Nordestes, curadoria e identidade

Moacir dos Anjos e o uso estratégico da “nordestinidade”

Autores

DOI:

https://doi.org/10.20396/modos.v5i1.8663904

Palavras-chave:

Nordestinidade, Curadoria, Moacir dos Anjos, Identidade, Exposição

Resumo

O presente artigo, síntese da minha tese de doutorado, se detém sobre como obras de artistas contemporâneos do Nordeste têm sido interpeladas a partir de narrativas identitárias em uma série de curadorias de Moacir dos Anjos dedicadas à discussão de sua proposição sobre o “artista nordestino”, compreendendo eventos realizados entre os anos de 1998 e 2006 nas cidades de Fortaleza, Recife e São Paulo. Questionamos como os trabalhos desses artistas reverberam e lidam com essa interpelação identitária, atravessada por questões como a “invenção” do Nordeste e o “regionalismo” freyreano. Para isso, discutimos a trajetória de algumas obras recorrentes nesses eventos e o modo como foram interpeladas por outras narrativas propostas por diferentes curadores. Procuramos demonstrar como obras e curadorias se beneficiam de associações estratégicas e temporárias às identidades, complexificando noções como “rótulo” e representação.

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Biografia do Autor

Pedro Ernesto Freitas Lima, Universidade de Brasília

Doutor pelo Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais da Universidade de Brasília (UnB).

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Publicado

2021-01-30

Como Citar

LIMA, P. E. F. Nordestes, curadoria e identidade: Moacir dos Anjos e o uso estratégico da “nordestinidade”. MODOS: Revista de História da Arte, Campinas, SP, v. 5, n. 1, p. 33–52, 2021. DOI: 10.20396/modos.v5i1.8663904. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/mod/article/view/8663904. Acesso em: 26 nov. 2022.

Edição

Seção

Artigos - Colaborações