvolvimento, na etnografia e na educação. São Paulo: Parábola Editorial, 2014.

WALSH, C. (2007). Interculturalidad crítica y pedagogia decolonial. Memorias del Seminario Internacional Diversidad, Interculturalidad y Construcción de Ciudad. Bogotá: Universidad Pedagógica Nacional, 17-19 de abril de 2007.

WALSH, C. (2009). Interculturalidad, Estado, Sociedad. Luchas (de)coloniales de nuestra época. Quito: UASB/Abya Yala.

WALSH, C. (2013). Pedagogías decoloniales: prácticas insurgentes de resistir, (re)existir y (re)vivir. Tomo I. Quito, Ecuador: Ediciones Abya-Yala.

ZAVALA, V. (2010). Quem está dizendo isso?: letramento acadêmico, identidade e poder no ensino superior. In: Vóvio, C. L.; Sito, L. S.; De Grande, P. B. Letramentos: rupturas, deslocamentos e repercussões de pesquisas em Linguística Aplicada. Campinas, SP: Mercado de Letras. pp. 71-95.

ZAVALA, V. (2011). La escritura académica y la agencia de los sujetos. Cuadernos Comillas 1, pp. 52-66.

O periódico Trabalhos em Linguística Aplicada utiliza a licença do Creative Commons (CC), preservando assim, a integridade dos artigos em ambiente de acesso aberto, em que:

  • A publicação se reserva o direito de efetuar, nos originais, alterações de ordem normativa, ortográfica e gramatical, com vistas a manter o padrão culto da língua, respeitando, porém, o estilo dos autores;
  • Os originais não serão devolvidos aos autores;
  • Os autores mantêm os direitos totais sobre seus trabalhos publicados na Trabalhos de Linguística Aplicada, ficando sua reimpressão total ou parcial, depósito ou republicação sujeita à indicação de primeira publicação na revista, por meio da licença CC-BY;
  • Deve ser consignada a fonte de publicação original;
  • As opiniões emitidas pelos autores dos artigos são de sua exclusiva responsabilidade.

Downloads

Não há dados estatísticos.