Plataformas digitais proprietárias na educação pública

o barato que pode sair caro

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20396/rho.v22i00.8669870

Palavras-chave:

Educação, Plataformas digitais, Grandes corporações de informática, Universidade pública, Educação vigiada

Resumo

Este artigo tem como objetivo investigar a adesão de cinco universidades federais do Centro-Oeste aos serviços de educação das grandes corporações da informática, a saber: Microsoft e Google a partir da seguinte indagação: no contexto do ensino remoto emergencial, as universidades federais do Centro-Oeste adotam ou sugerem à comunidade acadêmica os serviços de plataformas proprietárias para o desenvolvimento de suas atividades acadêmicas? A metodologia empregada envolve pesquisa bibliográfica, por meio da análise de artigos acadêmicos e documentos institucionais. Dentre os resultados, destaca-se que, à exceção da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), todas as outras quatro universidades federais do Centro-Oeste analisadas propuseram documentos e formações para o uso de plataformas do Google e da Microsoft. Amparados pelos estudos teóricos de Van Djick e Poell (2018) e Parra et al. (2018), observa-se que essas são organizações privadas internacionais com acesso aos dados de pesquisa, desenvolvimento e inovação das universidades públicas brasileiras. Como conclusão, a pesquisa formula a seguinte hipótese: à medida que as universidades aderem a parcerias gratuitas ou “muito vantajosas” oferecidas pelas grandes corporações para a realização de suas atividades acadêmicas, perde-se a oportunidade de desenvolver tecnologias públicas de informação e comunicação voltadas ao desenvolvimento do país.

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Biografia do Autor

Débora Furtado Barrera, Universidade de Brasília

Mestrado em Educação pela Universidade de Brasília. Técnico em Assuntos Educacionais da Universidade de Brasília.

Raquel de Almeida Moraes, Universidade de Brasilia

Doutorado em Educação pela Universidade Estadual de Campinas. Professora Titular em Educação da Universidade de Brasília.

 

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Publicado

2022-11-11

Como Citar

BARRERA, D. F.; MORAES, R. de A. Plataformas digitais proprietárias na educação pública: o barato que pode sair caro. Revista HISTEDBR On-line, Campinas, SP, v. 22, n. 00, p. e022036, 2022. DOI: 10.20396/rho.v22i00.8669870. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/histedbr/article/view/8669870. Acesso em: 30 nov. 2022.