Na caverna de Tarsila

Sobrevivências do primitivo como presença do não colonial

Autores

DOI:

https://doi.org/10.24978/mod.v3i1.3770

Palavras-chave:

Primitivo, Imagem, Tarsila do Amaral, Giro Decolonial, Não colonial.

Resumo

O objetivo do nosso trabalho é perceber o primitivo em imagens elaboradas por Tarsila do Amaral. Inspiradas em Bataille, entendemos a “caverna” como o interior da artista e lugar de introspecção de si. Primeiro, buscamos lapsos de pensamentos que deixem escapar imagens do seu inconsciente, como a dos bichos que permeiam os seus desenhos e pinturas, imaginários e memórias infantis. Depois, escolhemos “desmontar” uma delas, A Negra, identificando a presença de um gesto que sobrevive em outras imagens e que é próprio do humano. Por fim, colocando o problema do giro decolonial, propomos pensar o primitivo como o que escapa do par modernidade/colonialidade, apresentando a noção de não colonial.

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Biografia do Autor

Maria Bernardete Ramos Flores, Universidade Federal de Santa Catarina

Professora Titular Aposentada do Departamento de História da UFSC. Pós-Doutorado - Universidade Nova de Lisboa/University of Maryland (1999-2000), Pós-Doutorado - IDAES - Universidad de San Martín (2009-2010). Professora visitante na Universidade de Salamanca (2003). Ano Sabático na University of California - Campus Davis (1994).  Pesquisadora CNPq 1B.

Michele Bete Petry, Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo

Pós-Doutorado no Programa de Pós-Graduação em História na Universidade Federal de Santa Catarina e no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo.

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Publicado

2019-01-18

Como Citar

FLORES, M. B. R.; PETRY, M. B. Na caverna de Tarsila: Sobrevivências do primitivo como presença do não colonial. MODOS: Revista de História da Arte, Campinas, SP, v. 3, n. 1, p. 115–132, 2019. DOI: 10.24978/mod.v3i1.3770. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/mod/article/view/8662933. Acesso em: 2 dez. 2022.

Edição

Seção

Dossiê - A Emergência da imagem crítica

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