Escola de gente feia

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20396/etd.v23i3.8657881

Palavras-chave:

Escola, Corpo feio, Feiura, Resistência, Devir

Resumo

Este artigo objetiva discutir algumas relações entre o corpo e as feiuras, procurando avaliar os abalos que um corpo feio provoca nos modelos de apreensão da subjetividade construídos prioritariamente a partir dos referenciais da representação e da identidade. Parte de uma cena comum de escola para problematizar alguns possíveis limites entre as feiuras e as produções de modos de vida. Propõe, a partir do aporte de autores alinhados à filosofia da diferença, algumas possibilidades de subversão suscitadas pelo corpo feio para uma política de subjetivação que afirme uma diferença radical. Há, conforme aposta o texto, escolas de gente feias que fazem de seus corpos marcos nas transformações afetivas tecidas nas escolas. O corpo feio cria, vorazmente, insultos à lógica Capital.

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Biografia do Autor

Steferson Zanoni Roseiro, Universidade Federal do Espírito Santo

Doutorando em Educação pela Universidade Federal do Espírito Santo. Professor da Rede de Ensino do Município de Cariacica, ES.

Janete Magalhães Carvalho, Universidade Federal do Espírito Santo

Doutora em Educação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Professora do Programa de Pós-Graduação em Educação pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES).

 

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Publicado

2021-08-12

Como Citar

ROSEIRO, S. Z.; CARVALHO, J. M. Escola de gente feia. ETD - Educação Temática Digital, Campinas, SP, v. 23, n. 3, p. 776–792, 2021. DOI: 10.20396/etd.v23i3.8657881. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/etd/article/view/8657881. Acesso em: 28 out. 2021.