Resumo
O avanço das tecnologias digitais impôs à educação o desafio de superar a lógica transmissiva e consolidar práticas voltadas à produção colaborativa do conhecimento. Levantamento do Tribunal de Contas de Santa Catarina (2025) revelou que a maioria dos municípios não possui políticas formais de educação digital, tampouco comissões responsáveis por sua implementação. Este artigo, fundamentado em Paulo Freire, Pierre Bourdieu, Paul Romer e teorias de gestão do conhecimento, propõe um modelo de educação digital crítica, que articula dimensões pedagógicas, sociológicas, econômicas e organizacionais. Argumenta-se que a ausência de políticas estruturadas compromete a democratização do capital cultural e a formação de uma economia do conhecimento inclusiva. Como encaminhamento prático, sugerem-se estudos de caso em escolas, de modo a validar empiricamente o modelo proposto e gerar evidências aplicadas para formulação de políticas públicas.
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