Nem marinheiros nem militares: apontamentos sobre o Colégio Izabel de Dumbazinho e a companhia de aprendizes militares em Goiás

Autores

  • Karla Alves Tertuliano de Barros Universidade Estadual de Goiás
  • Wolney Honório Filho Universidade Federal de Goiás

DOI:

https://doi.org/10.20396/rho.v14i58.8640383

Palavras-chave:

História da Educação. Goiás. Século XIX

Resumo

O presente texto objetiva compreender o motivo da criação de duas instituições que aparecem frequentemente nos relatórios dos presidentes de província e nos periódicos da segunda metade do século XIX em Goiás: a Companhia de Aprendizes Militares e o Colégio Izabel. Um elemento que chama a atenção para estas instituições são as matrículas, na maior parte das vezes, compulsórias. Por que as matrículas nestas instituições foram compulsórias em uma província com poucas escolas? Para responder esta questão, pesquisamos os relatórios dos presidentes da província e periódicos da época.

Estes documentos foram analisados a partir da premissa de que a institucionalização da instrução pública no século XIX teve como objetivo contemplar a população pobre, os negros e mestiços. Embora o público alvo dessas instituições fosse bem diferente (Colégio Izabel – indígenas das margens do Araguaia e Tocantins; Companhia de Aprendizes Militares – menores desvalidos da capital da província), seus objetivos eram os mesmos: civilizar e domesticar seus internos e, para isto, eram válidas todas as formas de buscar “alunos”, inclusive a “caça”.

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Biografia do Autor

Karla Alves Tertuliano de Barros, Universidade Estadual de Goiás

Mestre em Educação pela UFG. Possui graduação em História pela Universidade Estadual de Goiás (2000). É especialista em História e Culturas Africanas e Afro-americanas pela Universidade Estadual de Goiás e em Educação para Diversidade e Cidadania pela UFG e também em gestão educacional e em planejamento educacional pela UNIVERSO. Tem experiência na área de História, com ênfase em História da Educação, Educação para Diversidade e em História da África e Culturas Africanas e Afro-americanas

Wolney Honório Filho, Universidade Federal de Goiás

Doutor em História pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1998), com pós-doutoramento em Educação, pela FACED/PUCRS. Líder do NEPEDUCA - Núcleo de Estudos e Pesquisa em Educação de Catalão. Atualmente é professor Associado II da Universidade Federal de Goiás - Campus Catalão, Departamento de Educação: Curso de Pedagogia e Programa de Pós-Graduação em Educação (mestrado). Editor da Revista Poíesis Pedagógica (Avaliação Capes B4). Tem experiência na área de Educação, com ênfase em História da Educação, Pesquisa (Auto)Biográfica, Memória e Formação de Professores, Educação e Cultura, História das Instituições Escolares

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Publicado

2015-01-29

Como Citar

BARROS, K. A. T. de; HONÓRIO FILHO, W. Nem marinheiros nem militares: apontamentos sobre o Colégio Izabel de Dumbazinho e a companhia de aprendizes militares em Goiás. Revista HISTEDBR On-line, Campinas, SP, v. 14, n. 58, p. 124–135, 2015. DOI: 10.20396/rho.v14i58.8640383. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/histedbr/article/view/8640383. Acesso em: 25 out. 2021.

Edição

Seção

Artigos