Almoços partilhados, amores não correspondidos e conversas inacabadas

Quotidiano e arte contemporânea

Autores

DOI:

https://doi.org/10.24978/mod.v2i1.797

Palavras-chave:

Arte Contemporânea, Quotidiano, Daniel Spoerri, Sophie Calle, Tino Seghal.

Resumo

A tentativa de fixar o trivial, de dar visibilidade ao aparentemente banal e de, assim, recusar que o quotidiano se dilua no esquecimento é um dos traços que podemos identificar em muitas das propostas artísticas que têm vindo a ser desenvolvidas, sobretudo desde o segundo pós-guerra. Esta produção privilegia um renovado contacto com a realidade e traduz-se através da apropriação, utilização e problematização das suas matérias, dos seus objectos e dos seus gestos - como se tornou particularmente evidente na Pop Art ou no Nouveau Réalisme, mas também nas diferentes dinâmicas performativas que se consubstanciaram ao longo das décadas seguintes e que continuam a ser exploradas na actualidade. Partindo da década de 1960, e tomando como referência a produção de diferentes artistas que recuperaram acções muitas vezes consideradas como anónimas ou residuais (Lefebvre 1947), este artigo procura problematizar o quotidiano nas práticas artísticas contemporâneas.

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Biografia do Autor

Margarida Brito Alves, Universidade NOVA de Lisboa

É doutorada em História da Arte Contemporânea pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa – onde é Professora Auxiliar no Departamento de História da Arte. É coordenadora do Grupo de Estudos de Arte Contemporânea do Instituto de História da Arte(IHA/FCSH-UNL) e autora dos livros A Revista Colóquio / Artes (Lisboa: Colibri, 2007 – Prémio José de Figueiredo/ Academia Nacional de Belas-Artes 2008) -, e O Espaço na Criação Artística do Século XX. Heterogeneidade. Tridimensionalidade. Performatividade. (Lisboa: Colibri, 2012).

Bruno Sousa Marques, Universidade NOVA de Lisboa

É, desde 2016, Professor Auxiliar Convidado do departamento de História de Arte da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Desde 2014, bolseiro de pós-doutoramento no Instituto de História da Arte da mesma faculdade. O seu projeto de investigação, financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, intitula-se “Género e políticas da sexualidade na arte contemporânea portuguesa (fotografia, cinema e performance)” [RH / BPD / 93234/2013]. Membro integrado e da Comissão Científica do Instituto de História de Arte/UNL, onde coordena o núcleo Photography and Film Studies pertencente ao grupo Contemporary Art Studies (CASt). Doutorado em História da Arte Contemporânea pela FCSH/UNL. 

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Publicado

2018-01-15

Como Citar

BRITO ALVES, M.; MARQUES, B. S. Almoços partilhados, amores não correspondidos e conversas inacabadas: Quotidiano e arte contemporânea. MODOS: Revista de História da Arte, Campinas, SP, v. 2, n. 1, p. 71–82, 2018. DOI: 10.24978/mod.v2i1.797. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/mod/article/view/8663358. Acesso em: 7 dez. 2022.

Edição

Seção

Artigos - Colaborações