O capital vai ao ensino médio

uma análise da reforma no processo de circulação do capital

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20396/rho.v21i00.8659576

Palavras-chave:

Lei 13415/2017, Privatização, Reforma do ensino médio, Educação e capital, Mercadificação

Resumo

Este texto procura colaborar com a compreensão da natureza da privatização da educação no processo de acumulação do capital. Faz uma breve análise das crises do capital para encontrar meios de absorção, procurando mostrar como a educação virou alvo de capitalização. Toma como objetos de análise a reforma do ensino médio (Lei 13.415/2017) e algumas ações do governo. Destaca as seguintes liberalizações que potencializam a absorção de novos investimentos: parcerias público-privadas na formação inicial e continuada de professores e implementação do novo currículo (induzida por meio do empréstimo junto ao BIRD); demanda por novos produtos e serviços educacionais para o “novo ensino médio”; oferta de parte da escolarização a distância; etc. E conclui que, dadas as contradições da educação no capitalismo, é preciso que os trabalhadores travem suas lutas também no processo de circulação, onde o capital tem vagado com menos resistência.

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Biografia do Autor

Sérgio Feldemann de Quadros, Universidade Estadual de Campinas

Doutorando em Educação pela Universidade Estadual de Campinas.

 

Nora Krawczyk, Universidade Estadual de Campinas

Doutorado em Educação pela Universidade Estadual de Campinas. Professora titular em Educação da Universidade Estadual de Campinas.

 

 

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Publicado

2021-11-23

Como Citar

QUADROS, S. F. de; KRAWCZYK, N. O capital vai ao ensino médio: uma análise da reforma no processo de circulação do capital. Revista HISTEDBR On-line, Campinas, SP, v. 21, n. 00, p. e021044, 2021. DOI: 10.20396/rho.v21i00.8659576. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/histedbr/article/view/8659576. Acesso em: 10 ago. 2022.