Professora Maria Gil e as pedras do caminho

memória dos primórdios da cultura escolar em Cônego Marinho, MG

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20396/rho.v22i00.8667002

Palavras-chave:

Escola rural, Educação do campo, Memória, Currículo

Resumo

A partir dos anos 1930, o governo se preocupou com a escolarização da população rural, então a maioria. Mas o ensino rural não cumpriu a contento as funções esperadas. Levou ao meio rural uma escolarização fundada no currículo para escola urbana incapaz de conter o êxodo campo–cidade na década de 1950. O campo não se esvaziou, e novas gerações demandaram educação mais condizente com sua vida em seu meio. Assim, uma educação do campo se impôs como política pública para instituir um modelo de educação à população do campo. Este artigo adentra esse terreno ao enfocar uma escola rural particular em sua transição para o sistema educacional público. O enfoque se sustenta na entrevista com a professora e administradora da “Escolinha rural”, no então distrito de Candeal, município de Cônego Marinho, MG. O estudo partiu desta questão: que tipo de escola era e como conduziu a escolarização? A indagação objetivou dialogar com memórias da vida rural e traços do que poderia ser chamado de cultura escolar comunitário-privada informal. A pesquisa recorreu à história oral como método-guia para produzir fontes mediante diálogos não estruturados; também se valeu de fontes documentais. Os resultados apontam que a “Escolinha rural” escapava ao modelo de escola rural dissipado pela escola do campo. Sua existência não dependia do Estado. Ainda assim, tal qual o ensino rural impôs à escola rural um currículo estranho às demandas do meio, a escolinha foi subsumida por um modelo de escola do campo cujo currículo lhe era estranho.

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Biografia do Autor

Ramiro Esdras Carneiro Batista, Universidade Federal do Amapá

Mestrado em Antropologia pela Universidade Federal do Pará. Professor assistente da Universidade Federal do Amapá.

Betânia de Oliveira Laterza Ribeiro, Universidade Federal de Uberlândia

Doutorado em Educação pela Universidade de São Paulo. Professora titular da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Uberlândia.

Maria Zeneide Carneiro Magalhães de Almeida, Pontifícia Universidade Católica de Goiás

Doutorado em História Cultural pela Universidade de Brasília. Professora adjunta da Pontifícia Universidade Católica de Goiás.

Referências

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Publicado

2022-11-11

Como Citar

BATISTA, R. E. C.; RIBEIRO, B. de O. L.; ALMEIDA, M. Z. C. M. de. Professora Maria Gil e as pedras do caminho: memória dos primórdios da cultura escolar em Cônego Marinho, MG. Revista HISTEDBR On-line, Campinas, SP, v. 22, n. 00, p. e022037, 2022. DOI: 10.20396/rho.v22i00.8667002. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/histedbr/article/view/8667002. Acesso em: 2 fev. 2023.

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