Resumo
O presente artigo examina os efeitos das políticas educacionais neoliberais no ensino de filosofia no Novo Ensino Médio (NEM) do Estado de São Paulo, com ênfase na marginalização de disciplinas como filosofia, sociologia e arte em prol de itinerários formativos orientados por uma lógica mercantil. Sob uma abordagem crítica, demonstra-se que o modelo neoliberal reduz a educação a uma racionalidade técnica e utilitarista, priorizando eficiência e produtividade em detrimento da formação reflexiva. A filosofia, considerada “improdutiva” nesse cenário, é sistematicamente desvalorizada, uma vez que sua capacidade de questionamento desafia a adaptação acrítica às demandas do mercado. Apoiando-se em teóricos como Adorno, Horkheimer, Chauí e Marx, o artigo evidencia como a escola, ao assimilar a lógica empresarial, reforça dinâmicas capitalistas e neutraliza o potencial emancipatório do conhecimento. Conclui-se que o ensino filosófico persiste como uma “improdutividade produtiva”, essencial para desestabilizar os pressupostos da educação neoliberal e fomentar um pensamento autônomo e crítico.
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