Chamada para dossiê: Feminismos em campos expandidos: 50 anos após “Why have there been no greatest women artists” - quais os impactos do feminismo para além dos centros hegemônicos?

2021-11-03

Em 1971, Linda Nochlin publicou o célebre artigo “Why have there been no great women artists”, que constituiu um marco para os estudos de gênero no campo das artes. Em 2021, completou-se 50 anos desta publicação cuja repercussão internacional foi grande, embora desigual. Se a importância do feminismo em países como Inglaterra e EUA é inquestionável, em razão do modo com que se fez presente em diversas gerações de artistas, especialmente a partir dos anos 1970, bem como na crítica e em todo um aparato institucional, o mesmo não se pode dizer de modo categórico com respeito a outras experiências. Dentro da Europa, os impactos e temporalidades do feminismo no mundo das artes são distintos e se manifestam de formas diferentes em relação àquelas que marcam o cânone anglo-saxão. Essas diferenças adquirem dimensões ainda mais significativas se pensarmos em regiões vistas como “não centrais”, tais como, Leste Europeu, América Latina, África e, ainda, Oriente.

O presente dossiê pretende reunir artigos que debatam, analisem e/ou problematizem os impactos dos feminismos no sistema/mundo das artes, notadamente em países e regiões menos estudados pela bibliografia existente. Assim, tenciona-se reunir um conjunto de reflexões sobre a recepção, circulação, reinterpretação, importância, e mesmo as fragilidades, resistências e rechaço às proposições feministas em países fora do eixo anglo-saxão. Entendemos o feminismo como um campo plural e diverso, que congrega proposições e estéticas múltiplas, que variam conforme o contexto em que são produzidas e mobilizadas.

A fim de contribuir para tal discussão, alguns eixos temáticos serão particularmente priorizados:

  • O feminismo colaborou para transformações no sistema artístico de um determinado país ou região? Como isso ocorre em termos de presenças femininas nas instituições (coleções museais, coleções privadas) e no mercado de arte?
  • De que modo obras de artistas ou grupos de artistas estão atravessadas pelo feminismo?
  • O feminismo trouxe aportes significativos para novas interpretações, escritas e narrativas da história da arte e da crítica de arte?
  • O feminismo alterou (ou não) as práticas de trabalho e poder que atravessam o sistema artístico (na divisão e distribuição de trabalho, nos cargos de prestígio em museus, galerias etc)?
  • Como se deu a recepção, apropriação, circulação do feminismo em países “não centrais”? Que agentes, instituições foram importantes? Houve aceitação? Rechaço?
  • Análise de exposições feministas que impactaram o sistema artístico: curadoria, recepção, visibilidade das artistas.

Serão aceitas propostas/textos escritos em português, espanhol ou inglês.

Prazo de submissão: 31 de outubro de 2022. 

Organizadoras: Ana Paula Cavalcanti Simioni (USP), Patricia Mayayo (Universidad Autónoma de Madrid).