Políticas habitacionais para a baixa renda no Brasil populista e ditatorial: os processos decisórios de cima para baixo e a contribuição da cidade de Recife nessa discussão.

  • Caroline Gonçalves dos Santos Universidade Federal de Pernambuco
Palavras-chave: Questão da moradia. Populismo e baixa renda.

Resumo

Este trabalho aborda o tratamento estatal conferido a questão habitacional da população de baixa renda no Brasil entre as décadas de 1930 a 1960, que é fundamental para o reconhecimento de uma primeira geração de políticas habitacionais, que se dá a partir de um forte discurso populista em que se difunde a ideia da casa própria. Esta pesquisa segue uma perspectiva histórica, absorve a contribuição da cidade de Recife nesse debate e observa que a partir desse período o Estado assumiu com continuidade a reponsabilidade da provisão de habitação para a baixa renda. Entretanto esteve muito distante dessa população e do seu modo de viver, tentando impor hábitos que não faziam parte do seu cotidiano, originando novos problemas e suscitando uma nova geração de políticas habitacionais.

 

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Biografia do Autor

Caroline Gonçalves dos Santos, Universidade Federal de Pernambuco
Arquiteta e Urbanista pela Universidade Federal de Alagoas. Mestre em Desenvolvimento Urbano pela Universidade Federal de Pernambuco e Doutoranda pelo mesmo programa. Professora no curso de Arquitetura e Urbanismo no Centro UNiversitário CESMAC, em Maceió, Alagoas.

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Publicado
2014-05-31
Como Citar
Santos, C. G. dos. (2014). Políticas habitacionais para a baixa renda no Brasil populista e ditatorial: os processos decisórios de cima para baixo e a contribuição da cidade de Recife nessa discussão. URBANA: Revista Eletrônica Do Centro Interdisciplinar De Estudos Sobre a Cidade, 6(1), 402-423. https://doi.org/10.20396/urbana.v6i1.8635308