Apresentação. Objetos Inquietos

Unquiet objects

Autores

DOI:

https://doi.org/10.24978/mod.v2i2.1339

Resumo

As chaves de leitura tradicionais sobre os objetos (práticos, poéticos, cotidianos, artísticos, banais, excepcionais) consideram-nos na inércia, desenvolvendo-se poucas análises sobre seus movimentos, suas ações no espaço e no tempo, suas atuações no mundo, especialmente no campo da história da arte.  Mas podemos pensar que a condição de imobilidade é uma situação temporária e o destino de muitos objetos é sua errância. Há inúmeros objetos inquietos, como há múltiplos modos de inquietude em objetos.  Alguns, saindo da sua inércia, assumem uma lógica desordenada e imprevisível de atuação, assumindo uma identidade particular.  Existem uns que, frente à sua potência poética em sobressalto, nos deixam atônitos, com a mente agitada, sem condições de nos manter passivos, fazendo-nos ver, ouvir, sentir de maneira incomum.  Outros nos instigam a rever paradigmas, conhecimentos dados e visualidades datadas. Alguns fazem nos movimentar com eles ou pelo menos nos provocam mobilidade, ao circundá-los, penetrá-los, experimentá-los.  Alguns nos incitam a nos movermos por destinos ainda não explorados, fazendo com que nossos corpos empreendam, necessariamente, novas posturas. Certos objetos tiveram como destino várias paragens, reinventando-se a cada lugar ocupado e incidindo sobre a conformação do lugar, como se nunca conseguissem se acomodar em determinada situação. Isso também pode ocorrer nos enquadramentos classificatórios, quando os rótulos não conseguem dar conta da natureza múltipla e ambígua dos objetos inquietos. Sua inquietude também implica se manterem como  enigmas, dificultando-nos decifrar aquilo que guardam e não dizem, que escapam às nossas indagações, ou se manterem como errantes ou metamórficos que, por sua propensão a mudanças constantes, de lugar e de aparência, atrapalham percebê-los em suas variantes.

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Biografia do Autor

Maria João Neto, Universidade de Lisboa

Maria João Neto is an Associate Professor in the History of Art Institute at the Faculty of Humanities, University of Lisbon.

Marize Malta, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil

Malta é professora de história da arte/ artes decorativas/ ambiências interiores na Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro.  Graduada em Arquitetura (USU), mestre em História da Arte (EBA-UFRJ) e doutora em História (UFF). Seu domínio de investigação é em história e teoria das ambiências, artes decorativas, arte doméstica, objetos do mal, coleções e modos de exibição.

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Publicado

2018-05-16

Como Citar

JOÃO NETO, M.; MALTA, M. Apresentação. Objetos Inquietos: Unquiet objects. MODOS: Revista de História da Arte, Campinas, SP, v. 2, n. 2, p. 137–141, 2018. DOI: 10.24978/mod.v2i2.1339. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/mod/article/view/8663299. Acesso em: 10 ago. 2022.

Edição

Seção

Dossiê - Objetos inquietos

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