Panorama da educação na região do contestado após cem anos da guerra do contestado

  • Geraldo Ant da Rosa Universidade do Planalto Catarinense-UNIPLAC
  • Nilson Thomé Universidade do Planalto Catarinense-UNIPLAC
Palavras-chave: Educação. Região do Contestado. Cem anos. Guerra do Contestado

Resumo

O presente artigo pretende fazer reflexões a partir de pesquisas realizadas pelo autorsobre um panorama da Educação na Região do Contestado após cem anos da Guerra do Contestado, um dos grandes conflitos rurais do Brasil que aconteceu entre os anos de 1912 a 1916. Num primeiro momento busca-se fazer uma análise dos aspectos geopolíticos da região procurando salientar o processo de povoamento. Para entender o momento atual este trabalho tenta caracterizar o homem do Contestado, aspectos econômicos da região, bem como a estruturação social responsável pelos mecanismos de poder altamente centralizados. Torna-se importante ressaltar que, dentro desta estrutura, é evidente a falta de instrução, de escolas, de meios de comunicação, assim como a presença de um homem revoltado por falta de justiça.Os pobres ligavam-se aos mais abastados por motivos econômicos, sentimentais e político. A educação, neste momento, acompanhou as mudanças da época, servindo de sustentáculo à estrutura social dominante. Dentro desta realidade é que se estrutura o processo de educação dos camponeses do Contestado. E esta dominação tem perpassado gerações, sendo o processo educacional formal e informal voltado para a passividade, ou seja, para uma adaptação ao mundo, em vez de tornar os homens sujeitos históricos, arquitetos e conceptores de projetos voltados às mudanças sociais. O movimento social do Contestado aconteceu dentro de uma estrutura de dominação que se perpetuou através das gerações, influindo na educação do homem desta região. O que se observa nesta sociedade são ações centralizadoras, marcos do processo de educação opressora que se reproduz nesta sociedade até os dias atuais. Neste ambiente, são os homens alienados, sendo marcadas pelo terror branco que gera a cultura do medo e do silêncio. Os marginalizados são vítimas e consequências desta sociedade opressora. Para não despertá-los para a busca de seus direitos, é necessário educá-los para que se tornem passivos e domesticados. Esta lógica instituída na educação formal e informal da região faz parte do passado e da realidade presente. A história da região transmitida através dos tempos foi a história oficial, ou seja, a história do Estado trabalhada numa perspectiva positivista, enaltecendo heróis, fatos, famílias tradicionais, coronéis e, relegando a maioria da população a meros coadjuvantes da “verdadeira história”.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Geraldo Ant da Rosa, Universidade do Planalto Catarinense-UNIPLAC

Possui Graduação em Estudos Sociais - Fundação Educacional de Brusque (1982), Mestrado em Educação pela Universidade do Extremo Sul Catarinense (2000) e Doutorado em Teologia pela Escola Superior de Teologia (2007- conceito 7 CAPES). Foi Diretor e Vice-diretor Acadêmico da Universidade do Contestado-Campus de Curitibanos-SC. Exerceu o cargos de Secretário da Câmara de Vereadores, Secretário Municipal de Administração e Secretário Municipal de Educação da Prefeitura Municipal de Nobres- MT. Trabalhou como docente de carreira na Rede Pública Estadual do Estado de Mato Grosso tendo sido Diretor da Escola Estadual de 1º e 2º Graus "Prefeito Mário Abraão Nassarden", em Nobres-MT. Foi professor e assessor pedagógico do Colegio Maria Imaculada e do Colégio Profissional JK, em Curitibanos-SC. Participou comomembro tendo sido presidente do Conselho Municipal de Educação de Curitibanos. Atualmente é professor da Fundação Universidade do Contestado, Coordenador dos Cursos de Licenciatura em Ciências da Religião da Plataforma Freire; professor do Programa de Mestrado em Educação da Universidade do Planalto Catarinense-Uniplac. Tem experiência como docente e na área administrativa em Educação, atuando na pesquisa nos seguintes temas:educação- formação de professores, educação popular, fenômeno religioso e movimentos sociais. Líder do Gupo de Estudos e Pesquisa em Educação Básica GEPEB, coordena a Linha de Pesquisa 1 do Programa de Mestrado em Educação da UNIPLAC: Políticas e Processos Formativos em Educação, e Membro da Câmara de Pós Graduação da Universidade do Planalto Catarinense - UNIPLAC e, Membro do Conselho Universitário da UNIPLAC.

Nilson Thomé, Universidade do Planalto Catarinense-UNIPLAC

Doutor em Educação, docente do Programa de Mestrado em Educação da Universidade do Planalto Catarinense-UNIPLAC, Lages-SC. (In memoriam).

Referências

ANDRADE, Manuel Correia de. Abolição e reforma agrária. São Paulo: Ática, 1987.

BOBBIO, Norberto. Estado, governo e sociedade: para uma teoria geral da política. Tradução de Marco Aurélio Nogueira. Rio de Janeiro: 1995.

CABRAL, Oswaldo Rodrigues. A campanha do Contestado. Florianópolis: Editora Lunardelli, 1979.

CURY, Carlos R. Jamil. Educação e contradição. São Paulo: Cortez, 1995.

DALLAROSA, Adair Angelo. Estado, educação e cidadania. Caçador: Editora Universidade do Contestado, 1998.

FREIRE, Paulo. Ação cultural para a liberdade. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1976.

IANNI, Octávio. Os movimentos camponeses. IN: Santos, José Vicente dos. Revoluções camponesas na América Latina. Campinas: Editora Unicamp, 1985.

LE GOFF, Jacques. História e memória. Tradução de Bernardo Leitão. Campinas: Unicamp, 1996.

LEMOS, Zélia de Andrade. [Carta ao Bispo da Diocese de Lages.] 2 f. 09/12/1985. Museu Antônio Granemann -Curitibanos-SC.

LEMOS, Zélia de Andrade. [Carta a Fr. Félix Fegger.] 24/07/1985. 1. f. Arquivo do Museu Histórico Antônio Granemann de Curitibanos. Pastas de 1973 a 1990.

LEMOS, Zélia de Andrade. [Carta a Fr. Félix Fegger.] 24/07/1985. 1. f. Arquivo do Museu Histórico Antônio Granemann de Curitibanos. Pastas de 1973 a 1990.

LEMOS, Zélia de Andrade. [Carta ao Dr. David. Carneiro.] 13/12/1994.. f. Arquivo do Museu Histórico Antônio Granemann de Curitibanos. Pastas de 1973 a 1990

LUZ, Aujor Ávila da. Os fanáticos: crimes e aberrações da religiosidade de nossos caboclos contribuição para o estudo da antropossociologia criminal do movimento dos fanáticos em SC. Florianópolis: Editora da UFSC, 1999.

KARL, Marx; ENGELS Friederich. A ideologia Alemã. Tradução de José Carlos Bruni e Marcos Aurélio Nogueira. São Paulo Hucitec, 1986.

KARL, Marx; ENGELS Friederich. A ideologia Alemã. Tradução de Luís Cláudio de Castro e Costa. São Paulo: Martins Fontes, 2002.

MACHADO, Paulo Pinheiro. Um estudo sobre as origens e a formação política das lideranças sertanejas do Contestado. Tese de Doutorado em História. Campinas: UNICAMP, 2001.

ROSA, Geraldo Antônio da . O Contestado: a práxis educativa de um movimento social. Campinas: Mercado de Letras, 2011.

QUEIROZ, Maurício Vinhas de. Messianismo e conflito social. São Paulo: Ática, 1977.

SADER, Emir. Estado e política em Marx. São Paulo: Cortez, 1993.

VALENTINI, Delmir José. Da cidade santa à corte celeste: Memórias de sertanejos e a Guerra do Contestado. Caçador: Universidade do Contestado, 1988.

Publicado
2014-03-22
Como Citar
Rosa, G. A. da, & Thomé, N. (2014). Panorama da educação na região do contestado após cem anos da guerra do contestado. Revista HISTEDBR On-Line, 13(54), 156-171. https://doi.org/10.20396/rho.v13i54.8640175
Seção
Artigos