O currículo decolonial e o combate ao racismo epistêmico

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20396/rho.v21i00.8657131

Palavras-chave:

Currículo, Decolonialidade, Racismo epistemológico

Resumo

Este texto discute aspectos relacionados ao currículo como um campo de disputas de poder que se desenrola na ação prática. Problematiza as bases epistemológicas do currículo, ensejando uma travessia do eurocentrismo para ouvir as vozes que ressoam da América, da Ásia, da África e da diáspora negra, no intuito de dissipar o desconhecimento que nos rodeia, matriz de muitas ignorâncias e visões distorcidas sobre temáticas da história da África e da cultura afro-brasileira. É no âmbito dessa perspectiva que a decolonialidade se insere como uma possibilidade de transgredir as normas sobre o que deve ser ensinado, tendo em vista que o racismo epistemológico tem norteado a construção, disseminação e problematização de saberes no ambiente escolar. Destarte, provocar reflexões sobre a decolonialidade do currículo é uma estratégia para o combate ao racismo, pensado como fenômeno estruturante das relações sociais.

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Biografia do Autor

Jairo Carvalho do Nascimento, Universidade do Estado da Bahia

Doutorado em História Social pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Professor Adjunto da Universidade do Estado da Bahia (UNEB).

Maria Aparecida Dias Castro, Rede Municipal de Educação de Caetité, Bahia

Graduação em Licenciatura Plena em História pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Professora na Rede Municipal de Educação de Caetité, Bahia (SEC).

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Publicado

2021-08-02

Como Citar

NASCIMENTO, J. C. do; CASTRO, M. A. D. . O currículo decolonial e o combate ao racismo epistêmico. Revista HISTEDBR On-line, Campinas, SP, v. 21, n. 00, p. e021038, 2021. DOI: 10.20396/rho.v21i00.8657131. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/histedbr/article/view/8657131. Acesso em: 28 out. 2021.